quinta-feira, 30 de julho de 2026
Eleições 2026

Desconhecimento ainda é desafio para pré-candidatos ao Governo de Goiás

Especialistas ouvidos pelo O HOJE avaliam que falta de exposição explica índices e apontam que cenário tende a mudar com avanço da campanha

Thiago Borgespor Thiago Borges em 30 de julho de 2026 às 19:27
Desconhecimento ainda é desafio para pré-candidatos ao Governo de Goiás
Genial/Quaest mostra que parte do eleitorado goiano ainda desconhece a maioria dos pré-candidatos ao Palácio das Esmeraldas | Fotos: Reprodução/Facebook e Y. Maeda/Alego

A pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quinta-feira (30) revelou que, apesar da proximidade do período de campanha eleitoral e do início das convenções partidárias que oficializam os candidatos que irão disputar o pleito de outubro, parte do eleitorado goiano ainda desconhece a maioria dos pré-candidatos ao Palácio das Esmeraldas. 

Segundo os dados da pesquisa, 30% dos eleitores consultados afirmaram não conhecer o governador Daniel Vilela (MDB), pré-candidato à reeleição. Quando questionados sobre o senador Wilder Morais, nome do PL para a disputa pelo Governo do Estado, 62% disseram não conhecer o parlamentar.

A taxa de desconhecimento é ainda maior entre os nomes apresentados à esquerda. O pré-candidato do PT, Luis Cesar Bueno, é desconhecido por 76% do eleitorado. A pesquisa também testou os nomes de Cíntia Dias (PSOL) e Luciana Amorim (UP), que marcaram 83% e 89%, respectivamente, nos índices de desconhecimento.

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) é o único com baixo índice de desconhecimento. Apenas 16% dos eleitores afirmaram não conhecer o tucano.

Para especialistas ouvidos pelo O HOJE, os índices refletem o grau de exposição dos nomes até o momento e apontam para diferentes possibilidades de crescimento ao longo da campanha.

Segundo o especialista em Marketing Político, Marcos Marinho, o cenário está relacionado ao grau de exposição pública dos pré-candidatos. “O desconhecimento é fruto da ausência de ocupação de espaço. Se você não está presente no grupo político, junto ao eleitorado e nem nas comunicações que tratam do assunto sobre a sua seara, você basicamente não existe”, afirma.

Para o especialista, tanto Daniel quanto Wilder ainda precisam consolidar uma imagem própria perante o eleitorado, enquanto Marconi, em razão do longo período como governador do Estado, já possui presença consolidada. “O Daniel passou boa parte da vida dele restrito à sombra do pai. Ele teve um vislumbre quando foi candidato ao governo em 2018 e depois já foi para a sombra do Caiado. Ainda falta ao Daniel luz própria”, destaca Marinho. 

“Wilder a mesma coisa, ele nunca teve uma visibilidade alargada. O Wilder é um cara de nicho. Ele é um empresário, não é popular. O Wilder foi eleito num claro movimento bolsonarista de adesão”, afirma. “Já o Marconi tem mais tempo. Foram quatro mandatos. É muito difícil alguém falar que não conhece o Marconi”, avalia o especialista em Marketing Político.

Desconhecimento natural

Já o cientista político Lehninger Mota considera natural que os índices de desconhecimento ainda sejam elevados neste momento do calendário eleitoral. Para Mota, a tendência é de que os pré-candidatos passem a ser mais conhecidos à medida em que a campanha se aproxima. O cientista cita o caso do governador, que diminuiu o índice de desconhecimento. Na rodada de abril da Genial/Quaest, 37% dos eleitores afirmavam não conhecer Daniel. 

“O Daniel avançou, por exemplo. Ele cresceu no índice de conhecimento por parte do eleitor por ter virado governador e está mais na mídia, nas pautas, com ampla divulgação em toda a imprensa”, avalia. 

Além disso, Mota ressalta que o alto desconhecimento também representa uma possibilidade de ampliação do eleitorado potencial dos candidatos. “Quanto mais conhecido, mais difícil o crescimento. Há uma possibilidade de crescimento maior para aqueles que ainda não são conhecidos”, diz o cientista político.

Eleitorado a ser alcançado

No caso de Wilder, Lehninger destaca ainda que o senador possui uma parcela relevante do eleitorado a ser alcançada, inclusive entre eleitores alinhados ao bolsonarismo. “O Wilder ainda é desconhecido pela grande maioria da população por exercer um cargo que geralmente não desperta o interesse da população em acompanhar”, afirma.

A pesquisa Genial/Quaest entrevistou, entre os dias 24 e 28 de julho, 1.104 eleitores de Goiás. O levantamento foi custeado pelo Banco Genial, que pagou R$ 239.169,82. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo GO-01701/2026. 

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