domingo, 20 de setembro de 2026
CASO BANCO MASTER

PF conclui investigação e prepara indiciamento de Vorcaro no caso Master

Primeira fase da Operação Compliance Zero chegou ao fim; ex-presidente do BRB e empresário ligado ao banco também estão entre os nomes investigados

Thais Munizpor em
vorcaro
Fachada do Banco Master na Faria Lima e Daniel Vorcaro — Foto: Amanda Perobelli/Reprodução/g1

A Polícia Federal concluiu as investigações da primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Com o encerramento dessa etapa, a corporação prepara o relatório final do chamado “inquérito-mãe” do caso. Entre os nomes que devem ser indiciados estão Daniel Vorcaro, dono do Master, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o empresário Nelson Tanure, segundo informações divulgadas pela imprensa.

O relatório deverá ser apresentado nos próximos meses. O inquérito teve origem após uma denúncia apresentada pelo investidor Vladimir Timerman, que apontou suspeitas de operações fraudulentas relacionadas ao Banco Master.

Vorcaro está preso desde 4 de março de 2026. Ele permanece detido no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, em Brasília. A prisão preventiva foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da Polícia Federal relacionado à suspeita de ameaça a testemunhas.

Novo advogado entra na defesa de Vorcaro

Com a conclusão da primeira investigação, a defesa de Vorcaro passou por mudanças. O criminalista Daniel Bialski passou a integrar a equipe que já conta com o advogado Sergio Leonardo.

Bialski afirmou que os advogados ainda analisam o conteúdo do inquérito antes de definir os próximos passos. “Fomos recentemente contratados pelo Daniel Vorcaro para atuar, juntamente, com o Sergio Leonardo e equipe, na defesa”, declarou.

O advogado também disse que a equipe está avaliando as estratégias que poderão ser adotadas no caso.

“Estamos estudando o inquérito e demais expedientes criminais instaurados para entender e escolher a melhor estratégia defensiva”, afirmou Bialski.

A mudança ocorre depois de duas tentativas de Vorcaro de negociar um acordo de colaboração premiada. Segundo informações ligadas à investigação, as propostas apresentadas anteriormente foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

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Investigação ainda terá outras etapas

A primeira fase da Compliance Zero concentrou parte das apurações nas operações envolvendo o Banco Master e o BRB. A investigação também analisou a origem de títulos considerados fraudulentos e a movimentação de recursos relacionada às operações.

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, também está preso. Ele foi detido em 16 de abril de 2026, durante uma nova etapa da operação. A PF investiga suspeitas de que Costa teria recebido R$ 146,5 milhões em vantagens indevidas por meio de imóveis, em troca de favorecer a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.

Já Nelson Tanure é investigado por suposta atuação como sócio oculto do Banco Master. Segundo as informações divulgadas sobre o inquérito, ele teria exercido influência sobre a instituição por meio de fundos e estruturas societárias. Tanure não foi preso, mas foi alvo de busca e apreensão durante uma das fases da operação.

Apesar da conclusão dessa etapa, a investigação sobre o caso Master não termina com o primeiro relatório. Outras frentes permanecem em andamento, incluindo apurações sobre remessas de dinheiro ao exterior, a participação de outros investigados e a contratação de influenciadores e jornalistas para fazer críticas ao Banco Central nas redes sociais.

Também estão em fase inicial as diligências relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse e a um eventual envolvimento do senador Flávio Bolsonaro. Até o momento, esses pontos ainda não integram a etapa concluída pela Polícia Federal.

A expectativa é de que o relatório da primeira fase detalhe as evidências reunidas pelos investigadores e indique quais crimes, na avaliação da PF, podem ser atribuídos aos investigados. O indiciamento, no entanto, não representa condenação e ainda pode ser seguido por outras etapas no processo criminal.

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