Seu cachorro destrói tudo? Comportamento pode ser sinal de ansiedade
Latidos excessivos, apego ao tutor, agitação e perda de interesse pelas brincadeiras também exigem atenção da família
Destruir móveis, roer sapatos e latir mais do que o normal nem sempre significa que o cachorro é desobediente. Esses comportamentos podem indicar ansiedade, tédio, frustração ou dificuldade para se adaptar à rotina.
As mudanças podem aparecer gradualmente e, por isso, acabam sendo tratadas pela família como manha, excesso de energia ou falta de educação. A orientação é observar principalmente quando o comportamento representa uma alteração em relação ao padrão do animal.
Uma pesquisa publicada na revista Veterinary Research Communications, em junho de 2026, mostrou que mais de 84% dos cães avaliados apresentavam algum nível de medo ou ansiedade em situações do cotidiano. Os resultados foram obtidos com informações de 43.517 animais participantes do Dog Aging Project.
Segundo a especialistas em comportamento, destruir objetos pode estar relacionado à necessidade de explorar o ambiente e gastar energia, mas também aparece em situações de ansiedade.
O contexto em que o comportamento ocorre ajuda a compreender o problema. Quando o cachorro destrói almofadas, móveis ou sapatos principalmente nos momentos em que fica sozinho, é importante investigar uma possível dificuldade relacionada à separação.
Latidos e apego também são sinais
Outro comportamento que merece atenção é o aumento repentino dos latidos. Se um cachorro que costumava ser tranquilo começa a latir excessivamente, a mudança poderá estar ligada à frustração, à energia acumulada, à falta de estímulos adequados ou à ansiedade.
Seguir o tutor por todos os cômodos também poderá demonstrar insegurança e dependência. O alerta fica mais importante quando o animal não consegue relaxar longe da família e esse comportamento não fazia parte de sua rotina.
Nem todos os sinais são marcados por agitação. Um cachorro que passa a dormir muito, perde o interesse pelas brincadeiras ou fica mais quieto também precisa ser observado.
A apatia persistente não deve ser interpretada automaticamente como tranquilidade. Conforme a especialista, é importante procurar avaliação profissional para investigar o comportamento e descartar dores ou outras causas físicas.
Só aumentar os passeios pode não resolver
Tentar controlar toda forma de agitação apenas aumentando a quantidade de exercícios físicos é um erro. Correr e passear são importantes, mas não atendem sozinhos a todas as necessidades do cachorro.
O animal também precisa explorar o ambiente, farejar, aprender, interagir e enfrentar desafios mentais. Atividades de enriquecimento ambiental e momentos de descanso são apontados como tão importantes quanto os exercícios.
Um cachorro fisicamente cansado ainda poderá permanecer frustrado ou ansioso. Quando não existe uma causa clínica identificada por um médico-veterinário, o acompanhamento profissional poderá ajudar a reconhecer os gatilhos do comportamento.
Observar a rotina e conhecer o padrão do animal permite que a família perceba mais rapidamente o que mudou. Como o cachorro não consegue explicar o que sente com palavras, o comportamento é sua principal forma de comunicação.
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