sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Transporte

Sem aumento na catraca, transporte coletivo terá custo maior para governos na rede metropolitana de Goiânia

Valor de remuneração passa para R$ 12,66, o que amplia a diferença que precisa ser bancada pelo Estado e municípios da Região Metropolitana de Goiânia

Renata Ferrazpor em
Sem aumento na catraca, transporte coletivo terá custo maior para governos na rede metropolitana de Goiânia
Divulgação/Secom

A conta do transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia vai ficar mais alta a partir de outubro. A tarifa de remuneração do sistema, que corresponde ao valor necessário para custear a operação dos ônibus, passará de R$ 11,77 para R$ 12,66, um aumento de 7,48%. O reajuste, no entanto, não será repassado diretamente aos passageiros, já que a passagem continuará custando R$ 4,30.

Na prática, a diferença entre o valor desembolsado pelo usuário e o custo de remuneração será maior. Com a atualização, serão R$ 8,36 por passagem a serem cobertos pelo modelo de subsídio mantido pelo Governo de Goiás e pelas prefeituras de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Trindade e Goianira.

O valor de R$ 12,66 será o segundo maior da série histórica iniciada em março de 2022, quando foi implantada a política de subsídios na Região Metropolitana.

Investimentos alteram tarifa

Em resposta a reportagem do O HOJE a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) destacou que a tarifa é formada por parcelas permanentes e temporárias. A companhia informou ao O HOJE que a variação de outubro está relacionada aos investimentos realizados na rede e à saída de parcelas temporárias da planilha, conforme o cronograma.

A atualização também considera a aquisição de ônibus articulados de 19,2 metros, movidos a biometano e/ou GNV, destinados ao BRT Leste-Oeste.

Apesar da alteração, a CMTC reforça que a tarifa paga pelo usuário não será modificada. “Essa variação não altera a tarifa paga pelo usuário, que permanece em R$ 4,30”, informou a companhia.

A empresa também destacou que parcelas relacionadas à infraestrutura da frota elétrica sairão da planilha até o fim do ano. Segundo a CMTC, as oscilações acompanham o cronograma dos investimentos realizados no sistema.

Repasses entram no debate

O aumento ocorre em um sistema no qual Estado e municípios dividem a responsabilidade pelo custeio. Por isso, a elevação da tarifa de remuneração pode aumentar a pressão sobre os orçamentos públicos, ainda que o passageiro não seja diretamente afetado.

A CMTC informou que os repasses referentes ao subsídio seguem o calendário previsto. O cenário atual, porém, é diferente do registrado em anos anteriores, quando os municípios tiveram dificuldades para manter os pagamentos.

Em 2025, Trindade e Goianira foram notificadas pelo Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia (SET) por atrasos no pagamento do complemento tarifário. Naquele período, a dívida era de R$ 14,3 milhões de Trindade e R$ 8,4 milhões de Goianira. Os valores são históricos e não representam necessariamente a situação atual.

Goiânia e Aparecida de Goiânia também tiveram pendências referentes a períodos anteriores e passaram por processos de regularização. A Prefeitura de Goiânia informou que as pendências anteriores foram regularizadas e que há previsão orçamentária para garantir os repasses.

Senador Canedo

A Prefeitura de Senador Canedo informou ao O HOJE que o impacto do reajuste será de aproximadamente 8%. A prefeitura afirmou que mantém os repasses à CMTC e considera o subsídio uma política de alcance social.

A prefeitura informou ainda que o número de linhas internas dobrou nos últimos anos. Essas linhas, exclusivas do município, operam com meia tarifa e, segundo a gestão, estimulam o deslocamento dentro da cidade.

Senador Canedo afirma não ter débitos atuais com a rede de transporte e manter os pagamentos previstos. A cidade também discute a possibilidade de implantar tarifa zero nas linhas internas. A proposta ainda está em estudo e depende de discussão sobre custos, financiamento e regras do sistema metropolitano. Por integrar a RMTC, o município não pode alterar isoladamente as regras gerais do transporte metropolitano. Além disso, o município espera que melhorias nos terminais e nos ônibus sejam realizadas à medida que os valores aumentam. 

Pressão sobre os cofres

Com a tarifa de remuneração em R$ 12,66, o debate passa pelo equilíbrio entre manter o preço de R$ 4,30 ao passageiro e garantir recursos para financiar a operação.

A CMTC afirma que a oscilação da tarifa está prevista no planejamento e acompanha o cronograma de investimentos. O novo valor, portanto, não representa aumento imediato para quem utiliza o ônibus, mas modifica o custo de remuneração do sistema e pode ampliar a necessidade de recursos públicos.

As prefeituras das demais cidades que integram o acordo, como Trindade, Goiânia e Goianira, além do Governo de Goiás e a SET não responderam ao O HOJE até o fechamento desta edição.

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