Candidatos em Goiás com mais de R$ 10 mi declarados somam mais de R$ 1 bi em patrimônio
Levantamento reúne 29 candidatos e suplentes que declararam mais de R$ 10 milhões em bens à Justiça Eleitoral
Os candidatos e integrantes de chapas nas eleições de 2026 em Goiás que declararam mais de R$ 10 milhões em patrimônio à Justiça Eleitoral somam R$ 1,08 bilhão em bens. O levantamento considera 29 nomes aptos que informaram valores acima de R$ 10 mi no DivulgaCand, plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dados são referentes às declarações apresentadas pelos próprios candidatos.
A maior concentração está entre os candidatos a deputado federal e deputado estadual. São dez postulantes à Câmara dos Deputados e dez à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) dentro do grupo de patrimônios multimilionários. A relação ainda reúne dois candidatos ao governo, um ao Senado, um a vice-governador e cinco suplentes de chapas majoritárias.
Entre os candidatos a deputado federal, Felipe Cecílio (PSDB) informou R$ 86,8 milhões, seguido por Magda Mofatto (PL), com R$ 62,9 milhões; Renato Ribeiro (PL), com R$ 53,9 milhões; e José Nelto (União Brasil), com R$ 46,3 milhões. Também integram a lista Daniel Agrobom (PSD), Adair Henriques Vovô do Jeep (PSDB), Maycon Tombini (PL), Lucas do Vale (PSD), Glaucia Melo (PSDB) e Luciano Guimarães (Novo).
Na disputa por vagas na Alego, são outros dez candidatos com mais de R$ 10 milhões declarados. Jamil Calife (PP), com R$ 26,6 milhões; Ramos Somar (PL), com R$ 25,2 milhões; e Lissauer Vieira (PL), com R$ 18,3 milhões, lideram a lista.
Na sequência aparecem Djanira Soares (União Brasil), R$ 17,1 milhões; Graciele da Arte Trigo (Agir), R$ 17,5 milhões; Issy Quinan (MDB), R$ 15,8 milhões; João Alberto Rodrigues (PRD), R$ 15,7 milhões; Felipe Cortez (Mobiliza), R$ 15,8 milhões; Malaquias (Mobiliza), R$ 14,6 milhões; e Alessandro Moreira (PRD), com R$ 10,4 milhões.
Nas chapas majoritárias, o grupo inclui o candidato à reeleição, senador Vanderlan Cardoso (PSD), que declarou R$ 66,8 milhões, além dos candidatos ao governo Marconi Perillo (PSDB), com R$ 11,8 milhões, e Wilder Morais (PL), com R$ 65,1 milhões. O candidato a vice-governador na chapa de Daniel Vilela (MDB), Luiz Carlos do Carmo (PSD), aparece com R$ 10,4 milhões.
Também aparecem cinco suplentes de candidaturas ao Senado. Carlos Filho (PRD), suplente de Gustavo Mendanha (PRD), declarou R$ 157,7 milhões, o maior patrimônio entre os 29 nomes considerados. Fião Castro (União Brasil) e Alexandre Baldy (PP), ambos suplentes de Gracinha Caiado (UB), declararam R$ 17,6 milhões e R$ 11,4 milhões, respectivamente.
O grupo ainda inclui Hermes Traldi (PSDB), suplente de Ernesto Roller (PSDB), com R$ 24,4 milhões; e Leonardo Rizzo (PL), suplente de Gustavo Gayer (PL), com R$ 12,5 milhões.
Na distribuição por partidos, o PL reúne 7 dos 29 nomes com mais de R$ 10 milhões declarados, o maior número da relação. Na sequência, aparece o PSDB com 5 nomes; PSD com 4; União Brasil e PRD com 3 cada; e PP e Mobiliza, com dois nomes cada um. MDB, Novo e Agir aparecem com um representante cada dentro do grupo.
Dinheiro na campanha
Entre os candidatos com mais de R$ 10 milhões declarados que apresentaram prestação de contas, os aportes em suas próprias campanhas somam R$ 1,52 milhão. Lucas do Vale foi quem declarou o maior aporte próprio entre os candidatos, com R$ 316,5 mil. Magda Mofatto (R$ 220 mil), Maycon Tombini (R$ 152,5 mil), Renato Ribeiro (R$ 103,6 mil) e Daniel Agrobom (R$ 100 mil) também investiram na própria campanha.
Há também candidatos com patrimônio superior a R$ 10 milhões que não utilizaram recursos próprios na campanha. Luciano Guimarães, Vovô do Jeep, Ramos Somar, Jamil Calife e Marconi Perillo, por exemplo, não registraram aporte próprio.
O patrimônio declarado também não representa necessariamente o valor de mercado atual dos bens. A declaração eleitoral reproduz os valores informados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral. Alguns dos nomes incluídos na relação também transferiram recursos para campanhas de aliados. Rizzo doou R$ 222 mil para a campanha de Gayer e Hermes Traldi destinou R$ 10 mil ao titular da chapa do PSDB, Ernesto Roller.
Inaptos
Além dos 29 nomes, a relação também traz três casos que ficaram fora da contagem principal em razão da desistência dos candidatos. Edward José Júnior (Novo), Dr. Samuel Gemus (Republicanos) e Flávia Teles (PSDB) declararam, respectivamente, R$ 70,2 milhões, R$ 20,3 milhões e R$ 103,7 milhões, mas não integram o grupo por terem renunciado às candidaturas.
Erro
Quem também ficou fora do levantamento foi a candidata a deputada estadual Missionária Rosane (Mobiliza), que aparece no sistema do TSE com mais de R$ 350 milhões em patrimônio declarado.
Em contato com a reportagem de O HOJE, Rosane explicou que houve um erro de digitação no valor de um imóvel localizado no Conjunto Vera Cruz II, em Goiânia. Segundo a candidata, o imóvel vale R$ 350 mil, e não R$ 350 milhões, como está registrado na Justiça Eleitoral. Rosane informou que já solicitou a correção das informações.
Os valores de patrimônio são declarações feitas pelos próprios candidatos ao TSE e não representam, por si só, uma avaliação independente dos bens. As informações são disponibilizadas pelo TSE por meio do DivulgaCand.
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