Turismo cresce, mas alojamento e alimentação perdem 21 mil trabalhadores em Goiás
Mesmo com aumento de 6,98% nas passagens internacionais para o Estado, número de ocupados caiu cerca de 9% em um ano
O setor de alojamento e alimentação em Goiás perdeu cerca de 21 mil trabalhadores em um ano, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de ocupados passou de 227 mil no segundo trimestre de 2025 para 206 mil no mesmo período de 2026, uma redução de aproximadamente 9%.
A retração ocorre enquanto representantes do setor relatam dificuldade para preencher vagas. Ao mesmo tempo, dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), referentes a 16 de agosto, mostram que 14.531 passagens aéreas internacionais com destino final a Goiás foram emitidas até o fim de 2026. O número representa crescimento de 6,98% em comparação com o mesmo período de 2025.
Embora o IBGE classifique a variação na ocupação de alojamento e alimentação como estatisticamente estável em razão da margem de erro da pesquisa, o resultado aparece em um cenário de estabilidade do mercado de trabalho goiano. No segundo trimestre de 2026, Goiás registrou cerca de 3,8 milhões de pessoas ocupadas, número estável em relação ao mesmo período de 2025. A taxa de desemprego no Estado caiu de 4,4% para 4,0%.
No Brasil, a taxa de desocupação passou de 6,1% no primeiro trimestre de 2026 para 5,4% no segundo trimestre. O grupamento de alojamento e alimentação representou 5,3% da população ocupada nacional nos dois períodos.
Na hotelaria, a redução das equipes é percebida pelo setor em meio a estratégias de contenção de despesas. Segundo Charleston Calasans, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Goiás (ABIH-GO), a redução da ocupação e o aumento dos custos de manutenção afetam os empreendimentos.
“Para a hotelaria é muito ruim, e isso diminui a taxa de ocupação e aumenta os custos de manutenção, que são os mais altos na hotelaria”, afirmou.
No segmento de bares e restaurantes, a avaliação é diferente. Jaldete Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel-GO), afirma que a demanda por trabalhadores continua elevada e que os estabelecimentos enfrentam dificuldades para preencher as vagas disponíveis.
“Na área de bares e restaurantes não houve redução. Existe uma demanda de mão de obra crescente”, declarou.
Segundo Jaldete, somente em Goiânia há cerca de mil vagas abertas em restaurantes, em diferentes áreas. A presidente da entidade também relata dificuldades para encontrar trabalhadores e afirma que parte dos profissionais tem optado pelo trabalho como freelancer ou autônomo em vez da contratação formal.
“Os empresários têm encontrado dificuldades, muitas pessoas não querem ser registradas. Muitos aceitam trabalhar somente freelancer. Tem sido uma saída para finais de semana e talvez momentos de maior demanda”, afirmou.
A Abrasel-GO também aponta que datas comemorativas, como Dia das Mães e Dia dos Namorados, além da Copa do Mundo, impulsionam o movimento de clientes e as contratações. Em comparação com o mesmo período de 2025, o setor abriu 97 mil novos postos de trabalho no cenário nacional.
Mercado continua aquecido
Em Goiás, segundo Jaldete, o mercado continua aquecido. A dificuldade para contratar também aparece em períodos de maior movimento, quando os estabelecimentos recorrem a trabalhadores freelancers para reforçar as equipes.
A escassez de mão de obra também foi observada durante eventos de grande porte realizados em Goiânia, como a MotoGP, em março de 2026. O evento atraiu até 150 mil visitantes e exigiu preparação operacional e logística da cadeia gastronômica.
De acordo com o Sindbares Goiânia, a contratação de pessoal esteve entre os desafios para atender ao aumento temporário da demanda. A estratégia adotada pelos empresários incluiu a contratação de freelancers para reforçar as equipes de cozinha e salão e o controle dos estoques para garantir a reposição dos produtos.
O sindicato também estabeleceu diálogo com a Prefeitura de Goiânia, a Goiânia Tur, a Sedicas, a Secretaria de Retomada e o Sebrae. O Sebrae auxiliou no desenvolvimento de cardápios trilingues para estabelecimentos parceiros.
Para Jaldete, o setor de alimentação também oferece oportunidades para trabalhadores em busca do primeiro emprego. A Abrasel e o Sindibares oferecem treinamentos, enquanto empresários promovem capacitações internas. Segundo a presidente da Abrasel-GO, trabalhadores têm possibilidade de crescimento profissional, com salários regulamentados e benefícios. A carreira pode começar como cumim e avançar para outras funções nos estabelecimentos.
Impactos da Reforma Tributária
Além das questões relacionadas à mão de obra, o setor acompanha os impactos da Reforma Tributária. Em publicação de 21 de agosto de 2026, a Abrasel nacional alertou pequenos empresários sobre as novas regras de consumo. Diante da falta de orientações e esclarecimentos oficiais, a entidade recomendou que empresas optantes pelo Simples Nacional com vendas para pessoas jurídicas façam a opção pelo recolhimento híbrido do IBS e da CBS na janela regulatória de setembro.
A Abrasel também aponta como uma das conquistas do setor na tramitação da reforma o desconto de 40% na alíquota de referência dos novos impostos para bares e restaurantes. O benefício é relacionado à característica intensiva em mão de obra do segmento.
Os dados da Embratur sobre o crescimento das emissões de passagens internacionais com destino final a Goiás integram o cenário de movimentação turística do Estado. Segundo a pesquisa realizada em 16 de agosto, foram emitidas 14.531 passagens até o fim de 2026, volume 6,98% superior ao registrado no mesmo período de 2025
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