Economia brasileira deve crescer menos em 2026, prevê Ministério da Fazenda
Dívidas das famílias pesam e Fazenda corta projeção para economia em 2026
O Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2% a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026. A revisão consta no Boletim Macrofiscal divulgado nesta terça-feira (22).
Segundo a pasta, a mudança reflete principalmente a desaceleração do setor de serviços. O governo relaciona o movimento ao maior comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas.
A Fazenda também revisou para baixo a previsão de inflação para este ano. A estimativa passou de 5,1% para 4,9%.
Serviços e indústria têm projeções reduzidas
A previsão de crescimento dos serviços caiu de 2,4% para 1,8%. Para a indústria, a estimativa passou de 2,1% para 1,7%.
De acordo com o ministério, o desempenho mais fraco dos serviços está relacionado ao resultado acumulado no primeiro semestre e aos efeitos defasados da política monetária sobre o consumo e a demanda interna.
A Fazenda também destacou o peso do endividamento das famílias. Embora o nível das dívidas em relação à renda tenha permanecido estável, o comprometimento da renda com o pagamento das parcelas atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre.
Com isso, o avanço da massa de rendimentos não se converteu na mesma proporção em consumo.
Na indústria, por outro lado, o governo aponta a influência do custo do crédito e da menor demanda por bens de consumo. A atividade extrativa, entretanto, continua contribuindo para o desempenho do setor.

A agropecuária aparece como um dos pontos de compensação. A previsão de crescimento para o segmento subiu de 1,8% para 2,8%.
Além disso, o mercado de trabalho continua sustentando setores ligados ao consumo das famílias. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda também deve aumentar a renda disponível ao longo do segundo semestre, segundo a Fazenda.
Inflação passa de 5,1% para 4,9%
A projeção do Ministério da Fazenda para a inflação de 2026 caiu de 5,1% para 4,9%.
A revisão considera os resultados recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principalmente o comportamento dos preços dos alimentos consumidos dentro de casa e, em menor medida, dos serviços.
O governo também levou em consideração a melhora das expectativas para a inflação, a manutenção da taxa Selic em nível considerado contracionista e a desaceleração esperada da atividade econômica na segunda metade do ano.
Desde 2025, o Brasil utiliza o sistema de meta contínua de inflação. O objetivo é manter o índice em 3%. A margem de tolerância estabelece uma faixa entre 1,5% e 4,5%.
Apesar da revisão, a Fazenda incorporou fatores que podem pressionar os preços. Entre eles está o fenômeno El Niño.
As estimativas ainda não consideram os efeitos das medidas recentes sobre os combustíveis. No caso da gasolina, as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins foram reduzidas em R$ 0,63 por litro, substituindo uma subvenção de R$ 0,44.
Para o etanol hidratado, as duas contribuições foram zeradas. Com isso, a redução da carga tributária chegou a R$ 0,19 por litro.
Segundo o ministério, considerando gasolina e etanol hidratado e sem incluir a subvenção ao diesel, as medidas podem reduzir o IPCA em aproximadamente 0,15 ponto percentual.
Fazenda também revisa cenário para 2027
Para 2027, a Fazenda reduziu a previsão de crescimento da economia de 2,5% para 2,3%.
O ministério atribui a revisão aos efeitos defasados da política monetária. Ao mesmo tempo, a pasta projeta continuidade da expansão da indústria extrativa e das exportações.
A expectativa é que a redução da Selic iniciada em 2026 seja transmitida gradualmente para o crédito e a demanda doméstica. Esse movimento, segundo o governo, tende a afetar setores como indústria de transformação, construção civil e serviços mais sensíveis ao ciclo de juros.

A previsão de inflação para 2027, entretanto, subiu de 3,6% para 3,8%.
Entre os fatores apontados está a possibilidade de um El Niño mais intenso, com impacto sobre a produção agrícola. A Fazenda também considera possíveis efeitos sobre os preços das carnes, além de riscos relacionados à retenção de fêmeas no ciclo pecuário.
O cenário inclui ainda a recente aceleração do IPA-DI agropecuário e possíveis impactos dos preços dos fertilizantes sobre a produção de 2027, em razão do conflito no Oriente Médio.
Petróleo e conflito entre EUA e Irã
O Ministério da Fazenda também atualizou as projeções para o petróleo diante dos efeitos do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Segundo a pasta, o cenário deixou de representar apenas um choque pontual e passou a incorporar riscos persistentes para o mercado de energia.
O governo considera que o acordo provisório entre os países não avançou para uma formalização. Além disso, o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz permanece abaixo dos níveis anteriores ao conflito.
Os ataques no Mar Vermelho também mantêm riscos relacionados ao Estreito de Bab el-Mandeb.
Nesse contexto, o preço do petróleo Brent apresentou forte oscilação e ultrapassou US$ 100 por barril na primeira semana de setembro. O movimento ocorreu em meio à redução dos estoques mundiais.
Diante desse cenário, a Fazenda elevou a projeção para o preço médio do barril de Brent em 2026. A estimativa passou de US$ 79,20 para US$ 87,70.
Para 2027, a previsão também aumentou. O valor passou de US$ 71 para US$ 79,50 por barril.
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