Isolado, Flávio terá um minuto a menos que Lula na propaganda eleitoral
Sem apoio de partidos expressivos além do PL, senador deverá contar com 4 minutos e 20 segundos por bloco, contra 5 minutos e 32 segundos do presidente
O isolamento partidário de Flávio Bolsonaro (PL) terá impacto direto no tempo de propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio. Sem conseguir atrair PP, União Brasil e, provavelmente, Republicanos e Podemos, o senador deverá contar apenas com a estrutura do próprio PL. Nesse cenário, terá 4 minutos e 20 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficará com 5 minutos e 32 segundos.
A diferença será de 1 minuto e 12 segundos por programa, o que deixará Flávio com cerca de 20% menos tempo de exposição do que Lula. O petista conseguiu reunir partidos de esquerda e centro-esquerda, embora também não tenha avançado em alianças com legendas de centro. Além dos dois principais concorrentes, Ronaldo Caiado (PSD) terá 2 minutos e 2 segundos, enquanto Augusto Cury (Avante) contará com apenas 36 segundos.
Apesar do cenário desfavorável, aliados de Flávio ainda apostam na influência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para tentar convencer o Republicanos a apoiar a candidatura. A legenda realizará sua convenção nacional na terça-feira (4), às 9h, em Brasília. No entanto, a maioria dos dirigentes defende a neutralidade na eleição presidencial e a liberação dos diretórios estaduais para formar alianças de acordo com os interesses locais.
Já o Podemos entregou à Executiva nacional, comandada pela deputada federal Renata Abreu, a decisão sobre uma eventual coligação. A definição deverá ocorrer até quarta-feira (5), prazo final do período de convenções. A tendência, porém, também é de neutralidade. Com isso, Flávio deve chegar ao início oficial da campanha sem o apoio de outra legenda de peso, condição que reduz sua estrutura política e limita sua presença na propaganda eleitoral.
Vaga de vice
Para tentar mudar o quadro, a campanha ofereceu ao Republicanos a vaga de vice-presidente. Inicialmente, o nome defendido foi o de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, mas a indicação não entusiasmou a direção do partido. Depois, aliados passaram a mencionar o deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária. Contudo, o parlamentar mantém proximidade com Caiado e estaria concentrado na reeleição para a Câmara. Assim, a tendência é que Flávio permaneça sozinho, com menos tempo de televisão e rádio do que Lula durante a campanha.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.