Daniel Vilela, Marconi Perillo e Wilder Morais fogem de associação à esquerda
Candidatos ao Governo de Goiás reforçam discurso à direita e exploram vínculos com adversários do governo Lula
Na reta final do primeiro turno das eleições, os três principais candidatos ao Governo de Goiás de acordo com as pesquisas de intenção de voto, o governador Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL), trabalham para reforçar o posicionamento à direita e se afastam de qualquer associação com a esquerda, além da busca de associar os rivais na corrida eleitoral ao campo progressista.
A tentativa de associar os rivais ao partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve um novo capítulo no último domingo (27). Em seu discurso durante manifestação no Parque Flamboyant, em Goiânia, ao lado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), Wilder subiu o tom contra Daniel.
“Os candidatos daqui, Flávio, não são da direita. O MDB é um puxadinho do PT. Está concorrendo e se ganhasse, no outro dia, estaria se juntando contra nós. Só que não vai ganhar, porque estamos aqui”, disse o candidato do PL ao Palácio das Esmeraldas. De acordo com Wilder, uma eventual recondução do emedebista ao Executivo estadual acarretaria em aproximação com setores petistas.
A ofensiva faz parte de uma estratégia do núcleo do PL goiano de apresentar Wilder como a “única candidatura de direita” no Estado. O partido também recorre a resgatar alianças anteriores entre o MDB e o PT na tentativa de associar o emedebista ao partido de Lula.
Aliás, as declarações de Wilder também serviram como uma resposta a Daniel. Isso porque o governador, no último debate entre os candidatos ao Governo do Estado, explorou temas sensíveis à campanha de Wilder que envolvem associações ao governo Lula.
Ausência em votação no Senado
No debate da última quinta-feira (24), o emedebista atacou o liberal com questionamentos sobre a atuação de Wilder no Senado e sobre a ausência do senador na votação que rejeitou a indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Wilder, você tem 50% de falta nas votações do Senado. Você fala que é um homem trabalhador, o que você estava fazendo que você faltou 50% das votações do Senado? Inclusive a votação do Messias, que você não explicou o porquê você se ausentou naquela votação. Você se ausentou da votação mais importante da direita no Brasil esse ano”, disse Daniel na ocasião.
Enquanto Daniel e Wilder trocam acusações sobre associações ao governo Lula, Marconi tratou de rechaçar qualquer vinculação com os petistas ainda na pré-campanha. O tucano foi procurado por uma ala do PT goiano para que uma aliança fosse firmada e o ex-governador disputasse o Palácio das Esmeraldas com apoio do partido, na tentativa dos petistas de fortalecer o palanque de Lula no Estado.
No entanto, Marconi recusou todas as investidas do partido. Inclusive, em um dos debates entre os candidatos ao Governo do Estado, o candidato do PSDB fez críticas ao governo Lula, à ex-presidente Dilma Rousseff e atribuiu a privatização da Celg aos governos federais do PT, em embate com Luis Cesar Bueno, postulante dos petistas ao Esmeraldas.
2º turno
O receio dos candidatos sobre qualquer associação feita com os petistas deixa em dúvida qual será a postura do partido de Luis Cesar Bueno em um eventual 2º turno. As pesquisas de intenção de voto indicam que um eventual mano a mano deve se dar entre Daniel e quem ficar com a segunda vaga, Marconi ou Wilder. O tucano e o candidato do PL alternam entre o segundo e o terceiro lugar nos levantamentos eleitorais.
A tendência é que o PT adote uma postura similar com a decisão tomada nas eleições municipais de 2024. Na ocasião, o partido, oficialmente, preferiu se isentar e não declarou apoio formal a qualquer um dos candidatos que disputavam a Prefeitura de Goiânia no segundo turno entre Sandro Mabel (União Brasil) e Fred Rodrigues (PL).
Apesar de não declarar apoio formal, o partido afirmou na época, via nota, que o “dever cívico e democrático” era “derrotar a extrema direita”. O aceno à então candidatura de Mabel ainda incluiu a declaração de que “o voto nulo, o voto branco ou a abstenção representariam injustificável omissão política”.
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