Lei dos naming rights abre debate sobre bets em espaços públicos de Goiânia
Autor da proposta defende atração de investimentos privados, enquanto vereador apresenta projeto para proibir publicidade de casas de apostas
A sanção da lei de autoria do vereador Lucas Kitão (Mobiliza), que autoriza a concessão dos chamados naming rights em Goiânia, abriu uma nova discussão na Câmara Municipal: empresas de apostas esportivas poderão associar suas marcas a parques, praças, equipamentos esportivos e outros espaços públicos da Capital? A resposta ainda depende da regulamentação que será elaborada pela prefeitura, mas a possibilidade já motivou a apresentação de projetos para impedir esse tipo de publicidade.
A nova legislação permite que empresas adquiram, por meio de licitação, o direito de associar suas marcas a equipamentos e eventos públicos municipais. A medida poderá ser aplicada em espaços das áreas de saúde, educação, cultura, esporte, assistência social, lazer, mobilidade urbana e meio ambiente, mantendo o nome oficial dos locais e adicionando a marca da patrocinadora. Em contrapartida, os recursos arrecadados serão destinados aos cofres municipais e poderão ser utilizados na manutenção e modernização desses equipamentos.
Embora a lei já tenha sido sancionada, nenhum contrato poderá ser firmado imediatamente. Porque cabe ao Poder Executivo regulamentar a norma, definir quais espaços participarão do programa e estabelecer as regras para as futuras licitações, incluindo os critérios para participação das empresas.
É justamente essa etapa que tem despertado preocupação entre parlamentares que defendem restrições à publicidade de determinados segmentos econômicos. Um dos críticos é o vereador Fabrício Rosa (PT), autor de dois projetos relacionados ao tema das apostas on-line.
Segundo o parlamentar, a ausência de regras específicas pode abrir espaço para que plataformas de apostas utilizem equipamentos públicos como forma de ampliar sua visibilidade. “Entendo que os espaços e equipamentos públicos da cidade não devem receber nomes de empresas privadas. Mais danoso ainda será quando tivermos o nome de um site de jogos de azar ou de bet em uma praça, parque, prédio público ou área esportiva municipal”, afirma.
Proibição à propaganda de bets
Para evitar esse cenário, Fabrício Rosa apresentou o Projeto de Lei nº 640/2025, que proíbe publicidade, patrocínio, promoção e associação institucional de empresas de apostas virtuais e jogos de azar em bens, equipamentos e eventos públicos municipais. A proposta também alcança campanhas, programas e ações promovidas ou apoiadas pela Prefeitura.
De acordo com o vereador, o objetivo é impedir que espaços frequentados diariamente pela população, especialmente por crianças e adolescentes, sejam utilizados como vitrine institucional para plataformas de apostas.
Além dessa iniciativa, o parlamentar protocolou o Projeto de Lei nº 641/2025, que institui a Política Municipal de Atenção à Saúde Mental de Pessoas com Transtornos Associados à Dependência em Jogos de Azar. A proposta prevê ações de prevenção, identificação precoce, acolhimento, tratamento e reinserção social de pessoas com ludopatia por meio da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao justificar os projetos, Fabrício Rosa cita estudos que apontam o avanço das apostas on-line e seus impactos sociais. Entre eles, um levantamento técnico do Banco Central, que indica a movimentação de bilhões de reais pelas plataformas, inclusive com recursos provenientes de beneficiários de programas de transferência de renda.
Questão de saúde pública
O vereador também menciona análises da comissão da revista científica The Lancet Public Health, que defendem o tratamento do jogo compulsivo como uma questão de saúde pública, diante da relação entre apostas, endividamento, transtornos mentais, conflitos familiares e aumento da vulnerabilidade social.
Já o autor da lei dos naming rights, Lucas Kitão, defende que a proposta representa uma alternativa para ampliar a arrecadação municipal sem aumento de impostos. Segundo o vereador, o modelo já é adotado em outras cidades brasileiras e permitirá atrair investimentos privados para conservação, modernização e valorização dos equipamentos públicos.
Até o momento, porém, a Prefeitura de Goiânia ainda não definiu quais segmentos econômicos poderão participar das futuras licitações. A expectativa é que essas regras sejam estabelecidas por decreto, etapa considerada decisiva para esclarecer se empresas de apostas poderão ou não associar suas marcas a espaços públicos municipais.
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