Cora ainda não oferece radioterapia e sobrecarrega Hospital Araújo Jorge em Goiânia
Enquanto o governador cita regionalização do atendimento, pacientes do Araújo Jorge precisam viajar de Goiânia a Anápolis para fazer radioterapia
O Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora), em Goiânia, ainda não oferece atendimento de radioterapia a pacientes com câncer. A unidade, inaugurada em junho de 2025, é o primeiro hospital público estadual dedicado ao tratamento oncológico em Goiás.
O Cora iniciou as atividades com atendimento voltado à oncologia pediátrica, incluindo internação, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e transplante de medula óssea. A estrutura prevista para o complexo é de 148 leitos, além de serviços de quimioterapia e centro de imagem. A radioterapia também está prevista no projeto da unidade, mas ainda não é oferecida aos pacientes.
A ausência da radioterapia ganha destaque em meio às dificuldades enfrentadas por pacientes do Hospital de Câncer Araújo Jorge (HAJ), em Goiânia, que aguardam de duas a cinco horas por sessões de radioterapia que duram de 15 a 20 minutos. Em alguns casos, o atendimento ocorre entre 23h e 2h. O hospital atribui as esperas a paralisações de equipamentos antigos, situação que se agravou com a reforma do setor.
Dois dos três aceleradores lineares estão em funcionamento, enquanto o terceiro está parado para manutenção. O acelerador linear é o equipamento utilizado na radioterapia externa para destruir células cancerígenas por meio de raios X. Cada aparelho atende de 90 a 100 pacientes por dia. O setor realiza, em média, 280 sessões diárias, das 6h às 2h, com ocupação de cerca de 93%. Em períodos de maior demanda, o número chega a 315 aplicações, e o atendimento pode se estender até as 3h.
O equipamento mais afetado é um Clinac 2100 CD, em operação desde 1999 é conhecido como “máquina amarela”. Segundo o hospital, as obras na rede elétrica e nos sistemas de ar-condicionado desestabilizam os aparelhos mais sensíveis, e esse equipamento acumula falhas e períodos de manutenção.
Transferências para Anápolis
Para manter a assistência, o hospital começou a encaminhar pacientes para a Unidade Oncológica de Anápolis (UOA), unidade da Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG), que também mantém o Araújo Jorge. Segundo o hospital, o processo ainda está em organização burocrática, e serão encaminhados casos de menor complexidade, como alguns de câncer de mama e próstata.
Em episódios anteriores de falha grave, cerca de 30 novos pacientes foram transferidos. Na situação atual, o hospital faz encaminhamentos pontuais e avisa os pacientes com antecedência.
A equipe assistencial fará uma triagem para avaliar as condições clínicas dos pacientes elegíveis à transferência. Segundo Rodolfo Lopes do Nascimento, médico especialista em Radioterapia do Araújo Jorge, pacientes que fazem quimioterapia com frequência em Goiânia não poderão ser transferidos, porque precisam permanecer na Capital para esse tratamento. Quem tiver a radioterapia transferida terá transporte disponível entre Goiânia e Anápolis.
Rodolfo afirma que o cenário atual é transitório: “O hospital, assim como toda a equipe assistencial, está trabalhando com o máximo de recursos disponível. A radioterapia não parou sequer um dia, e tanto a equipe de física médica quanto a médica e os demais profissionais, como enfermeiros e técnicos de radioterapia, têm se dedicado integralmente aos pacientes e aos atendimentos”, disse.
Regionalização da saúde
No terceiro bloco do Debate Mais Goiás, realizado nesta quinta-feira (17), o governador Daniel Vilela (MDB) afirmou que a gestão estadual avançou na regionalização da saúde, com mais oferta de atendimento fora de Goiânia e menos deslocamento de pacientes do interior “Nós regionalizamos a saúde em nosso Estado. Hoje não tem mais essa política da ‘ambulancioterapia’, onde você fazia com que os municípios recebessem ambulâncias para trazer para cá Goiânia . Goiás tem uma rede integrada e que atende grande parte de nossa população”, disse o governador.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) foi questionada pela redação sobre a previsão de o Cora passar a oferecer radioterapia, mas não respondeu até o fechamento desta edição.
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