segunda-feira, 27 de julho de 2026
Cães e gatos

Seu pet está ficando velhinho? Saiba o que observar e o que fazer nessa fase

Cães e gatos vivem mais do que antes, mas a velhice traz sinais que não devem ser atribuídos apenas à idade; especialistas alertam para cuidados físicos e impacto emocional nos tutores

Luana Avelarpor Luana Avelar em 27 de julho de 2026 às 21:30
pet

O cachorro que sempre foi o primeiro a chegar à porta já demora a se levantar. O gato que atravessava a casa pelos móveis passa a escolher o chão. A caminhada encurta, o sono aumenta e a brincadeira termina antes. Para quem convive com cães e gatos, a velhice raramente chega de uma vez. Ela aparece, aos poucos, naquilo que o animal deixa de fazer.

Essas mudanças se tornaram mais frequentes porque os pets vivem mais. Avanços na Medicina Veterinária, vacinação, alimentação adequada e acompanhamento contínuo ampliaram a expectativa de vida de cães e gatos, permitindo que doenças antes pouco diagnosticadas sejam identificadas e tratadas por mais tempo.

“Hoje a expectativa de vida dos animais de companhia aumentou. Isso se deve à melhoria da qualidade de vida proporcionada pelos responsáveis, seja por alimentação e acolhimento, assim como pelo desenvolvimento da Medicina Veterinária. Hoje temos cães com 20 anos e gatos podendo chegar até 22 anos, e o mais importante, com qualidade”, explica a médica-veterinária Gizelly Bandeira.

Viver mais, porém, também exige novos cuidados. Embora a fase idosa varie conforme porte, raça e histórico clínico, cães e gatos costumam entrar nesse período entre os 6 e 7 anos. A partir daí, mudanças sutis podem indicar problemas de saúde que não devem ser encarados como consequência natural da idade.

Tosse, cansaço, alteração no apetite, dificuldade para caminhar, mudanças no sono e comportamentos fora do padrão merecem atenção. O erro mais comum, segundo a especialista, é atribuir todos esses sinais ao envelhecimento e deixar de investigar condições que podem ser tratadas. “Idade não é doença. Não existe isso de ‘ele está assim porque é velhinho’. Deve-se cuidar e tratar o pet para que ele envelheça bem”, alerta Gizelly.

Cardiopatias, doenças respiratórias, problemas renais, alterações endócrinas e doenças dentárias tornam-se mais frequentes nessa fase da vida. Em muitos casos, a alimentação precisa ser adaptada, os exercícios passam a respeitar novos limites e até o ambiente da casa pode exigir mudanças para facilitar a locomoção de animais que perderam mobilidade ou visão.

O acompanhamento veterinário é fundamental para identificar alterações precocemente, mas esse cuidado começa muito antes da velhice. “Proporcionar saúde aos pets desde cedo, com alimentação correta, prevenção de doenças e acompanhamento veterinário, faz com que hoje os pets vivam mais e melhor”, afirma.

Se o envelhecimento transforma a rotina do animal, também afeta quem compartilha a vida com ele. Em famílias nas quais cães e gatos ocupam um lugar de forte vínculo afetivo, perceber a perda gradual de disposição ou autonomia pode despertar medo, culpa e ansiedade. Afinal, esses animais fazem parte dos hábitos, da companhia diária e das memórias construídas ao longo dos anos.

“Quando uma pessoa olha para o pet e pensa: ‘Ele está sempre comigo’, ‘Eu não estou sozinha’ ou ‘Aqui existe alguém feliz por me ver’, esses pensamentos podem produzir sentimentos de acolhimento, segurança e pertencimento”, explica a psicóloga Maísa Colombo Lima.

O sofrimento costuma se intensificar quando a lembrança do animal jovem passa a contrastar com as limitações da velhice. O cachorro que corria atrás da bola já não acompanha o mesmo ritmo. O gato que dormia no alto do armário passa a evitar saltos. Diante dessas mudanças, muitas famílias começam a antecipar uma perda que ainda não aconteceu.

Esse processo é conhecido como luto antecipatório. Ele pode se manifestar por meio de pensamentos recorrentes sobre a morte do animal, medo do sofrimento ou sensação de que o cuidado nunca é suficiente. “Esse sentimento é compreensível, porque geralmente aparece justamente onde existe amor e vínculo”, afirma Maísa.

A psicóloga ressalta, no entanto, que reconhecer a velhice não significa viver uma despedida antecipada. “Preparar-se não significa desistir do animal nem antecipar sua morte. Significa reconhecer a realidade para oferecer um cuidado mais consciente”, orienta.

Na prática, isso pode significar reduzir obstáculos dentro de casa, facilitar o acesso à água e à comida, adaptar os passeios, respeitar períodos maiores de descanso e dividir responsabilidades entre os integrantes da família. Também significa valorizar aquilo que ainda proporciona bem-estar ao animal, em vez de concentrar a atenção apenas nas limitações impostas pela idade.

Quando tristeza, culpa ou ansiedade passam a interferir no sono, no trabalho ou na capacidade de cuidar do pet, o acompanhamento psicológico pode ser necessário. O desafio, nessa etapa, não é negar o envelhecimento, mas impedir que o medo da perda apague o tempo e a convivência que ainda existem.

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