sábado, 7 de novembro de 2026
Impasse na saúde da capital

MPGO aponta falta de medicamentos e exames em unidades de Goiânia

Problemas no abastecimento persistem mesmo após a prefeitura informar que adotava medidas para regularizar o estoque das unidades

Renata Ferrazpor em
MPGO aponta falta de medicamentos e exames em unidades de Goiânia
Divulgação/MPGO

Em mais um capítulo que envolve a saúde de Goiânia, a Prefeitura e a Justiça, agora o impasse está ligado a outros problemas que afetam o atendimento à população. Entre as principais preocupações está a falta de medicamentos, insumos e equipamentos nas unidades de urgência e emergência da Capital. Mesmo após inspeções e cobranças anteriores, irregularidades permanecem e voltaram a ser identificadas pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO).

Uma nova inspeção foi realizada em 31 de agosto em 11 unidades de saúde que atendem casos de urgência e emergência. A fiscalização ocorreu após uma primeira vistoria, feita em 25 de maio, já ter apontado problemas no estoque de medicamentos, materiais e equipamentos, além de dificuldades na realização de exames e falta de profissionais.

Na nova inspeção, o MP-GO verificou que a falta de medicamentos e insumos persistia. Também foram relatadas dificuldades com equipamentos e exames. Entre os problemas identificados esteve a ausência de hemogasometria, exame que avalia os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue e auxilia na avaliação de pacientes em estado grave.

As unidades fiscalizadas foram as UPAs Jardim Itaipu, Novo Horizonte, Chácara do Governador, Maria Perillo e Jardim América; os CAIS Amendoeiras, Bairro Goiá, Campinas, Finsocial e Jardim Guanabara; e o CIAMS Urias Magalhães.

A fiscalização faz parte de um procedimento instaurado pela 87ª Promotoria de Justiça de Goiânia. Além da falta de medicamentos, insumos e equipamentos, o MP-GO identificou outras irregularidades, como a permanência de pacientes por mais de 24 horas, insuficiência de profissionais e dificuldades na oferta de exames.

Problemas continuam

A falta de medicamentos já havia sido identificada na primeira inspeção, em maio. Na ocasião, os gestores foram orientados a adotar providências para regularizar o abastecimento.

Segundo o MP-GO, durante audiência em 20 de agosto, a Secretaria Municipal de Saúde informou que algumas irregularidades haviam sido solucionadas e citou a recuperação do estoque de determinados medicamentos. A inspeção posterior, porém, mostrou que ainda havia insuficiências.

O município informou que estavam em andamento processos de compra, licitações, registros de preços, dispensas e contratos emergenciais para regularizar o fornecimento.

Diante da permanência dos problemas, o Ministério Público pediu à Justiça medidas para garantir o abastecimento das unidades e a realização da hemogasometria. A Justiça determinou a intimação da Prefeitura, do prefeito Sandro Mabel e do secretário municipal de Saúde, Luiz Gaspar Machado Pellizzer, para manifestação em 72 horas.

O pedido do MP-GO prevê multa diária de R$ 5 mil para cada item que continue em falta e também para os casos de ausência do exame. Após a manifestação do município, o processo deverá retornar para análise judicial.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que não havia sido oficialmente notificada sobre a decisão. A pasta afirmou que, após a notificação, apresentará as informações e esclarecimentos solicitados.

Outros problemas na rede

Além do abastecimento, as fiscalizações apontaram outras dificuldades. O MP-GO identificou pacientes que permaneceram por mais de 24 horas nas unidades de urgência e emergência, situação que contraria normas do Conselho Federal de Medicina e do Ministério da Saúde.

Também foram apontadas insuficiência de profissionais, dificuldades na oferta de exames e falta de fluxo para pacientes psiquiátricos. O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) acompanha parte dessas questões e já determinou providências relacionadas ao fornecimento de medicamentos e insumos essenciais.

Paralelamente, outro impasse envolve os profissionais credenciados da rede municipal. Em 23 de setembro, o TCM-GO concedeu medida cautelar proibindo a Prefeitura de Goiânia de reduzir plantões, escalas, horários de atendimento, unidades ou serviços essenciais da rede municipal de Saúde.

A decisão ocorreu após questionamentos sobre o limite de R$ 4 milhões para pagamentos de profissionais credenciados com recursos do Tesouro Municipal. Antes, a média mensal era de aproximadamente R$ 10 milhões.

