sexta-feira, 31 de julho de 2026
boicote

AFC apoia Uefa e Concacaf e amplia pressão contra plano da Fifa de privatizar a Copa do Mundo

Confederação Asiática se une ao movimento contrário à criação da Fifa Forward Enterprise e questiona modelo de governança proposto por Gianni Infantino

Rikelme Santospor Rikelme Santos em 31 de julho de 2026 às 16:53
AFC apoia Uefa e Concacaf e amplia pressão contra plano da Fifa de privatizar a Copa do Mundo
Foto: Divulgação / FIFA

A oposição ao projeto da Fifa de transferir parte do controle comercial da Copa do Mundo para investidores privados ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (31). A Confederação Asiática de Futebol (AFC) anunciou apoio à posição adotada anteriormente pela Uefa e pela Concacaf, ampliando a pressão sobre a entidade presidida por Gianni Infantino.

Em comunicado oficial, a AFC declarou solidariedade às duas confederações e afirmou que a proposta da chamada Fifa Forward Enterprise (FFE) gera preocupações sobre o futuro da principal competição do futebol mundial. O projeto prevê a criação de uma empresa separada para administrar ativos comerciais da Fifa, com participação de investidores privados no controle financeiro e operacional.

Segundo Infantino, a iniciativa poderia aumentar significativamente os repasses às federações filiadas. Atualmente, cada associação recebe cerca de US$ 8 milhões por ciclo, valor que poderia chegar a US$ 20 milhões. A expectativa da entidade é arrecadar aproximadamente US$ 4,2 bilhões com a operação.

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AFC destaca falta de consenso

Apesar do potencial financeiro apresentado pela Fifa, a AFC afirmou que a proposta não possui consenso suficiente para avançar. A entidade asiática destacou que a possibilidade de um boicote à Copa do Mundo ter sido discutida publicamente demonstra a gravidade da situação e expõe divisões inéditas dentro da estrutura do futebol internacional.

Além das críticas ao modelo econômico, a confederação também questionou o processo de tomada de decisões da Fifa. Para a AFC, iniciativas de grande impacto para o futebol mundial não podem ser conduzidas sem ampla consulta às confederações, federações nacionais e órgãos estatutários da entidade.

No comunicado, a organização defendeu maior transparência, participação e supervisão institucional nas decisões estratégicas da Fifa. A AFC ainda pediu uma revisão urgente dos mecanismos de governança da entidade para evitar que propostas de alcance global sejam apresentadas sem o devido debate com os principais atores do futebol.

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