sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Economia mundial

Guerra entre Irã e EUA já custou o PIB da Argentina; veja os números

BDI estima que guerra pode elevar a inflação mundial para mais de 4,5% neste ano

Otavio Augustopor em
Guerra entre Irã e EUA já custou o PIB da Argentina; veja os números
Foto: Divulgação

A guerra entre Estados Unidos e Irã já reduziu em pelo menos US$ 650 bilhões o crescimento da economia mundial em 2026. O valor corresponde a aproximadamente 0,5 ponto percentual do avanço global neste ano, segundo estimativa da Federação das Indústrias Alemãs (BDI).

Além disso, a entidade avalia que os efeitos do conflito devem continuar em 2027. A guerra interfere nos preços da energia, no comércio internacional, na produção industrial e nas decisões de consumo e investimento.

A projeção considera um cenário de estabilização no Estreito de Ormuz. Caso as restrições à passagem de navios aumentem, a BDI prevê uma desaceleração ainda maior da economia mundial.

Sem o conflito, a entidade estimava crescimento global entre 3,3% e 3,4% em 2026. Com a guerra, a previsão caiu para 3%.

O cenário também afeta a inflação. Segundo a BDI, o conflito pode acrescentar mais de um ponto percentual à inflação mundial. Dessa forma, a alta dos preços deve superar 4,5% neste ano.

Energia concentra parte dos efeitos do conflito

O petróleo e o gás estão entre os principais canais de transmissão da guerra para a economia mundial. Os ataques e os danos à infraestrutura afetaram a produção e o transporte de combustíveis.

Além disso, as restrições em rotas marítimas aumentaram as incertezas sobre o abastecimento. Nesse contexto, o Estreito de Ormuz ganhou importância para as projeções econômicas.

Entre o início de março e o começo de junho, o petróleo foi negociado entre 25% e 60% acima dos preços registrados antes da guerra. No conjunto de 2026, as cotações ficaram mais de 50% acima das projeções feitas no ano anterior.

O mercado de gás também registrou aumentos. Os preços chegaram a superar em 60% as estimativas para o ano. Já diesel e querosene ficaram entre 60% e 120% acima do previsto.

Enquanto isso, a redução dos estoques comerciais e a liberação de aproximadamente 300 milhões de barris das reservas estratégicas ajudaram a conter uma alta ainda maior.

Mesmo assim, a BDI estima que a produção mundial de petróleo permaneça cerca de 10% abaixo da necessidade. A diferença representa aproximadamente 15 milhões de barris por dia. No gás natural liquefeito, o déficit estimado chega a 15%.

Guerra
Foto: Divulgação

Alta da energia chega à indústria e ao comércio

O aumento dos preços dos combustíveis também afetou diferentes regiões. Segundo a estimativa apresentada pela BDI, os combustíveis ficaram mais caros principalmente no Sudeste Asiático. Na sequência, os impactos atingiram Europa e Estados Unidos.

No mercado de gás, os preços subiram cerca de 10% nos Estados Unidos, 25% na Europa e 50% na Ásia.

Consequentemente, a indústria mundial perdeu ritmo. Após crescer mais de 3% nos dois primeiros meses de 2026, a produção industrial avançou 1,1% em março, 1,3% em abril e 1% em maio, sempre na comparação anual.

Na África e no Oriente Médio, a produção industrial recuou 9,8% sob os efeitos do conflito.

Além disso, a guerra afetou o comércio internacional. As restrições atingiram rotas comerciais, transporte marítimo e aéreo e fluxos de mercadorias.

Com a redução da demanda, organizações econômicas internacionais passaram a projetar crescimento do comércio mundial pouco acima de 3% em 2026. Antes do conflito, as estimativas apontavam avanço próximo de 5%.

Impactos devem continuar no próximo ano

Os efeitos econômicos da guerra não devem ficar restritos a 2026. A BDI estima que o crescimento mundial em 2027 também será menor do que seria sem o conflito.

A alta dos preços da energia reduz o poder de compra nos países importadores. Ao mesmo tempo, juros e rendimentos mais elevados dos títulos aumentam os custos para consumidores e empresas.

Além disso, a inflação mundial voltou a subir após registrar trajetória de queda desde o início de 2024. O aumento dos preços da energia e de outras commodities contribuiu para essa mudança.

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Foto: Divulgação

O Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo dados citados pela BDI, projeta inflação global de 4,7% em 2026, acima dos 4,1% registrados em 2025. Para 2027, a previsão é de recuo para 3,9%.

Contas públicas também entram na conta

O conflito também produz efeitos sobre os governos. A desaceleração econômica reduz receitas, enquanto as medidas para enfrentar a alta dos preços aumentam as despesas públicas.

Segundo a BDI, a guerra deve elevar os déficits orçamentários globais em aproximadamente 0,25 ponto percentual neste ano.

Além disso, os governos adotaram medidas para reduzir os efeitos do aumento dos custos de energia. Essas ações representam cerca de 0,1% do PIB mundial, conforme a estimativa apresentada pela entidade.

Portanto, o impacto econômico do conflito se espalha por diferentes setores. Primeiro, a guerra interfere na oferta de energia. Depois, o aumento dos custos chega à indústria e ao transporte. Em seguida, a pressão alcança preços, consumo e investimentos.

A BDI considera que a combinação de menor crescimento e inflação mais elevada caracteriza um cenário de estagflação. A extensão dos efeitos para 2027, contudo, dependerá da duração do conflito e das condições de circulação de petróleo e gás, especialmente pelo Estreito de Ormuz.

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