quinta-feira, 29 de outubro de 2026
exportação

Restrição da União Europeia à carne brasileira preocupa setor de proteína animal

Governo federal classifica decisão do bloco europeu como “inaceitável” e inicia ofensiva diplomática e técnica para tentar reverter a medida

Anna Salgadopor em
carnes
Foto: ABr

O setor de proteína animal brasileiro enfrenta um impasse após a União Europeia (UE) decidir retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco. A medida, prevista para entrar em vigor em 3 de setembro, foi justificada pela falta de comprovação de que o País atende às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. O governo brasileiro considera a decisão “inaceitável” e busca reverter a situação por meio de negociações diplomáticas e técnicas.

Durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o Brasil mantém relações comerciais consolidadas com a União Europeia e atende mercados com padrões sanitários semelhantes ou até mais rigorosos. Segundo o titular da pasta, representantes do governo já negociam com a Comissão Europeia um período de transição para evitar impactos imediatos nas exportações.

A principal exigência da UE é a proibição do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e de medicamentos destinados ao uso humano na pecuária, além da comprovação de que essas substâncias não foram utilizadas em nenhuma fase da criação dos animais. O governo estuda ampliar as restrições ao uso desses produtos para adequar o País às regras internacionais.

O setor produtivo, por sua vez, afirma que a adaptação não pode ocorrer de forma imediata. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, seria necessário acompanhar todo o ciclo produtivo dos animais, processo que pode levar até três anos. Enquanto tenta preservar o acesso ao mercado europeu, o Brasil também aposta na diversificação de destinos para as exportações, com novas missões comerciais previstas para países como a Coreia do Sul.

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