Mudanças

Centro Administrativo de Goiás terá contrato de R$ 40 milhões antes de ser ocupado

Governo prevê economizar mais de R$ 21 milhões por ano com a centralização dos órgãos, mas serviços de manutenção serão contratados enquanto reformas e mudanças ainda estão em andamento

João César Almeidapor em
Goiás
Antigo prédio da Caixa, no Centro de Goiânia, foi comprado por R$ 101,6 milhões e deverá receber cerca de 2,4 mil servidores estaduais - Foto: Gabriel Louza/O HOJE

O Governo de Goiás abriu uma licitação em R$ 40,4 milhões para contratar a empresa responsável pela operação e manutenção do novo Centro Administrativo Estadual, que será instalado no antigo prédio da Caixa Econômica Federal, na Avenida Anhanguera, no Centro de Goiânia. O contrato terá duração de 36 meses e representa um gasto médio de cerca de R$ 13,5 milhões por ano, ou R$ 1,12 milhão por mês, antes de a transferência de todos os órgãos estar concluída.

O edifício foi adquirido pelo Estado por R$ 101,6 milhões e possui 26,6 mil metros quadrados. A previsão é concentrar no local a Secretaria de Estado da Saúde, a Secretaria da Administração e o Procon Goiás. Cerca de 2,4 mil servidores devem trabalhar no complexo após a conclusão do processo de ocupação.

A licitação não se refere às reformas necessárias para adaptar o imóvel, mas aos serviços que garantirão o funcionamento do prédio. O edital inclui manutenção preventiva e corretiva, limpeza, conservação, controle de acesso, videomonitoramento, brigada de incêndio, recepção, portaria e fornecimento de materiais, equipamentos e mão de obra.

A contratação ocorre enquanto a implantação ainda enfrenta ajustes. Segundo informações da CBN Goiânia, dois andares permanecem ocupados, o que adiou a mudança do Procon, inicialmente prevista para julho, para, no máximo, agosto. As reformas dos espaços destinados às secretarias da Saúde e da Administração devem começar em setembro. A previsão é que os demais órgãos iniciem as atividades no edifício ao longo de 2027.

A justificativa apresentada pelo governo é que a centralização reduzirá despesas com imóveis alugados, manutenção, vigilância, limpeza e deslocamentos entre unidades. A estimativa oficial é de economia superior a R$ 21 milhões por ano. Segundo o secretário da Administração, Francisco Sérvulo Nogueira, a redução dos gastos seria suficiente para compensar, em cinco anos, o valor investido na aquisição do prédio.

O Estado também aponta que a presença diária de milhares de servidores e cidadãos pode contribuir para a revitalização do Centro de Goiânia, aumentando a circulação de pessoas e movimentando o comércio da região. A concentração dos órgãos ainda teria como objetivo integrar serviços, melhorar as condições de trabalho e facilitar o atendimento à população.

A abertura de uma licitação de R$ 40,4 milhões antes da ocupação integral, porém, levanta questionamentos sobre o momento da contratação e sobre a economia efetiva do projeto. Enquanto o Procon se prepara para iniciar a mudança, oMus espaços das duas secretarias ainda passarão por reformas e receberão servidores de forma gradual.

Sem esclarecer novos gastos

As informações divulgadas também não esclarecem se a economia anual de R$ 21 milhões já considera os novos gastos com manutenção, segurança, limpeza e operação do complexo. Esse detalhamento é necessário para calcular o ganho líquido da mudança e saber em quanto tempo o investimento na compra do imóvel, somado ao novo contrato de serviços, será recuperado.

O debate ganha relevância diante do cenário fiscal do Estado. Goiás encerrou 2025 com déficit orçamentário de R$ 5,3 bilhões, resultado de uma receita de R$ 49,65 bilhões e despesas de R$ 54,95 bilhões. A Secretaria da Economia atribuiu o resultado ao uso de recursos acumulados, aos R$ 7,21 bilhões aplicados em investimentos e à transição do Regime de Recuperação Fiscal para o Propag.

A secretária da Economia, Renata Noleto, afirmou que o Estado está utilizando a poupança acumulada e ressaltou que os recursos de caixa são finitos. O governo informou, ao mesmo tempo, que encerrou 2025 com disponibilidade líquida de R$ 10,34 bilhões e defendeu que as despesas foram planejadas para financiar investimentos e políticas públicas.

 

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