Anistia, STF e propostas dominam temas das sabatinas dos presidenciáveis
Zema, Caiado, Renan, Lula, Flávio e Cury foram sabatinados durante a última semana na TV Globo
As sabatinas da TV Globo com os candidatos à Presidência da República foram marcadas por propostas de governo e temas que atravessam a disputa eleitoral, como a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF). Ao longo da semana, Renata Vasconcellos e César Tralli entrevistaram Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante).
Zema
Primeiro entrevistado, na segunda-feira (24), Zema tratou sua gestão em Minas Gerais como credencial para disputar o Planalto. Porém, o candidato foi questionado sobre a situação fiscal do Estado e sobre como pretende controlar o endividamento da União.
Na segurança, Zema defendeu a construção de um “superpresídio” para líderes de facções. O candidato também afirmou que concederia anistia para os envolvidos no 8 de janeiro e voltou a negar que tenha ocorrido uma tentativa de golpe de Estado.
Zema ainda criticou o STF e classificou os ministros da Corte como uma “casta intocável”. Na área da saúde, declarou-se contrário à obrigatoriedade da vacinação, embora tenha afirmado que tomou todas as doses contra a Covid-19.
Caiado
Na terça-feira (25), Caiado colocou a segurança pública no centro de sua sabatina. O candidato do PSD criticou a política do governo Lula e classificou como “grave” o avanço do narcotráfico no País. Propôs uma força policial integrada entre países da América do Sul e disse que não autorizaria militares dos Estados Unidos a atuar no Brasil contra facções.
Na economia, chamou o arcabouço fiscal do governo Lula de “grande farsa” e prometeu enviar uma PEC para limitar o crescimento das despesas federais à inflação, tendo como referência um teto equivalente a 50% do PIB.
Sobre o 8 de janeiro, defendeu uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Pressionado sobre propostas para a Previdência, Caiado reagiu a Renata Vasconcellos e afirmou que “não estamos numa mesa examinadora”.
Renan Santos
Na quarta-feira (26), Renan Santos concentrou a entrevista no combate ao crime organizado. O candidato do Missão propôs declarar guerra às facções e retomar, em até um ano, territórios dominados pelo crime.
Renan mencionou a possibilidade de adoção de um “regime de exceção” para execução do plano. Inspirado no modelo de Nayib Bukele em El Salvador, minimizou denúncias de violações de direitos humanos relacionadas à política do país.
O candidato também defendeu que o Brasil desenvolva armas nucleares e tenha uma bomba atômica como instrumento de soberania. Renan também afirmou que não cumpriria decisões do STF que considerasse ilegais. A entrevista ainda abordou declarações machistas de integrantes de seu grupo político.
Lula
Na quinta-feira (27), Lula foi sabatinado e os questionamentos sobre as investigações que envolvem integrantes do governo e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ocuparam mais da metade da entrevista.
Lula afirmou que não haverá privilégio e que, caso seja comprovado algum crime, Lulinha deverá responder pelos próprios atos. O presidente também foi questionado sobre o escândalo dos descontos indevidos no INSS e das relações de membros do governo com lobistas.
Na segunda metade, o foco passou para propostas de governo. Lula defendeu sua política econômica, tratou de temas como responsabilidade fiscal, segurança, educação e desenvolvimento tecnológico e apresentou a continuidade da atual gestão como principal argumento para a reeleição.
Flávio Bolsonaro
Na sexta-feira (28), Flávio Bolsonaro tentou se apresentar como candidato da “mudança” e do “futuro”, palavras que levou escritas na mão durante a entrevista, porém, foi confrontado sobre sua relação com o escândalo do Banco Master, acusações de “rachadinha” e relações com pessoas ligadas ao crime organizado.
Questionado sobre o processo eleitoral, afirmou que respeitará o resultado das eleições, mas que será eleito no primeiro turno, e admitiu o erro ao dizer que as urnas brasileiras eram fabricadas por uma empresa venezuelana.
A entrevista ainda abordou o episódio que envolve Daniel Vorcaro. O candidato do PL voltou a sustentar a tese de que se tratava de uma busca por um patrocinador para financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história de seu pai. “Não tem absolutamente nada de irregular. Foi um patrocínio”, disse.
Augusto Cury
Augusto Cury encerrou a série de sabatinas no sábado (29). O candidato do Avante defendeu reduzir o número de ministérios para entre oito e dez e propôs a criação do Ministério de Inteligência Artificial e Robótica.
Cury prometeu usar inteligência artificial e digitalização para reduzir custos da administração pública. Também propôs dividir o BNDES em duas estruturas, uma voltada às grandes empresas e outra às micro e pequenas.
Na saúde, defendeu ampliar a telemedicina no SUS. Na educação, propôs transformar escolas públicas em polos de empreendedorismo e levar métodos de desenvolvimento socioemocional à rede pública. O candidato ainda propôs treinar influenciadores digitais para atuar junto às embaixadas na divulgação de produtos e características brasileiras.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.