segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Eleições 2026

Sem decolar nacionalmente, Caiado retorna ao palanque de Daniel em Goiás

Candidato do PSD ao Planalto intensifica agendas no Estado ao lado do governador em meio às dificuldades do projeto nacional que mira a Presidência da República

Thiago Borgespor em
Sem decolar nacionalmente, Caiado retorna ao palanque de Daniel em Goiás
Caiado participou de carreatas em Buriti Alegre, Morrinhos e de uma reunião política em Luziânia, na última terça-feira, ao lado de Daniel Vilela | Foto: Divulgação

O candidato à presidência e ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) voltou a concentrar sua agenda eleitoral em Goiás nas últimas semanas de campanha eleitoral. O movimento visa tanto reforçar o projeto do governador Daniel Vilela (MDB), que busca a reeleição, quanto preservar o espaço político do pessedista no Estado, em meio à estagnação nas pesquisas para presidente da República.

Caiado participou de carreatas em Buriti Alegre, Morrinhos e de uma reunião política em Luziânia, nesta terça-feira (22). Na última semana, o presidenciável já havia participado de um comício de Daniel em Aparecida de Goiânia. A presença do ex-governador na campanha do emedebista era um desejo de aliados do Palácio das Esmeraldas.

Para o professor da PUC-GO e cientista político Pedro Pietrafesa, a mudança de foco está relacionada principalmente ao cenário enfrentado por Caiado na corrida presidencial. Na avaliação do especialista, o ex-governador passou a trabalhar para preservar sua relevância no cenário político goiano em razão da pouca aderência do eleitorado ao seu projeto que visa o Palácio do Planalto.

“O Caiado não está crescendo. Estamos a poucos dias das eleições e já está tendo uma movimentação de voto útil dos candidatos de direita, que pode prejudicar ainda mais as suas intenções de voto. É claro que ele e a campanha dele já têm consciência que é muito difícil chegar ao segundo turno”, afirma ao O HOJE.

Desde que anunciou sua pré-candidatura ao Planalto, em abril de 2025, quando ainda era filiado ao União Brasil, o ex-governador segue estagnado nas pesquisas de intenção de voto. O cenário para a disputa presidencial segue com a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Pietrafesa avalia que, apesar de aparecer em 3º lugar “a depender da pesquisa”, o projeto nacional do ex-governador “está prejudicado” e faz com que as atenções se voltem ao seu reduto eleitoral, onde Caiado segue como figura política expoente. O professor diz entender que a presença mais frequente no Estado permite a Caiado manter contato com lideranças e eleitores goianos, mesmo diante da dificuldade da candidatura nacional.

“Tendo essas dificuldades em vista, ele quer manter o nome dele importante dentro do cenário estadual e estar mais presente na campanha do Daniel Vilela. Isso faz com que o nome dele circule entre as elites políticas, econômicas, entre o eleitorado, para que ele se mantenha relevante aqui no âmbito da política estadual.”

Para Pietrafesa, o ex-governador também aproveita para ratificar sua imagem a uma eventual manutenção do grupo no comando do Estado com uma vitória de Daniel e da ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), candidata ao Senado. “O Caiado quer manter a imagem dele, pelo menos no imaginário político. [Se Daniel e Gracinha forem eleitos] Ele continua sendo um centro gravitacional do grupo político e mantém a força dele mesmo sem um mandato eletivo.”

Disputa com o PL

Além disso, a movimentação também ocorre em um cenário de disputa entre a base governista e o PL. Com histórico recente de crescimento nas últimas semanas de candidatos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Goiás, os postulantes ao governo e ao Senado do partido, Wilder Morais e Gustavo Gayer, chamam a atenção do grupo palaciano. Nas últimas semanas, o ex-governador também elevou o tom contra Flávio em meio à disputa dos grupos pelos votos da direita no Estado.

A disputa remete às eleições para a Prefeitura de Goiânia em 2024, quando Caiado travou disputas com Bolsonaro no 2º turno e o prefeito Sandro Mabel (União Brasil) derrotou Fred Rodrigues (PL). “O Wilder Morais depende muito desse vínculo com a família Bolsonaro. Ele tenta, de alguma forma, seja com a presença do Flávio ou não, consolidar o voto bolsonarista”, diz.

O cientista lembra que, em 2024, Fred decolou após Bolsonaro participar de agendas com o então candidato a prefeito. Porém, Pietrafesa ressalta que, para a disputa deste ano, a agenda nacional de Flávio impõe limitações à possibilidade de uma presença mais intensa em Goiás.

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