quinta-feira, 8 de outubro de 2026
ESTIAGEM

Estiagem agrava risco de queimadas em Goiás e incêndios já deixam quase 60 mil sem energia

Estado registra 2,6 mil incêndios em vegetação dentro das cidades, enquanto baixa umidade amplia riscos para moradores, comércios e indústrias

João César Almeidapor em
Queimadas
Goiânia liderou, em 2025, as ocorrências de interrupções na rede elétrica causadas por queimadas, com mais de 13 mil consumidores afetados - Foto: Divulgação/Equatorial Goiás

O período de estiagem teve início em Goiás e já exigiu medidas de contenção de danos. O governo estadual decretou situação de emergência ambiental por 120 dias. A combinação de baixa umidade, altas temperaturas, vegetação seca e ventos favorece a propagação do fogo. O problema também atinge os centros urbanos, principalmente terrenos baldios e áreas verdes. 

O decreto mantém suspenso o uso do fogo em vegetação entre 01 de julho e 31 de outubro, com as exceções previstas na legislação. A norma também permite a contratação temporária de pessoal e a aquisição de bens e serviços para o atendimento das ocorrências. 

Nesta quarta-feira (5) e quinta-feira (6), o Estado deve enfrentar mais um período de tempo seco. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Goiás está sob avisos de perigo potencial e de perigo para baixa umidade, com índices que podem variar entre 30% e 12%, especialmente nas regiões norte e leste.

O aviso mais grave prevê umidade relativa do ar entre 20% e 12%, condição que aumenta o risco de incêndios florestais e pode causar efeitos à saúde, como ressecamento da pele, irritação nos olhos e desconforto nas vias respiratórias. O alerta de menor severidade indica índices entre 30% e 20%. 

Entre 01 de janeiro e 24 de julho, o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás registrou 3.323 ocorrências de incêndio em vegetação. Desse total, 2.665 aconteceram em áreas urbanas, principalmente em lotes baldios. A Região Metropolitana de Goiânia concentrou o maior número de registros no período. 

Dentro das cidades, as queimadas podem atingir residências, comércios, indústrias, veículos e redes de serviços públicos, com um dos efeitos sendo a interrupção do fornecimento de energia. Segundo a Equatorial Goiás, a fuligem pode gerar o desligamento antes mesmo das chamas alcançarem postes ou cabos. A fumaça de partículas pode alterar o ar ao redor das redes de média e alta tensão, com isso curtos-circuitos podem acontecer e o sistema de proteção ser acionado. 

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Impacto para as cidades

Entre 2024 e 2025, as interrupções provocadas por incêndios caíram de cerca de 700 para pouco mais de 380, redução de 44,8%. Porém, o número de consumidores afetados subiu de 49 mil para quase 60 mil, aumento de 21%. Segundo a empresa, a diferença ocorreu porque os focos passaram a atingir regiões com maior concentração de pessoas. 

Goiânia liderou as ocorrências relacionadas à rede elétrica em 2025, com 55 registros e mais de 13 mil clientes afetados. Luziânia teve 26 casos, enquanto Catalão, Senador Canedo e Cristianópolis registraram 19 ocorrências cada. 

Agosto e setembro costumam concentrar o maior número de interferências na rede elétrica. Em setembro de 2024, foram registradas mais de 440 ocorrências, equivalentes a cerca de 64% do total daquele ano. Em 2025, os casos começaram a aumentar entre junho e julho, ampliando o período de acompanhamento. 

O Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás utiliza o fator 30-30-30 para identificar locais com maior possibilidade de queimadas. O índice considera temperaturas acima de 30°C, umidade relativa do ar abaixo de 30% e ventos superiores a 30 quilômetros por hora. Quando essas condições ocorrem ao mesmo tempo, o fogo pode se espalhar com mais rapidez. 

Entre as principais causas apontadas para as ocorrências de queimadas em cidades estão a limpeza de terrenos com fogo, a queima de lixo, bitucas de cigarro, fogueiras, balões e faíscas produzidas por máquinas e redes elétricas. A estiagem, a baixa umidade, o calor e os ventos contribuem para a propagação. 

 

Falta de energia afeta produção e serviços

Queimadas
Fumaça e fuligem podem provocar curtos-circuitos e desligamentos antes mesmo de as chamas atingirem postes e cabos – Foto: André Dib/Brigada de São Jorge

Segundo o economista Luiz Carlos Ongaratto, a falta de energia pode paralisar linhas de produção, equipamentos, computadores e sistemas de comunicação. As interrupções reduzem a produtividade e podem causar perdas em produtos que dependem de refrigeração ou climatização. Também podem atrasar entregas e dificultar o envio de mercadorias quando a empresa fica sem sistema ou internet. Nesse cenário, as queimadas em áreas urbanas impactam não só a população, mas o setor produtivo também.

As ocorrências também interferem diretamente no funcionamento de empresas, comércios e serviços públicos. Em 2025, quase 60 mil consumidores tiveram o fornecimento de energia afetado por incêndios em Goiás. O número representa aumento de 21% em relação aos cerca de 49 mil clientes registrados no ano anterior, mesmo com a redução da quantidade de interrupções provocadas pelas queimadas. Isso ocorreu porque os focos passaram a atingir áreas urbanas mais povoadas, ampliando o número de pessoas e estabelecimentos impactados por cada caso.

O cenário de baixa umidade previsto para quarta e quinta-feira reforça a necessidade de prevenção, principalmente em regiões com vegetação seca, terrenos baldios e áreas próximas à rede elétrica. Segundo o Inmet, os índices podem chegar a 12%, condição que facilita o início e a propagação das chamas. 

A Equatorial Goiás explica que a fumaça pode provocar o desligamento da rede antes que o fogo atinja a estrutura elétrica. No comércio, os desligamentos podem impedir pagamentos eletrônicos, interromper o atendimento e comprometer produtos armazenados em refrigeradores. Em residências, afetam a conservação de alimentos e o uso de equipamentos. Nos hospitais, a interrupção exige o acionamento de sistemas de emergência.

Para reduzir os riscos à rede, a Equatorial realiza a limpeza de vegetação próxima aos circuitos e a abertura de faixas de segurança. Em 2024, foram trabalhados 3.309 hectares, enquanto em 2025 foram 2.731 hectares. A companhia também realizou cerca de 98 mil ações de livramento de rede em 2024 e 80 mil no ano seguinte. 

A redução dos impactos também depende da prevenção dos focos. A queima de lixo e o uso do fogo para limpar terrenos podem atingir a rede elétrica e interromper o funcionamento de bairros, comércios, indústrias e serviços públicos.

 

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