sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Atenção

Servidores da Educação rejeitam proposta e confirmam greve em Goiânia

Paralisação começa na segunda-feira (17) após categoria rejeitar proposta da Prefeitura e cobrar novo plano de carreira e atualização salarial

Renata Ferrazpor em
Servidores da Educação rejeitam proposta e confirmam greve em Goiânia
Foto: Clara/O HOJE

Servidores administrativos da rede municipal de Educação de Goiânia decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira (17). A decisão foi tomada nesta quinta-feira (13), durante assembleia no auditório da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), após a votação de segunda-feira (10) terminar empatada. A paralisação envolve apenas os administrativos e não inclui os professores da rede municipal.

A greve ocorre após meses de impasse sobre a reestruturação do Plano de Carreira da categoria. Entre as principais reivindicações estão a criação de um novo plano, a atualização da tabela salarial, a convocação de concursados que aguardam nomeação e a realização de processo seletivo para ampliar o quadro de profissionais. 

Os servidores também cobram melhorias nas condições de trabalho e no atendimento oferecido pelo Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (Imas).

Proposta da Prefeitura é rejeitada

Durante a sessão da Alego desta quinta-feira, a deputada Bia de Lima (PT) afirmou que mais de 60% dos servidores rejeitaram a proposta apresentada pela Prefeitura e aprovaram a greve. Segundo ela, o município propôs reajuste de 5,4% nos vencimentos e em benefícios como gratificação de regência de classe, auxílio-locomoção e gratificação por atividades de pesquisa, capacitação e técnico-educacionais especializadas.

A proposta prevê ainda progressão horizontal entre 1,6% e 2% e progressão vertical de 8% a 12%. O principal ponto de rejeição é o cronograma de implementação, que se estende até 2030. Para a categoria, o prazo ultrapassa o mandato do prefeito Sandro Mabel (UB) e não atende ao pedido para que as medidas sejam cumpridas durante a atual gestão.

Em entrevista ao O HOJE, a presidente em exercício do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Ludmylla Morais, afirmou que a discussão começou com a promessa de construir um novo plano de carreira. “Na mesa de conciliação, o que foi colocado como pauta mais urgente era a reestruturação do plano de carreira dos administrativos, um novo plano de carreira”, afirmou.

Segundo Ludmylla, sindicato e Prefeitura tinham o compromisso de discutir o assunto durante 60 dias, com apresentação à categoria em agosto e posterior encaminhamento à Câmara Municipal. No entanto, de acordo com ela, nenhuma das tabelas apresentadas pelo sindicato foi aceita pela administração.

Diante da falta de avanço, os servidores autorizaram uma contraproposta para atualizar a tabela existente, considerada pela entidade uma alternativa mínima diante da ausência de um novo plano.

Sindicato aponta falta de avanço

Ludmylla afirmou que a categoria esperava que a atualização fosse feita ainda durante o atual mandato. No entanto, a Prefeitura teria apresentado um cronograma que leva os pagamentos até 2030.

“A categoria, vendo toda a dificuldade, autorizou a fazer uma contraproposta de atualização de tabela, o que é o mínimo do mínimo do mínimo. O que a Prefeitura fez? Pegou esse mínimo do mínimo do mínimo e parcelou até 2030”, disse.

A presidente também citou o não pagamento do auxílio-locomoção em julho e a preocupação com a possibilidade de corte do bônus de fim de ano. Segundo ela, o sindicato tentou reduzir o número de parcelas e pediu que a atualização fosse feita, pelo menos, em duas etapas dentro do mandato atual, mas não houve acordo.

Na segunda-feira (10), a proposta foi apresentada aos servidores e a assembleia terminou empatada. Uma nova votação foi marcada para esta quinta-feira. No intervalo, o sindicato afirma ter procurado novamente a administração para tentar alterar os termos.

“Nós tentamos junto à administração melhorar essa proposta da Prefeitura, minimamente reduzir o número de parcelas. Totalmente sem sucesso. Pedimos muito para a Prefeitura uma novidade para que nós pudéssemos apresentar hoje. Não apresentaram nada”, afirmou Ludmylla.

Além da questão salarial, os servidores reivindicam a convocação de concursados e a realização de processo seletivo. A categoria afirma que a falta de profissionais provoca sobrecarga. Bia de Lima também declarou que administrativos estariam desempenhando funções que deveriam ser distribuídas entre mais trabalhadores.

Imas e junta médica também são questionados

O atendimento do Imas também está entre as reclamações. Segundo Ludmylla, os servidores continuam pagando pelo serviço, mas enfrentam dificuldades para conseguir consultas e atendimento hospitalar.

“O Imas não está oferecendo atendimento para os trabalhadores. Eu preciso de uma consulta, você não acha consulta pelo Imas. Você precisa ir numa urgência e emergência”, afirmou.

A situação, segundo ela, está entre as demandas mais urgentes da categoria. Bia de Lima também citou a preocupação dos servidores com uma possível privatização do instituto.

Outro impasse envolve a junta médica responsável por avaliar afastamentos. Ludmylla relatou casos em que o médico que acompanha o servidor determina um período de afastamento, mas a junta concede prazo menor. Segundo ela, isso pode obrigar o trabalhador a retornar ao médico e depois novamente à junta.

A presidente afirmou que o Ministério Público já acionou a Justiça sobre o atendimento da junta médica do município. Segundo ela, houve uma liminar no processo, mas o sindicato ainda considera que o problema não foi solucionado definitivamente.

A paralisação está prevista para começar na segunda-feira (17), por tempo indeterminado. O Sintego prepara a notificação oficial à Prefeitura, acompanhada da ata e dos documentos da assembleia.

Em resposta ao O HOJE, a Secretaria Municipal de Educação (SME) destacou que ainda não foram notificados oficialmente e que estão aguardando essa notificação para produzir a nota.Não podemos manifestar sem sermos notificados por escrito.

Apesar da greve, as negociações podem continuar. Ludmylla afirmou que, caso a Prefeitura apresente uma nova proposta, o sindicato poderá convocar outra assembleia para que os servidores avaliem os termos.

A decisão desta quinta-feira ocorreu após meses de negociações. A categoria iniciou o ano cobrando um novo plano de carreira, aceitou discutir uma atualização da tabela diante da falta de avanços e rejeitou o parcelamento previsto até 2030. Agora, os servidores se preparam para iniciar a paralisação enquanto permanece aberta a possibilidade de novas tratativas entre sindicato e Prefeitura.

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