Você compra alguma destas marcas? Análise reprova azeites vendidos como extravirgem
Amostras de seis marcas foram classificadas como azeite virgem e produtos de outras duas receberam classificação preliminar de lampante
Análises sensoriais realizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) identificaram divergências na classificação de azeites importados comercializados no Brasil como extravirgem.
Segundo laudos encaminhados à Justiça, amostras de produtos das marcas Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Filippo Berio e Carrefour foram classificadas como azeite virgem, categoria inferior à informada nos rótulos.
Amostras das marcas Costa D’Oro e Terras de Camões, por sua vez, receberam classificação preliminar de azeite lampante. Esse tipo de óleo não é considerado adequado para o consumo direto e precisa passar por refino.
Os resultados, porém, dizem respeito especificamente às amostras e aos lotes analisados. Eles não significam que todos os produtos das marcas citadas apresentem os mesmos problemas.
Veja a classificação das amostras
Classificadas como azeite virgem:
- Andorinha;
- Gallo;
- Borges;
- Gomes da Costa;
- Filippo Berio;
- Carrefour.
Classificadas preliminarmente como azeite lampante:
- Costa D’Oro;
- Terras de Camões.
Resultados ainda não são definitivos
O Mapa esclareceu que os resultados são preliminares e ainda passam por validação técnica e administrativa. As empresas responsáveis têm direito à realização de perícias e contraprovas antes da conclusão dos procedimentos.
Por esse motivo, o Ministério da Agricultura não divulgou oficialmente a identificação das marcas envolvidas. Os nomes aparecem em documentos anexados a uma ação civil pública que tramita na Justiça Federal.
A pasta ressaltou ainda que os resultados disponíveis tratam da classificação e dos padrões de identidade e qualidade. Segundo o ministério, essas informações, isoladamente, não permitem concluir que exista risco à saúde pública.
Caso uma situação de risco seja confirmada, o órgão afirma que adotará as medidas de fiscalização e comunicação previstas na legislação.
Por que os azeites foram analisados?
Os exames foram determinados pela Justiça no âmbito de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo contra a União e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A ação investiga possíveis irregularidades no mercado de azeites extravirgens e busca reforçar a fiscalização sobre produtos importados, tanto a granel quanto já envasados.
Algumas amostras foram classificadas como “não conformes” nos laudos. Entre elas estavam um produto da Gomes da Costa, um lote importado pela Fazenda Irarema e duas amostras importadas pela Vale Fértil. Esses resultados também podem passar por contraprova.
Qual a diferença entre extravirgem, virgem e lampante?
O azeite extravirgem apresenta acidez livre máxima de 0,8% e não pode ter defeitos de sabor ou aroma. É a categoria de maior qualidade e preserva concentrações mais elevadas de polifenóis e antioxidantes.
O azeite virgem pode ter acidez livre de até 2% e apresentar pequenas imperfeições sensoriais. Apesar de manter gorduras consideradas benéficas, possui qualidade inferior ao extravirgem.
Já o azeite lampante não deve ser consumido diretamente. Ele precisa passar por processo de refino antes de uma eventual utilização na alimentação.
O que disseram as empresas?
A Casa Gallo informou que tomou conhecimento das alegações e iniciou uma apuração interna. A empresa reiterou o compromisso com a qualidade e afirmou que seus produtos não oferecem risco à saúde.
A Filippo Berio declarou que os azeites destinados ao Brasil passam por verificações internas e análises em laboratórios externos reconhecidos pelo Mapa. A companhia também reafirmou o compromisso com a autenticidade, a qualidade e o cumprimento das normas.
O espaço segue aberto para as demais e para novos posicionamentos.
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