Justiça nega liberdade a dentista acusada de matar jornalista em Goiânia
Decisão obtida com exclusividade pelo Jornal O Hoje detalha os argumentos da defesa e os fundamentos usados pelo desembargador para manter, neste momento, a prisão preventiva
A defesa de Renata de Almeida Pedreira e Sousa, de 56 anos, teve negado o pedido de liminar em habeas corpus apresentado ao Tribunal de Justiça de Goiás. A dentista é acusada de matar o jornalista Delson Carlos Henrique de Lima Barros, de 52 anos, em julho, dentro de um apartamento no Setor Bueno, em Goiânia.
Na decisão, proferida em 8 de setembro, o desembargador Itaney Francisco Campos entendeu que, em uma análise inicial, não ficou demonstrada uma ilegalidade manifesta que justificasse a suspensão da prisão preventiva. Segundo o magistrado, a gravidade dos fatos e a dinâmica do caso exigem uma análise mais aprofundada antes de qualquer decisão sobre a liberdade.
A defesa havia argumentado que Renata não possui antecedentes criminais, tem residência fixa e atividade profissional, além de sustentar que o episódio ocorreu durante uma grave crise emocional e psíquica, associada à ingestão de medicamentos sedativos e álcool. Os advogados também questionaram a contemporaneidade dos motivos utilizados para justificar a prisão.
Outro argumento apresentado foi de que a investigação policial já foi concluída, restando apenas a juntada de laudos periciais, como exames cadavérico, de local de crime, biológico, DNA, toxicologia e alcoolemia.
A defesa ainda pediu, de forma alternativa, que a prisão fosse substituída por medidas cautelares, entre elas monitoramento eletrônico, proibição de contato e aproximação com a sobrevivente Márcia Maria Carolli, mudança de residência e acompanhamento de saúde mental.
O relator, no entanto, afirmou que as alegações relacionadas ao estado psicológico da acusada e à possibilidade de inimputabilidade ou semi-imputabilidade dependem de uma apuração médico-legal mais aprofundada. Por isso, segundo ele, não seria possível resolver essas questões em uma análise sumária do habeas corpus.
Ao final, o desembargador indeferiu o pedido liminar, sem prejuízo de uma nova análise da questão no julgamento colegiado. Ele também determinou que a autoridade judicial responsável preste as informações necessárias no prazo de 48 horas. Depois disso, os autos serão encaminhados à Procuradoria de Justiça para manifestação.
Relembre o caso
O jornalista Delson Carlos Henrique de Lima Barros, de 52 anos, foi morto a facadas na noite de 24 de julho, dentro do Residencial Dom Lourenço, no Setor Bueno, em Goiânia.
Segundo a Polícia Militar, Delson participava de uma confraternização no apartamento da dentista Renata de Almeida Pedreira e Sousa, ao lado da companheira dela, quando os três consumiam bebidas alcoólicas. Durante o encontro, houve uma discussão que terminou em violência.
De acordo com a versão inicial da PM, Delson teria ferido a companheira da dentista com uma faca e, em seguida, foi atingido por diversos golpes desferidos por Renata durante a reação. O jornalista ainda conseguiu deixar o apartamento, mas morreu no corredor do 5º andar do edifício.
Após o crime, Renata permaneceu trancada no imóvel e, segundo a polícia, apresentava sinais de surto psicótico. Equipes do BOPE realizaram uma operação de gerenciamento de crise que durou cerca de quatro horas até entrar no apartamento, prender a suspeita e encaminhá-la, sob custódia, para atendimento médico. A Polícia Civil segue investigando a dinâmica completa dos fatos.
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