terça-feira, 29 de setembro de 2026
Cães e gatos

Seu pet está ficando velhinho? Saiba o que observar e o que fazer nessa fase

Cães e gatos vivem mais do que antes, mas a velhice traz sinais que não devem ser atribuídos apenas à idade; especialistas alertam para cuidados físicos e impacto emocional nos tutores

Luana Avelarpor em
pet

O cachorro que sempre foi o primeiro a chegar à porta já demora a se levantar. O gato que atravessava a casa pelos móveis passa a escolher o chão. A caminhada encurta, o sono aumenta e a brincadeira termina antes. Para quem convive com cães e gatos, a velhice raramente chega de uma vez. Ela aparece, aos poucos, naquilo que o animal deixa de fazer.

Essas mudanças se tornaram mais frequentes porque os pets vivem mais. Avanços na Medicina Veterinária, vacinação, alimentação adequada e acompanhamento contínuo ampliaram a expectativa de vida de cães e gatos, permitindo que doenças antes pouco diagnosticadas sejam identificadas e tratadas por mais tempo.

“Hoje a expectativa de vida dos animais de companhia aumentou. Isso se deve à melhoria da qualidade de vida proporcionada pelos responsáveis, seja por alimentação e acolhimento, assim como pelo desenvolvimento da Medicina Veterinária. Hoje temos cães com 20 anos e gatos podendo chegar até 22 anos, e o mais importante, com qualidade”, explica a médica-veterinária Gizelly Bandeira.

Viver mais, porém, também exige novos cuidados. Embora a fase idosa varie conforme porte, raça e histórico clínico, cães e gatos costumam entrar nesse período entre os 6 e 7 anos. A partir daí, mudanças sutis podem indicar problemas de saúde que não devem ser encarados como consequência natural da idade.

Tosse, cansaço, alteração no apetite, dificuldade para caminhar, mudanças no sono e comportamentos fora do padrão merecem atenção. O erro mais comum, segundo a especialista, é atribuir todos esses sinais ao envelhecimento e deixar de investigar condições que podem ser tratadas. “Idade não é doença. Não existe isso de ‘ele está assim porque é velhinho’. Deve-se cuidar e tratar o pet para que ele envelheça bem”, alerta Gizelly.

Cardiopatias, doenças respiratórias, problemas renais, alterações endócrinas e doenças dentárias tornam-se mais frequentes nessa fase da vida. Em muitos casos, a alimentação precisa ser adaptada, os exercícios passam a respeitar novos limites e até o ambiente da casa pode exigir mudanças para facilitar a locomoção de animais que perderam mobilidade ou visão.

O acompanhamento veterinário é fundamental para identificar alterações precocemente, mas esse cuidado começa muito antes da velhice. “Proporcionar saúde aos pets desde cedo, com alimentação correta, prevenção de doenças e acompanhamento veterinário, faz com que hoje os pets vivam mais e melhor”, afirma.

Se o envelhecimento transforma a rotina do animal, também afeta quem compartilha a vida com ele. Em famílias nas quais cães e gatos ocupam um lugar de forte vínculo afetivo, perceber a perda gradual de disposição ou autonomia pode despertar medo, culpa e ansiedade. Afinal, esses animais fazem parte dos hábitos, da companhia diária e das memórias construídas ao longo dos anos.

“Quando uma pessoa olha para o pet e pensa: ‘Ele está sempre comigo’, ‘Eu não estou sozinha’ ou ‘Aqui existe alguém feliz por me ver’, esses pensamentos podem produzir sentimentos de acolhimento, segurança e pertencimento”, explica a psicóloga Maísa Colombo Lima.

O sofrimento costuma se intensificar quando a lembrança do animal jovem passa a contrastar com as limitações da velhice. O cachorro que corria atrás da bola já não acompanha o mesmo ritmo. O gato que dormia no alto do armário passa a evitar saltos. Diante dessas mudanças, muitas famílias começam a antecipar uma perda que ainda não aconteceu.

Esse processo é conhecido como luto antecipatório. Ele pode se manifestar por meio de pensamentos recorrentes sobre a morte do animal, medo do sofrimento ou sensação de que o cuidado nunca é suficiente. “Esse sentimento é compreensível, porque geralmente aparece justamente onde existe amor e vínculo”, afirma Maísa.

A psicóloga ressalta, no entanto, que reconhecer a velhice não significa viver uma despedida antecipada. “Preparar-se não significa desistir do animal nem antecipar sua morte. Significa reconhecer a realidade para oferecer um cuidado mais consciente”, orienta.

Na prática, isso pode significar reduzir obstáculos dentro de casa, facilitar o acesso à água e à comida, adaptar os passeios, respeitar períodos maiores de descanso e dividir responsabilidades entre os integrantes da família. Também significa valorizar aquilo que ainda proporciona bem-estar ao animal, em vez de concentrar a atenção apenas nas limitações impostas pela idade.

Quando tristeza, culpa ou ansiedade passam a interferir no sono, no trabalho ou na capacidade de cuidar do pet, o acompanhamento psicológico pode ser necessário. O desafio, nessa etapa, não é negar o envelhecimento, mas impedir que o medo da perda apague o tempo e a convivência que ainda existem.

Leia mais:

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Gugu x Faustão: guerra dos domingos vai virar documentário no Globoplay

"GUERRA DE AUDIÊNCIA"

Gugu x Faustão: guerra dos domingos vai virar documentário no Globoplay

Produção revisitará a disputa pela audiência nas décadas de 1990 e 2000; Solange Gomes gravou p...
Seu gato vomita bolas de pelo? Escovação pode evitar problemas mais graves

ATENTO ÀS BOLAS DE PELO!

Seu gato vomita bolas de pelo? Escovação pode evitar problemas mais graves

Hábito retira os fios soltos antes que sejam engolidos e ainda ajuda o tutor a identificar feridas,...
Horóscopo do dia (30/09): veja as previsões para o seu signo

ASTROS

Horóscopo do dia (29/09): veja as previsões para o seu signo

O dia pede atenção aos relacionamentos, rapidez no trabalho e cautela antes de tomar decisões fin...
The Town confirma Slipknot e Marilyn Manson para edição de 2027

ATRAÇÕES ANUNCIADAS

The Town confirma Slipknot e Marilyn Manson para edição de 2027

Artistas tocarão no mesmo dia do festival, que será realizado em setembro no Autódromo de Interla...
Taylor Swift quebra recorde no VMA e dedica prêmio a Dolly Parton

TAY TAY DEU O NOME!

Taylor Swift quebra recorde no VMA e dedica prêmio a Dolly Parton

Cantora tornou-se a artista mais premiada da história do evento, enquanto Madonna encerrou a noite ...
séries

MELHORES SÉRIES

New York Times elege as 100 melhores séries do século 21; veja a lista completa

Ranking foi feito a partir dos votos de mais de 500 profissionais do entretenimento, entre atores, s...
Marisa Orth revela receio ao gravar filme sensual: “Emagreci”

+18

Marisa Orth revela receio ao gravar filme sensual: “Emagreci”

Aos 64 anos, atriz conta que não aceitou imediatamente o convite para estrelar um curta destinado a...
SUS incorpora cirurgia que trata catarata e glaucoma ao mesmo tempo; entenda quem pode se beneficiar

SAÚDE

SUS incorpora cirurgia que trata catarata e glaucoma ao mesmo tempo; entenda quem pode se beneficiar

Técnica permite retirar o cristalino e atuar na drenagem ocular em um único procedimento; oferta d...