quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Eleições 2026

Apoio de Policarpo a Gayer demonstra fragilidade de Iure Castro ao Senado

Mesmo com declaração favorável ao senatoriável do PL no plenário da Câmara Municipal de Goiânia, nome do Cidadania afirma ao O HOJE que contará força eleitoral de Romário Policarpo

Weigler Soarespor Weigler Soares em
Apoio de Policarpo a Gayer demonstra fragilidade de Iure Castro ao Senado
Na última quarta-feira, o presidente da Casa, que é do Cidadania, declarou apoio a Gustavo Gayer, candidato ao Senado do PL. Foto: Reprodução/TV Câmara

Com as campanhas em andamento, candidatos a deputado estadual e federal declaram apoio à candidaturas majoritárias de coligações diferentes das suas próprias. O caso mais recente foi o do presidente da Câmara de Goiânia e candidato a deputado estadual, Romário Policarpo (Cidadania), que anunciou apoio ao senatoriável Gustavo Gayer (PL) durante visita do deputado federal à sede do Legislativo municipal, nesta quarta-feira (19). Aliados de Policarpo apontam que o presidente da Câmara também deve apoiar Gracinha Caiado (UB) ao Senado.

De acordo com o cientista político Josimar Gonçalves, esse é o caso “mais curioso da eleição deste ano”, uma vez que a tensão não está entre coligações rivais quaisquer, mas sim dentro da própria legenda. A Federação PSDB-Cidadania, à qual Policarpo está filiado, tem duas candidaturas próprias ao Senado: o presidente do Cidadania, Iure Castro, e o tucano Ernesto Roller. 

Para o cientista político, a falta de adesão do presidente da Câmara à candidatura da própria legenda evidencia a falta de tração do nome de Iure Castro, que nas últimas pesquisas atingiu cerca de 1% das intenções de votos em levantamentos estimulados, quando o nome dos candidatos é apresentado ao eleitor.

“Se Policarpo está de fato fazendo dobradinha com Gayer e Gracinha em vez de puxar votos para o presidente do próprio partido, isso expõe uma fragilidade real da candidatura de Iure Castro: mesmo dentro de casa, ele não consegue unanimidade do próprio diretório em torno do seu nome ao Senado”, afirma Josimar.

Sessão retirada do ar

Após o encerramento, a sessão foi retirada do canal de YouTube da TV Câmara Goiânia. A medida atende à Legislação Eleitoral, uma vez que o canal faz parte da Rede Legislativa de Rádio e TV.

Dada a ausência da gravação, Iure Castro afirmou que o presidente da Câmara irá apoiar a candidatura do Cidadania e de Gracinha Caiado ao Senado. Conforme o candidato do Cidadania à Casa Alta, a oficialização do apoio será confirmada em agenda conjunta no próximo fim de semana.

Liberações formais

Outros partidos incluíram nas decisões de suas convenções partidárias regras que permitem manifestações de apoio a candidatos vinculados a outras coligações. Josimar explica que o fenômeno tem motivações estruturais.

“A maioria dos partidos pequenos e médios em Goiás não tem candidato próprio nem interesse real na disputa majoritária. O que importa para eles é eleger deputados estaduais e federais, puxando votos de coligação. Fechar questão em torno de um único nome majoritário pode custar caro em municípios ou nichos eleitorais onde esse nome não tem força ou onde um pré-candidato da própria legenda já tem uma relação construída com outro postulante”, destaca.

O cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Pedro Pietrafesa, ressalta que os partidos têm ganhos mesmo se o candidato for eleito apoiando candidaturas de outras coligações. 

“Quando esse político é eleito, ele tem ali os recursos orçamentários que eles vão administrar. Essa questão das emendas impositivas fez com que o capital político dos deputados aumentasse significativamente. Então isso faz com que o partido, mesmo que o candidato se aproxime de um adversário, de forma pragmática a posteriori, eles vão ter o retorno esperado caso esse candidato se eleja. Vai ter uma série de recursos que esse deputado vai ter à sua disposição”, afirma Pietrafesa.

PSB não vai obrigar apoio

O PSB, presidido pela vereadora Aava Santiago, compõe a coligação encabeçada pelo ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT). Entretanto, a legenda estabeleceu que qualquer apoio às candidaturas majoritárias não será encarado “como ato de infidelidade partidária”. Para Josimar, a flexibilização feita pelo PSB atende a uma demanda interna da ala do partido mais próxima à base governista de Daniel Vilela (MDB).

O Novo, que está coligado com o PL do senador Wilder Morais, permitiu a “possibilidade eventual e pontual de candidatos proporcionais não apoiarem os candidatos proporcionais ou majoritários definidos em convenção”. 

O Mobiliza, que compõe a base aliada do governador Daniel Vilela, optou pela liberação apenas do vereador Cabo Senna e do ex-deputado estadual Daniel Messac. Os dois candidatos a deputado estadual vão apoiar o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) na disputa ao governo estadual. (Especial para O HOJE)

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também