PF aguarda decisão de Mendonça sobre relatórios financeiros ligados ao Banco Master
Pedido feito em março ao STF busca acesso a dados do Coaf que podem indicar repasses de Daniel Vorcaro a autoridades com foro privilegiado
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda não decidiu sobre um pedido feito pela Polícia Federal, em março deste ano, para acessar relatórios de inteligência financeira relacionados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os documentos, mantidos sob sigilo pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), podem indicar movimentações do banqueiro envolvendo autoridades com foro privilegiado. Para que os investigadores tenham acesso aos dados, é necessária autorização do ministro.
Segundo as informações apresentadas no pedido, os relatórios podem ajudar a identificar suspeitos de recebimento de propina, possíveis envolvidos em lavagem de dinheiro e pessoas que teriam participado do envio ao exterior de recursos supostamente provenientes do esquema investigado. Com a retirada do sigilo das investigações neste mês, a Procuradoria-Geral da República (PGR) tomou conhecimento da solicitação feita pela PF e pediu esclarecimentos sobre a existência ou não de uma decisão de Mendonça.
Mendonça ainda não analisou
Fontes ouvidas pelo Correio Brasiliense afirmam que o ministro ainda não analisou o pedido. De acordo com interlocutores, a demora estaria relacionada ao grande volume de solicitações apresentadas nos processos que envolvem o Banco Master. “Estamos em um período atípico. São centenas de pedidos e o gabinete analisa com cuidado cada um, para saber se de fato existe fundamento para gerar uma diligência, uma decisão”, afirmou uma fonte. A PGR, por sua vez, destacou que não identificou movimentação no processo relacionado ao pedido da Polícia Federal.
O documento do Ministério Público Federal é assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand. No texto, a PGR pede que o gabinete de Mendonça confirme se houve alguma decisão sobre a representação apresentada pela PF. Caso a solicitação tenha sido autorizada, o Ministério Público também quer saber se o documento já está disponível para consulta dos ministros. A manifestação ressalta que o pedido da Polícia Federal envolve a obtenção, junto ao Coaf, de uma complementação de Relatório de Inteligência Financeira mantido sob sigilo por envolver uma autoridade com prerrogativa de foro.
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