“Ele enfiava panos com ácido na minha boca”, relata jovem mantida em cativeiro em Goiás
Após passar cinco dias acorrentada e amordaçada, Emiliane Tamara apareceu nas redes sociais, mostrou ferimentos e pediu justiça contra o ex-companheiro
A jovem Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, encontrada após passar cinco dias em um cativeiro em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, usou as redes sociais neste sábado (22) para falar sobre o período em que ficou desaparecida.
Emocionada, a vítima apareceu em um vídeo, mostrou ferimentos no rosto e relatou agressões que teria sofrido enquanto estava em poder do ex-companheiro, Ailton Rodrigues de Souza.
“Eu estou toda queimada por dentro, porque ele enfiava panos com ácido na minha boca”, afirmou Emiliane.
A jovem contou que já havia recebido alta médica e estava em casa. Com os olhos inchados e com marcas aparentes de agressões, ela afirmou: “Estou muito ferida”.
Segundo Emiliane, o relacionamento com Ailton terminou em dezembro de 2025, mas o homem não teria aceitado o fim da relação.
Jovem pede que suspeito continue preso
Durante o pronunciamento, Emiliane pediu apoio para que o ex-companheiro permaneça preso e afirmou que pretende buscar justiça pelo que aconteceu.
“Não soltem a minha mão. Agora é o início de tudo, para a gente buscar a justiça, para que ele não possa prejudicar nenhuma outra mulher nem machucar mais ninguém”, declarou.
A jovem também agradeceu às mensagens que recebeu e à mobilização de familiares, amigos e moradores que participaram das buscas durante os dias em que ela permaneceu desaparecida.
Desaparecimento aconteceu após consulta
Emiliane saiu de casa, na região da Morada da Serra, no dia 17 de agosto, para uma consulta em uma clínica de estética localizada na região da Barragem 1, em Águas Lindas de Goiás.
Para chegar ao estabelecimento, ela utilizou um mototáxi. Câmeras de segurança registraram o momento em que a jovem deixou a clínica. Essa foi a última vez em que ela foi vista antes do desaparecimento.
Segundo informações da Polícia Militar de Goiás (PMGO), após deixar o estabelecimento, Emiliane teria sido sequestrada pelo ex-companheiro e levada para um imóvel onde permaneceu mantida em cárcere privado.
Resgate ocorreu após investigação policial
Equipes da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) Entorno Oeste localizaram Emiliane na sexta-feira (21).
Durante as diligências, os policiais abordaram Ailton, que teria tentado fugir e resistido à prisão. Após a abordagem, as equipes conseguiram chegar ao imóvel onde a vítima estava sendo mantida.
O homem também havia sido dado como desaparecido pelos familiares na terça-feira (18).
No imóvel, os policiais encontraram Emiliane presa com algemas, cordas e uma corrente de ferro. Ela também estava amordaçada e usava uma máscara no rosto.
Segundo a polícia, a máscara teria sido utilizada para impedir que os vizinhos ouvissem os gritos da vítima.
Vítima relata estupros durante o cárcere
Após ser resgatada, Emiliane relatou aos policiais que teria sido estuprada diversas vezes pelo ex-companheiro durante os cinco dias em que permaneceu no cativeiro.
Ailton foi preso em flagrante e é investigado pelos crimes relacionados ao sequestro, cárcere privado e estupro.
Carta foi encontrada no imóvel

Durante o período em que permaneceu no cativeiro, Emiliane também escreveu uma carta direcionada à mãe. No documento, ela demonstra preocupação com os familiares e deixa mensagens que indicam uma possível despedida. Algumas partes do texto estão riscadas ou pouco legíveis.
“Oi mamãe, tô bem, esse moço vai pedir a […]
questão de troca de minha mãe, leia com atenção […]
não chame a polícia, a questão é o
50 mil em dinheiro, meu carro no meu
nome quitado e a escritura da casa,
minha no meu nome.Amo os meninos […]
Espero […]
a Deus.
Amo vocês.
Estarei sempre em espírito com […]”
Em outro trecho, ela escreveu:
“Oi mamãe, vai em um advogado aí para levar
os papéis do carro, escreva tudo no meu
nome, e o Ailton vai deixar um valor de
30-50 mil mensais […]”
Caso continua sendo investigado
O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás. As circunstâncias do sequestro, das agressões e dos demais crimes relatados pela vítima deverão ser apuradas pelas autoridades.
Em seu pronunciamento, Emiliane reforçou o pedido por justiça e agradeceu às pessoas que não desistiram de procurá-la durante os cinco dias em que permaneceu desaparecida.
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