quarta-feira, 5 de agosto de 2026
denúncia

Pais denunciam falta de professores e redução da carga horária em escola municipal de Goiânia

Alunos da EMTI Rotary Club são liberados três horas antes do previsto, enquanto pais relatam prejuízos à aprendizagem e dificuldades para conciliar a rotina de trabalho

João Césarpor João César em 5 de agosto de 2026 às 06:00
escola
Pais afirmam que a escola possui número reduzido de professores e que algumas turmas são atendidas por auxiliares Foto: Gabriel Louza/O HOJE

Alunos da Escola Municipal de Tempo Integral (EMTI) Rotary Club, localizada na Rua 3, no Setor Universitário, em Goiânia, estão sendo prejudicados pela falta de professores e pelo não cumprimento do período integral. De acordo com pais, o período integral iria até às 17h15, porém, desde maio, a escola tem liberado os alunos às 14h.

Essa situação tem gerado dificuldades e transtornos para os pais que precisam deixar os filhos na escola durante o dia, por conta do trabalho e de outros afazeres. No final de maio, os pais recorreram ao Ministério Público de Goiás (MP-GO), que deu um prazo para que a Prefeitura de Goiânia e a Secretaria Municipal de Educação (SME) solucionassem o problema.

Segundo Sheila Alexandre de Brito, mãe de uma aluna do 1º ano do ensino fundamental, após o acionamento do MP, a escola voltou a atender em período integral, até às 17h15, quatro dias antes do início das férias escolares. A direção informou que, após o recesso, o atendimento seria normalizado. Diante disso, o MP arquivou o caso, já que, aparentemente, a situação havia sido resolvida.

No entanto, com o retorno das férias, os alunos voltaram a ser liberados às 14h. Além do problema com o período integral, a escola também está com número reduzido de funcionários. “Não tem professor suficiente para os alunos que estão lá. Tem dias que os alunos ficam sem professor e só fazem tarefinhas, como desenhos e essas coisas”, relata Sheila.

Por conta dessa situação, os pais precisam encontrar alternativas e, em alguns casos, têm deixado de levar os filhos para a escola por não conseguirem buscá-los no novo horário. “Tá complicado porque tem pais que não têm como deixar os filhos lá na escola por conta do horário para pegar. Então, tem pai que não tá levando filho para a escola por conta do trabalho. Muitos estão pagando babá, mesmo sem condições para isso”, comenta a responsável.

Outra mãe, que preferiu não se identificar, disse que sua filha está no 5º ano e que a situação continua a mesma. “Minha preocupação é que minha filha fique prejudicada no final do ano, sem base para o próximo ano”, relata.

Segundo os pais, a escola atualmente possui cerca de cinco professores, divididos entre as turmas de 1º e 2º ano, enquanto as demais turmas são atendidas por auxiliares.

Ao O HOJE, o MP-GO informou que recebeu, nesta terça-feira (4), três notícias de fato sobre a situação da Escola Rotary Club. A partir disso, a Promotoria irá analisar as denúncias e, posteriormente, definirá quais providências serão adotadas.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) informou ao O HOJE que foi realizado um Processo Seletivo Simplificado e que 307 candidatos foram convocados. De acordo com a pasta, esses profissionais atuarão na substituição de servidores afastados. Os convocados têm até quinta-feira (6) para entregar a documentação e concluir o processo de contratação.

Déficit na educação municipal

A situação da EMTI Rotary Club revela uma realidade que, segundo a presidente em exercício do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Goiás (Sintego), professora Ludmylla Morais, é marcada pela escassez de profissionais na rede municipal de ensino de Goiânia.

O déficit de servidores tem sido agravado pelo aumento das aposentadorias e pelos pedidos de exoneração. Para a dirigente sindical, a Prefeitura de Goiânia precisa encontrar, com urgência, uma solução definitiva para regularizar o atendimento nas unidades escolares.

“Esses contratos amenizam a situação, de fato, mas são contratos temporários que só podem ser utilizados para substituir servidores efetivos”, pontua.

Embora a Secretaria Municipal de Educação (SME) tenha convocado recentemente 307 profissionais por meio de um processo seletivo simplificado, o Sintego considera que a medida é apenas temporária.

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