Segundo o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), a medida cautelar determina a manutenção do valor anteriormente destinado ao pagamento dos credenciados, de aproximadamente R$ 10 milhões. Para a entidade, a redução para R$ 4 milhões significaria cortes nas escalas e poderia afetar até 160 mil atendimentos mensais na rede de urgência e emergência.

O sindicato afirma que já identificou redução de plantões em setembro e relata que algumas escalas ficaram desfalcadas. Na pediatria, segundo o Simego, houve unidades em que apenas um médico ficou responsável por atender crianças internadas, realizar suturas e procedimentos e acompanhar casos graves, o que teria aumentado o tempo de espera para casos leves e moderados.

Para o Simego, a redução do número de médicos ocorre em uma rede que já enfrenta falta de profissionais e problemas no abastecimento. A entidade afirma que a falta de materiais e medicamentos é recorrente e que a redução das equipes aumenta a dificuldade de acesso dos pacientes ao tratamento.

O sindicato também afirma que as irregularidades apontadas pelo MP-GO são objeto de denúncias da entidade há anos e envolvem não apenas médicos, mas profissionais de enfermagem, farmacêuticos e técnicos de radiologia. Segundo o Simego, insumos e medicamentos seguem sem reposição integral e regular em parte da rede.

Na avaliação da entidade, a manutenção da cautelar do TCM-GO é necessária até que seja organizada uma nova fonte de pagamento dos médicos credenciados. O sindicato defende ainda aumento dos investimentos em saúde, garantia de exames e medicamentos e ampliação do quadro de profissionais, preferencialmente por meio de concurso público.

O TCM determinou que a Prefeitura preserve a assistência utilizando a Fonte 102 ou outra fonte legal, efetiva e imediatamente disponível. O município também deverá apresentar informações sobre a execução orçamentária e financeira da Saúde, as escalas de agosto e setembro e eventuais unidades ou serviços afetados.

Leia mais aqui:

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Goiânia MPGO Saúde de Goiânia

Veja também

Goiânia terá calor de 34°C e previsão de chuva neste sábado (07)

PREVISÃO DO TEMPO

Goiânia terá calor de 34°C e previsão de chuva neste sábado (07)

Dia começa com muitas nuvens, mas previsão indica chuva isolada à tarde e pancadas acompanhadas d...
Câmara de Santa Helena de Goiás abre concurso com salários de até R$ 3,3 mil

Concurso Público

Câmara de Santa Helena de Goiás abre concurso com salários de até R$ 3,3 mil

Seleção oferece oportunidades para cinco cargos de níveis fundamental, médio e superior
GCM de Aparecida de Goiânia prende dois foragidos em ações integradas

videomonitoramento

GCM de Aparecida de Goiânia prende dois foragidos em ações integradas

Um dos procurados foi identificado por câmeras inteligentes na região do Pontal Sul, em Aparecida....
Lutador

COVARDE

Lutador é preso após dar mais de 35 golpes em mulher dentro de elevador no Rio de Janeiro; veja vídeo

Agressão durou cerca de três minutos e foi registrada por câmeras de segurança
Homem é preso suspeito de matar filhote de cachorro a pauladas em Aparecida de Goiânia; Veja vídeo

CRUELDADE

Homem é preso suspeito de matar filhote de cachorro a pauladas em Aparecida de Goiânia; Veja vídeo

Quatro filhotes foram resgatados em imóvel no Setor Parque Real. Segundo a Polícia Militar, vídeo...
Goiânia tem 135 pontos de alagamento e 120 áreas de risco, aponta levantamento

PERÍODO CHUVOSO

Goiânia tem 135 pontos de alagamento e 120 áreas de risco, aponta levantamento

Mapeamento identifica 1.616 imóveis em regiões de risco médio, alto ou muito alto. Ao menos 6,4 m...
Mulheres usam sacolas revestidas de alumínio para furtar R$ 37 mil em lojas de shopping em Rio Verde

FURTO

Mulheres usam sacolas revestidas de alumínio para furtar R$ 37 mil em lojas de shopping em Rio Verde; veja vídeo

Uma suspeita foi detida no estacionamento do Buriti Shopping após furtos de R$ 37 mil em roupas, em...
Três suspeitos de golpe do bilhete premiado contra idosa são presos em Goiânia

OPERAÇÃO POLICIAL

Três suspeitos de golpe do bilhete premiado contra idosa são presos em Goiânia

Vítima de 72 anos contratou empréstimo de R$ 182 mil para pagar golpistas que a convenceram de que...