sábado, 17 de outubro de 2026
Paço e Legislativo

Mabel aumenta pressão sobre vereadores por andamento do fundo imobiliário em Goiânia

Prefeito cobra urgência na matéria em razão do déficit do GoiâniaPrev; base não vê impedimento, enquanto oposição exige transparência no projeto

Thiago Borgespor em
Mabel aumenta pressão sobre vereadores por andamento do fundo imobiliário em Goiânia
Estratégia de pressão pela votação da matéria ocorre em meio às cobranças dos vereadores por informações sobre a proposta | Foto: Alex Malheiros

O prefeito Sandro Mabel (União Brasil) aumentou a pressão sobre a Câmara Municipal de Goiânia para acelerar a tramitação do projeto que cria um fundo imobiliário municipal. Após a sinalização de que a proposta poderia ficar para 2027, o prefeito passou a cobrar publicamente os vereadores.

O movimento coloca Mabel novamente em rota de colisão com o presidente da CCJ, Luan Alves (MDB), que havia indicado que a análise do projeto poderia ficar para o próximo ano. O texto está na Câmara desde 9 de setembro e aguarda avanço na comissão. Na última terça-feira (22), Mabel afirmou que pretende conversar com Luan, com os integrantes da CCJ e com o presidente Romário Policarpo (Cidadania) para cobrar o andamento da proposta.

Mabel também argumentou que a urgência está relacionada ao déficit previdenciário do município. O chefe do Executivo municipal disse que a prefeitura desembolsa cerca de R$ 2 milhões por dia para cobrir o rombo do GoiâniaPrev, cerca de R$ 600 milhões por ano.

A estratégia de pressionar pela votação da matéria ocorre em meio às cobranças dos vereadores por informações adicionais sobre a proposta. O projeto do Executivo é utilizar áreas consideradas sem utilização imediata para gerar receitas e direcionar os rendimentos para a amortização do déficit do GoiâniaPrev, estimado em R$ 12 bilhões. Entretanto, o projeto não traz a relação dos imóveis nem os respectivos valores de avaliação.

Na base de Mabel, a avaliação é de que a Câmara deve acelerar o processo. O vereador Pedro Azulão Jr. (MDB), integrante da CCJ, afirma que o projeto é uma das prioridades dos aliados do Executivo e que não vê dificuldades para que as comissões aprovem.

“É um trâmite normal na Câmara. Às vezes, a qualquer hora pode entrar em pauta. Nós da base estamos lá preparados para votar. A nossa prioridade é salvar a previdência e nesse momento a saída é essa. Eu não vejo dificuldade em aprovar isso quando chegar”, afirmou ao O HOJE.

O parlamentar argumentou que a situação atual é resultado de uma dívida acumulada ao longo de diferentes administrações e exige uma resposta do Executivo.

Na Comissão de Habitação

O vereador preside a Comissão de Habitação, por onde o texto passará caso seja aprovado na CCJ. Azulão afirma que, após a chegada do projeto à comissão temática, pretende acelerar a análise. “Cada dia que esse projeto fica parado na Câmara é um prejuízo muito grande para o prefeito, que paga uma dívida muito alta”, disse. Segundo Azulão, a intenção é designar rapidamente um relator e colocar a matéria em votação na comissão.

Na oposição, o questionamento é sobre a ausência de informações, que a base considera possível apresentar posteriormente. “Do jeito que o projeto foi apresentado, a Câmara estaria dando uma autorização muito ampla para o Executivo dispor de patrimônio que pertence à população. É por isso que eu chamei a proposta de ‘cheque em branco’”, afirmou a vereadora Kátia Maria (PT) ao O HOJE.

De acordo com a vereadora, Mabel sinalizou que pretende apresentar uma relação das áreas. No entanto, a petista alerta que a lista precisa trazer informações individualizadas sobre os imóveis, como localização, situação jurídica, valor e finalidade.

Futuro dos terrenos

A preocupação também envolve o risco de que terrenos atualmente considerados ociosos sejam necessários no futuro para equipamentos públicos. O parecer técnico da Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo Estratégico (Seplan) apontou a necessidade de análise prévia de cada imóvel para verificar se a transferência comprometeria a Rede de Equipamentos Públicos Comunitários. Apesar do parecer favorável, o órgão também identificou conflito com legislação municipal que protege áreas destinadas a praças, saúde e educação.

Na avaliação de Kátia, o avanço do projeto depende de mudanças que garantam maior participação do Legislativo e transparência sobre a utilização dos recursos. “O que não pode acontecer é a Câmara autorizar primeiro e descobrir depois o que está sendo colocado dentro do fundo”, pontuou.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
fundo imobiliário Romário Policarpo Sandro Mabel

Veja também