Família denuncia negligência após morte de empresária em cirurgia em hospital de Goiânia; caso será investigado
MPGO requisitou a abertura de inquérito para apurar possível homicídio culposo após a morte de Andréia Vieira Gaspar, de 51 anos; Cremego também recebeu denúncia sobre a conduta médica
A morte da empresária Andréia Vieira Gaspar, de 51 anos, após passar por uma cirurgia plástica em Goiânia, passou a ser alvo de apurações do Ministério Público de Goiás (MPGO), da Polícia Civil e do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego). A família denuncia possíveis falhas no atendimento e afirma que Andréia apresentou sinais de agravamento após deixar o centro cirúrgico, enquanto o hospital e integrantes da equipe médica sustentam que a paciente recebeu assistência e que o caso deverá ser esclarecido pelas autoridades competentes.
A 2ª Promotoria de Justiça de Goiânia, responsável pela notícia de fato apresentada pela família, encaminhou no dia 20 de agosto um ofício à 1ª Delegacia Regional de Goiânia. O MPGO requisitou a instauração de inquérito policial para investigar a possível prática de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Além disso, a promotora responsável pelo caso agendou uma reunião com os familiares de Andréia para a próxima semana.
O Cremego informou que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos recebidas pelo conselho, ou das quais o órgão toma conhecimento, são apuradas e tramitam sob sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O conselho também informou que solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.
Família relata pedidos de socorro
Andréia morreu no dia 12 de agosto, após ser submetida a uma série de procedimentos estéticos no rosto e no pescoço, entre eles ritidoplastia profunda, frontoplastia, mentoplastia e blefaroplastia, além da aplicação de gordura no rosto.
Segundo informações apresentadas pela família, o procedimento começou às 7h45 e terminou por volta das 17h40. Após quase dez horas no centro cirúrgico, Andréia teria retornado ao quarto debilitada, com inchaço excessivo, dificuldade para respirar e sensação de sufocamento.
A irmã da empresária, Djiane, que a acompanhava, afirma que pediu ajuda à equipe médica por meio de um grupo de mensagens. Em um dos pedidos apresentados pela família, ela escreveu: “A minha irmã tá morrendo. Pelo amor de Deus. Vocês atendem, ninguém aparece”.
A família sustenta que houve demora e negligência no atendimento. De acordo com as informações apresentadas pelos familiares, a equipe médica teria tentado reanimar Andréia por quase duas horas.
Um relatório de laudo solicitado pela família apontou trombose aguda e infarto pulmonar como causa da morte. As circunstâncias do atendimento e a eventual existência de responsabilidade serão investigadas.
A família também afirma que Andréia não teria passado por uma consulta presencial com o médico antes da cirurgia. A empresária, que vivia na Espanha havia cerca de cinco anos, viajou a Goiânia para realizar o procedimento, que, segundo os familiares, era um desejo antigo. O valor pago pelas cirurgias teria sido de R$ 118 mil.
Hospital diz que atendimento foi imediato
Em nota, a advogada responsável pela defesa do Hospital Ankar, Cristiene Pereira Couto, informou que a unidade lamenta profundamente a morte de Andréia e manifesta solidariedade aos familiares.
Segundo a defesa, a paciente recebeu atendimento de emergência imediato, com assistência da equipe médica e de enfermagem e adoção das medidas necessárias diante do quadro apresentado.
O hospital também destacou que a avaliação e os exames pré-operatórios foram realizados externamente, antes da admissão da paciente para a realização do procedimento cirúrgico.
Ainda conforme a nota, após a intercorrência, Andréia foi prontamente assistida pelos profissionais presentes, com utilização da estrutura hospitalar e adoção das medidas de emergência consideradas necessárias.
A defesa informou ainda que todos os registros relacionados ao atendimento estão documentados no prontuário médico e poderão ser disponibilizados às autoridades competentes. O Hospital Ankar afirmou que permanecerá à disposição para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações.
Defesa da equipe médica
O médico otorrinolaringologista Lessandro Martins também se manifestou por meio de nota, lamentando o falecimento da paciente e manifestando solidariedade aos familiares. O profissional informou que, em razão do Código de Ética Médica, não comentaria detalhes do caso.
Agora, as investigações requisitadas pelo MPGO deverão buscar esclarecer a dinâmica do atendimento, as condições em que a cirurgia foi realizada e se houve alguma conduta que possa ter contribuído para a morte da empresária. Paralelamente, eventuais denúncias envolvendo a atuação ética dos profissionais deverão ser analisadas pelo Cremego, em procedimento que corre sob sigilo.
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