Envelhecimento da população impulsiona mercado óptico de R$ 28 bilhões
Mais de 53 milhões dos 106,5 milhões de óculos vendidos anualmente no Brasil seriam falsificados ou de origem irregular
O mercado óptico brasileiro combina crescimento do faturamento, mudanças demográficas e avanço tecnológico. Com mais de 71 mil óticas formais e cerca de 190 mil empregos, o setor enfrenta desafios relacionados à informalidade, à concorrência de produtos irregulares e à necessidade de adaptar as lojas ao comportamento dos consumidores. Em 2025, o segmento registrou crescimento de 4,1%, com faturamento estimado em R$ 28,1 bilhões, segundo levantamento setorial.
O envelhecimento da população e o aumento da miopia estão entre os fatores que sustentam a demanda por óculos e lentes corretivas. Ao mesmo tempo, o mercado passa por mudanças nos modelos de expansão, com lojas menores, integração entre canais de venda, uso de dados e incorporação de recursos tecnológicos aos produtos.
Envelhecimento da população amplia demanda por correção visual
O perfil demográfico brasileiro ajuda a explicar parte desse movimento. Em 2025, o país tinha 31,8 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 16,6% da população, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O avanço da idade aumenta a necessidade de correção de problemas visuais, como a presbiopia, condição que dificulta a focalização de objetos próximos. Nesse contexto, lentes multifocais e outros recursos ópticos atendem a uma demanda associada ao envelhecimento, enquanto a miopia amplia a procura por correção visual em diferentes faixas etárias.

Diferentemente de segmentos do varejo mais dependentes de compras ocasionais, o setor óptico também atende a necessidades de saúde. Isso não elimina os efeitos da renda, dos preços e do crédito sobre as vendas, mas acrescenta fatores estruturais à demanda por produtos e serviços de correção visual.
A expansão, porém, convive com a circulação de produtos falsificados ou comercializados irregularmente. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Ópticas (Abióptica), o país vende 106,5 milhões de óculos por ano, dos quais mais de 53 milhões seriam falsificados ou de origem irregular. As perdas estimadas para o setor chegam a R$ 11,43 bilhões anuais.
Lojas menores e dados do consumidor mudam planos de expansão
O crescimento do mercado não significa avanço uniforme ao longo do ano. No primeiro semestre de 2026, o setor óptico faturou R$ 14,07 bilhões, ante R$ 13,98 bilhões no mesmo período de 2025, uma alta de 0,7%. A desaceleração levou à revisão das projeções para o fechamento do ano, que passaram a considerar crescimento entre 1,8% e 3,9%, com faturamento estimado entre R$ 28,47 bilhões e R$ 29,07 bilhões.
Nesse contexto, a expansão depende cada vez mais da análise do potencial de cada região. O uso de dados dos consumidores ajuda a identificar localidades com demanda, enquanto fatores como renda, fluxo de pessoas, concorrência e custos de operação continuam relevantes para a escolha de novos endereços.

Outra mudança está no tamanho das lojas. Modelos compactos exigem menos espaço e podem reduzir o investimento inicial, permitindo alcançar cidades e bairros nos quais uma unidade convencional teria maior custo de implantação. A estratégia também abre espaço para adaptar o estoque e a estrutura ao perfil de consumo de cada localidade.
Tecnologia amplia as possibilidades do setor
A incorporação de tecnologia aos óculos amplia as possibilidades comerciais do segmento. Dispositivos inteligentes, por exemplo, combinam recursos digitais com o uso tradicional das armações, enquanto as lentes e os serviços de correção visual continuam atendendo às necessidades de saúde.
O avanço desse mercado também exige mudanças na experiência oferecida ao consumidor. As lojas passam a reunir diferentes funções, como apresentação de produtos, experimentação, atendimento e orientação sobre as opções disponíveis. A tecnologia, nesse cenário, pode influenciar tanto o desenvolvimento dos itens comercializados quanto a forma de atendimento.
A adaptação, porém, ocorre em um ambiente de crescimento moderado e pressão sobre os custos. O resultado do primeiro semestre de 2026 mostra que o faturamento permaneceu próximo ao registrado no ano anterior, apesar da expansão observada em 2025.
Para as empresas do segmento, a escolha dos pontos de venda, o controle dos investimentos e a capacidade de acompanhar as mudanças no consumo são fatores que influenciam a continuidade da expansão.
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