sábado, 12 de setembro de 2026
OPINIÃO

Marconi só tem chance com PT, PT só tem chance com Marconi

Entre as muitas surpresas que podem surgir até o prazo final das convenções, na próxima semana, é a união entre o PSDB e a esquerda, pois o campo do bolsonarismo está ocupado por Wilder Morais e o do caiadismo, por Daniel Vilela

Nilson Gomespor em
Marconi só tem chance com PT, PT só tem chance com Marconi
Além de tudo, o PT em Goiás já foi aliado de Ronaldo Caiado, de Marconi e do PL - Foto: Henrique Luiz

A campanha presidencial mais quente desde a volta das eleições diretas foi a de 2014, que teve ingredientes de conspiração (a morte do candidato que mais crescia, Eduardo Campos, num acidente de avião em São Paulo), a esquerda no poder abriu a mala de maldades contra sua ex-ministra Marina Silva e, por fim, a acirrada polarização entre Dilma Rousseff e Aécio Neves. Era a sexta vez seguida que PT e PSDB se enfrentavam nacionalmente. Dilma se reelegeu e Aécio tentou impugnar sua vitória. No entanto, os bastidores da luta renhida eram bem mais macios: os dois partidos estavam coligados no Brasil inteiro, em milhares de municípios. Por isso, ninguém se espanta quando os petistas procuram os tucanos para suas chapas. É a única chance de Marconi Perillo (PSDB) ter o 5º mandato de governador e a rara oportunidade de os petistas vencerem a 1ª no Estado.

A única cara virada para a aliança é a do ex-governador, que até agora, aos 48 minutos do 2º tempo, é esperado para ser o candidato a governador dos sonhos das esquerdas. Muitas surpresas podem ocorrer nas próximas 120 horas, como em todos os pleitos, ainda mais por ser a semana final para as convenções partidárias – o prazo se encerra no próximo dia 5. No caso do matrimônio PT/PSDB não será novidade. Em 1978, quando Lula estava fundando o PT, fez campanha para Fernando Henrique Cardoso ser senador por São Paulo, até distribuiu folhetos em porta de fábricas. FHC estava no MDB, a chamada oposição consentida pelo regime militar, depois fundaria o PSDB. Marconi também começou no MDB, presidiu sua juventude estadual e começou em cargos assessorando o governador Henrique Santillo, que foi um dos primeiros senadores do PT. Portanto, nada de nojinho: as origens são as mesmas.

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PT em Goiás já foi aliado de Ronaldo Caiado, de Marconi e do PL

Além de tudo, o PT em Goiás já foi aliado de Ronaldo Caiado, de Marconi e do PL. Na recente disputa pelos dois municípios mais populosos, o PT foi aliado fiel de Caiado para eleger Leandro Vilela e Sandro Mabel prefeitos de Aparecida e Goiânia. Se o partido da estrela vermelha tivesse se esforçado por Adriana Accorsi no 1º turno com a mesma vitalidade demonstrada para fazer Mabel derrotar Fred Rodrigues (PL) no 2º, ela teria passado de fase. Agora, Caiado lançou para sua sucessão um nome do MDB, Daniel Vilela, cujo pai, Maguito Vilela, foi vice-presidente do Banco do Brasil durante o 2º mandato de Lula presidente. Maguito integrava a bancada do governo Lula no Senado. Em 2012, o pai de Daniel trocou de vice na Prefeitura de Aparecida, tirou Tanner de Melo, do então DEM, e colocou Ozair José, então no PT. Ou seja, os demais concorrentes não podem criticar Marconi por estar com o PT a seu lado, até porque tem petista por todos os lados.

O HOJE vem mostrando com dados que o lulismo em Goiás é forte, ao contrário do petismo. Se estiver no palanque de Lula, inclusive o eletrônico, Marconi contará com um exército imenso, o de beneficiários dos programas sociais do governo federal – 1 milhão e 300 mil pessoas. Atualmente, a turma de Marconi é ele, ele mesmo e irene, o popular bloco do “Eu sozinho”. Suas reuniões pelo interior são esquálidas, sempre com as mesmas caras, mirrados fiéis seguidores à espera de ele voltar ao poder. Em 2018, sem candidato a presidente, Marconi foi favorito até a prorrogação, mas uma patacoada de autoridades amigas de adversário ao Senado resultou em precipitada ordem de prisão para alguns de seus ex-auxiliares e foi fatal na eleição (Marconi depois seria absolvido de todas as acusações, mas era tarde para reaver o mandato que o abuso de poder de Ministério Público e Justiça federais lhe tiraram). Do 1º lugar nas pesquisas, passou para 5º, com 7,55%, muito aquém do merecimento de quem em quatro mandatos de governador trouxe Goiás para o século XX – ainda vai demorar a chegar ao XXI.

Marconi repetiu o erro em 2022

Numa demonstração de que lhe falta humildade, Marconi repetiu o erro em 2022. Novamente liderou a corrida, novamente saiu a senador sem candidato a presidente da República (nem a governador) e novamente foi derrotado. Pois ainda não introjetou a lição, espera fazer as mesmas coisas, acompanhado das mesmas pessoas, com as mesmas estratégias e conseguir resultado diferente. De novo, lança velas ao mar quando está sem vento e esqueceu o remo com um torcedor do Paysandu. Faltam poucas horas para ser oficialmente declarado candidato e ainda não tem vice, nem senador, nem suplentes para seus senadores. Não é que haja vários querendo, como no grupo de Ronaldo Caiado, “não há” do verbo “não haver”, ninguém quer. O HOJE mostrou que, em 2022, no auge do bolsonarismo e do caiadismo no Executivo, Lula conseguiu 42% dos votos em Goiás. Marconi prefere se atirar no fosso sem paraquedas.

A esperança do ex-governador, extraída sabe Deus de onde, é que o eleitor bolsonarista se lembre de digitar 45 apenas porque Marconi não está com Lula. Uma tolice inimaginável cometida por alguém antes tão competente ao formar chapas vencedoras. Se estiver com o PT, Marconi vai impedir que os simpatizantes do presidente da República votem em Daniel, uma forma de forçar o retorno dos tucanos ao 2º turno. E a chance de Marconi é só agora, pois se Caiado não chegar ao Palácio do Planalto passa imediatamente a ser favorito para voltar em 2030 e uma coisa é enfrentar a cria (Daniel), outra é dar de cara com o criador (Ronaldo). Com o espectro do bolsonarismo lotado e do caiadismo impossível de acessar, resta-lhe a única alternativa à 3ª surra seguida, ir com o PT. Será bom para ele, que se perder pode conseguir alguma coisa nos ministérios em caso de reeleição de Lula, e bom para o PT, que passa a esperar o presidente com uma chapa muito mais competitiva. (Especial para O HOJE)

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Eleições Goiás Marconi PT

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