Inelegível, Arruda entra no radar de candidatos ao Buriti em busca de apoio
Após TSE confirmar inelegibilidade do ex-governador, Paula Belmonte diz que vai procurá-lo, enquanto Leandro Grass convoca eleitores que querem mudança
A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que nesta quinta-feira (24) confirmou, por 5 votos a 2, o indeferimento do registro de José Roberto Arruda (PSD) para a disputa pelo Governo do Distrito Federal, já provoca movimentações entre os candidatos que permanecem na corrida pelo Palácio do Buriti.
Arruda aparecia entre os principais nomes da disputa e registrava 17% das intenções de voto na pesquisa Quaest mais recente. Com a decisão do TSE, o ex-governador fica fora da eleição, e a definição sobre o destino de seu grupo político e de seus apoiadores passa a integrar a estratégia dos demais candidatos.
A candidata Paula Belmonte (PSDB) afirmou que pretende procurar Arruda para conversar e apresentar seu projeto, na tentativa de obter o apoio do ex-governador e de suas lideranças.
“Eu imagino que este seja um momento muito difícil para o ex-governador José Roberto Arruda. Ele construiu uma trajetória política em Brasília, tem um grupo que acredita nele e certamente está sofrendo com tudo o que está acontecendo. Respeito esse momento e a decisão da Justiça”, afirmou.
Na avaliação de Paula, o momento abre espaço para uma articulação entre grupos que defendem mudança no comando do Distrito Federal.
“Mas agora é hora de levantar a cabeça e pensar em Brasília. Vou procurar o Arruda para conversar, porque acredito que precisamos unir aqueles que defendem uma mudança no Distrito Federal. Quero apresentar a ele o nosso projeto e buscar o seu apoio à nossa candidatura”, disse.
A candidata também afirmou que considera sua candidatura uma alternativa ao grupo político atualmente no comando do DF.
“Eu acredito que a nossa candidatura é hoje uma alternativa viável para quem quer encerrar o ciclo político representado pelos governos Ibaneis Rocha e Celina Leão. Eu tenho condições de enfrentar a Celina nesta eleição. Sou uma mulher que conhece Brasília, tenho experiência, independência e um projeto para a nossa cidade.”
Paula ainda defendeu uma aproximação direta com as lideranças que estavam ligadas à campanha de Arruda.
“Mais do que nomes ou projetos individuais, precisamos discutir o futuro da nossa cidade. Quero conversar com Arruda, com suas lideranças e com seus apoiadores. É hora de somar forças em torno de um projeto de mudança para Brasília.”
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Grass convoca eleitores que querem mudança
Leandro Grass (PT) também se manifestou após o julgamento. Em nota oficial, o candidato disse respeitar a decisão da Justiça Eleitoral e destacou a relação mantida com Arruda durante a campanha.
“Arruda foi um adversário correto comigo. Nos debates, mesmo com divergências, sempre nos tratamos com respeito, e a participação dele qualificou a discussão sobre os grandes temas da nossa cidade”, afirmou.
Grass, porém, aproveitou a decisão para reforçar o discurso de mudança em relação ao atual grupo político do DF.
“A dez dias da eleição, a escolha ficou ainda mais clara: mudar de rumo ou entregar mais quatro anos ao grupo de Ibaneis Rocha, Celina Leão e Gustavo Rocha”, declarou.
O candidato do PT também voltou a fazer críticas ao governo e citou o caso Banco Master. Na nota, afirmou que as relações do grupo político adversário com Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro “precisam ser esclarecidas à população”.
Grass também convidou eleitores de diferentes setores a aderirem à sua campanha.
“Sempre defendi uma frente ampla e social, com todos os setores que desejam uma Brasília cidadã e com os direitos da população garantidos. Por isso, convido todos os eleitores que querem mudança a construir conosco essa alternativa.”
Celina e Cappelli não comentam
A governadora Celina Leão (PP) não vai se manifestar sobre a decisão do TSE. O candidato Ricardo Cappelli (PSB) também não fará declaração sobre o julgamento.
A decisão desta quinta-feira encerra, na Justiça Eleitoral, a tentativa de Arruda de permanecer na disputa. O TSE acompanhou, por maioria, o entendimento do TRE-DF de que o ex-governador permanece inelegível em razão de condenações por improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora.
O julgamento teve como relator o ministro Dias Toffoli. Ele foi acompanhado por Ricardo Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha divergiram.
Com Arruda fora da disputa, a eleição entra em uma nova fase, marcada pela disputa por apoios, lideranças e eleitores que estavam vinculados ao ex-governador.
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