segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Compositor de "Nanã"

Moacir Santos completaria 100 anos; conheça o maestro pernambucano

Compositor de “Nanã” e do álbum “Coisas” construiu linguagem própria entre ritmos afro-brasileiros, jazz e escrita orquestral; reconhecimento no Brasil chegou tarde

Luana Avelarpor em
Moacir

Moacir Santos completaria 100 anos no último domingo (26). Compositor, arranjador, maestro e multi-instrumentista, o pernambucano construiu uma obra em que ritmos afro-brasileiros, jazz e escrita orquestral deixaram de ocupar territórios separados. Criou formas próprias de organizar essas referências, entre cálculo, memória e percepção.

Essa linguagem aparece de maneira concentrada em “Coisas”, de 1965. O disco reúne dez composições numeradas e se tornou a principal síntese de sua pesquisa musical. Sopros, linhas de baixo, bateria, piano e violão assumem funções precisas, muitas vezes em diálogo entre si. A estrutura rigorosa não elimina o balanço.

Parte dessa construção vinha da infância. Nascido no Sertão pernambucano, na região de Serra Talhada, aprendeu música nas bandas do interior e, adolescente, percorreu o Nordeste em orquestras de circo e bandas militares. Em João Pessoa, foi regente da banda da Rádio Tabajara antes de seguir para o Rio.

Na Rádio Nacional, para onde entrou como saxofonista em 1948, aprofundou os estudos de teoria musical e, três anos depois, atuava como arranjador da orquestra. Foi aluno de César Guerra-Peixe e se tornou professor de Baden Powell, João Donato, Paulinho da Viola, Airto Moreira e Roberto Menescal.

O estudo formal não afastou Moacir das referências que carregava desde o sertão. Ele sistematizou células rítmicas afro-brasileiras e desenvolveu os chamados “Ritmos MS”, uma organização própria de padrões de polirritmia. Era uma maneira de transformar em escrita aquilo que também vinha da escuta, da oralidade e das bandas de música.

“Nanã”, sua composição mais conhecida, ajuda a mostrar essa ligação. A melodia nasceu da lembrança de uma reza ouvida em procissão e foi usada na abertura do filme “Ganga Zumba”. Depois ganhou letra de Mário Telles e gravações de Nara Leão, Sergio Mendes e Tim Maia, além de músicos do jazz, como Kenny Burrell e Gil Evans.

Em 1967, Moacir deixou o Brasil e se mudou para os Estados Unidos. Trabalhou com trilhas de cinema, integrou equipes ligadas a Henry Mancini e Lalo Schifrin e, na década de 1970, lançou três álbuns pela Blue Note. “Maestro”, de 1972, foi indicado ao Grammy. Nesse período, desenvolveu o “mojo”, ritmo criado a partir do contato entre sua formação brasileira e o ambiente musical norte-americano.

Seu reconhecimento no Brasil, porém, avançou de maneira irregular. Um dos marcos dessa redescoberta foi “Ouro Negro”, projeto lançado em 2001 por Mario Adnet e Zé Nogueira para revisitar sua obra. O álbum reuniu o próprio Moacir e nomes como Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan, João Bosco e Ed Motta, aproximando suas composições de uma nova geração de ouvintes. Moacir morreu em Los Angeles, em 2006, aos 80 anos. 

O centenário recoloca em evidência o que torna Moacir Santos difícil de enquadrar. Ao unir bandas, tradição afro-brasileira e estudo formal, o maestro construiu uma escrita própria, reconhecível desde os primeiros compassos e ainda presente entre músicos de diferentes gerações.

LEIA MAIS:

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Peça baseada em obra de Chico Xavier tem apresentação única em Goiânia

TEATRO

Peça baseada em obra de Chico Xavier tem apresentação única em Goiânia

Montagem baseada na obra Renúncia, atribuída ao espírito Emmanuel por meio do médium Chico Xavie...
Sua Mãe Te Conhece?

Treta em família

Episódio de reencontro de “Sua Mãe Te Conhece?” chega com revelações inéditas e climão garantido

Episódio especial estreia em 9 de setembro e reúne mães e filhos para lavar a roupa suja, reviver...
Avião com Mariana Fagundes faz pouso de emergência em Goiânia

Susto

Avião com Mariana Fagundes faz pouso de emergência em Goiânia

Mariana Fagundes seguia do Pará para o Rio de Janeiro quando o gerador da aeronave apresentou falha...
Pisos, unhas e falta de cuidados podem machucar as patas dos pets

AI, AI, AI!

Pisos, unhas e falta de cuidados podem machucar as patas dos pets

Higienização, hidratação dos coxins e corte correto das unhas ajudam a prevenir ferimentos e dif...
Horóscopo do dia (04/09): veja as previsões para o seu signo

ASTROS

Horóscopo do dia (04/09): veja as previsões para o seu signo

Previsões apontam oportunidades profissionais, decisões financeiras e necessidade de equilíbrio n...
Cerrado Galeria oferece oficina gratuita para jovens neste sábado em Goiânia; saiba como participar

ARTE E EDUCAÇÃO

Cerrado Galeria oferece oficina gratuita para jovens neste sábado em Goiânia; saiba como participar

Atividade neste sábado (5) é voltada para adolescentes de 12 a 18 anos e integra a programação d...
Festival de pit dog chega a Goiânia com arena gratuita e roteiro por toda a cidade

Circuito X

Festival de pit dog chega a Goiânia com arena gratuita e roteiro por toda a cidade

Circuito X celebra o sanduíche reconhecido como patrimônio cultural de Goiânia com arena gratuita...
“Não tem bagunça”: gêmea de rainha de rodeio rebate críticas a trisal

relacionamento

“Não tem bagunça”: gêmea de rainha de rodeio rebate críticas a trisal

Trio está junto há seis anos, divide a mesma casa em Montividiu em Goiás e diz que mantém uma co...