“Nada está garantido até a contagem dos votos”, diz Celina após apoio do PSD
Candidata à reeleição afirma que adesão reforça projeto para o DF, mas evita antecipar resultado e cita divergências dentro da legenda
A candidata à reeleição ao Governo do Distrito Federal, Celina Leão (PP), adotou tom de cautela ao comentar o apoio oficializado pelo PSD à sua candidatura. Após a saída de José Roberto Arruda da disputa, a legenda decidiu apoiar Celina, em uma movimentação que ocorre a poucos dias do primeiro turno. Apesar da adesão, a candidata afirmou que o resultado da eleição permanece em aberto e que a campanha seguirá concentrada no trabalho até o dia da votação.
“Quero manter os pés no chão e trabalhar com absoluta humildade. Otimismo excessivo antes do pleito pode ser uma postura arrogante. Como diz o ditado, a soberba precede a queda”, afirmou Celina.
O apoio do PSD foi formalizado na segunda-feira (28), após reunião entre a candidata e dirigentes da legenda na sede do partido. A decisão foi confirmada pelo presidente regional do PSD, Paulo Octávio, que afirmou a que a Executiva decidiu apoiar Celina depois que a candidata procurou o partido.
A movimentação ocorreu quatro dias depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrar, por 5 votos a 2, a candidatura de Arruda ao Palácio do Buriti. O ex-governador, que concorria pelo PSD, anunciou que não seguiria na disputa e afirmou que não apoiaria formalmente nenhum candidato.
Diante desse cenário, Celina disse que as adesões recebidas durante a reta final da campanha representam, segundo sua avaliação, um reconhecimento ao projeto que apresenta para o Distrito Federal.
“Seguimos trabalhando intensamente, e o apoio que temos recebido é fundamental porque valida a seriedade do nosso projeto. Quando alguém que estava alinhado a outro programa de governo decide acreditar na nossa proposta, isso demonstra que existe reconhecimento em relação ao trabalho que estamos apresentando”, declarou.
A candidata associou os apoios também aos resultados de sua gestão nos quatro meses em que está à frente do Palácio do Buriti, após assumir o cargo com a saída de Ibaneis Rocha para disputar uma vaga ao Senado.
“Esse apoio também atesta nossa responsabilidade e os resultados concretos que apresentamos nesses quatro meses de gestão. Mas isso não significa que a eleição esteja decidida. A vitória depende do trabalho, da união do grupo e daquilo que vamos continuar apresentando à população”, afirmou.
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Apoio do PSD e divergências internas
Embora a direção regional do PSD tenha oficializado a aliança com Celina, o movimento provocou divergências dentro da própria legenda. O ex-governador Arruda declarou que não apoiaria a candidata, enquanto Maria de Lourdes Abadia, candidata a deputada federal pelo PSD e integrante do grupo político ligado ao ex-governador, anunciou apoio a Paula Belmonte (PSDB).
A decisão de Abadia foi divulgada na segunda-feira (28), mesmo dia em que o PSD formalizou a aliança com Celina. Segundo a ex-governadora, a escolha por Paula ocorreu por afinidade com pautas defendidas pela candidata, entre elas desenvolvimento social, família e políticas voltadas aos idosos e às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Questionada sobre a mudança de posicionamento de Abadia, Celina afirmou que encara a situação sem confronto e classificou as movimentações como parte natural da política.
“Recebo essa mudança com absoluta serenidade. A democracia é dinâmica e natural. As pessoas podem fazer suas escolhas, e eu respeito isso. Se nem Jesus conseguiu manter a totalidade de seus discípulos, é compreensível que as movimentações políticas aconteçam”, afirmou.
Celina também evitou tratar a divergência como um problema para sua campanha.
“Encaro essa situação com naturalidade e tranquilidade. Cada pessoa tem o direito de fazer sua escolha, e nós vamos continuar trabalhando, respeitando as decisões individuais e mantendo o foco no nosso projeto”, declarou.
“Nada está garantido”
Ao comentar a chegada de novos apoios na reta final da eleição, Celina voltou a destacar que alianças políticas não representam, por si só, garantia de resultado nas urnas.
“Nada está garantido até a contagem dos votos. A eleição depende do nosso trabalho contínuo, da coesão do grupo e da capacidade de mostrar à população aquilo que queremos fazer pelo Distrito Federal”, disse.
A candidata afirmou que pretende utilizar a reta final para reforçar propostas relacionadas ao desenvolvimento econômico, à segurança pública e à prestação de serviços à população.
“Os apoios que estamos recebendo reforçam um compromisso com uma gestão eficiente, que valoriza o setor produtivo, prioriza a segurança e atende quem mais precisa. São pautas convergentes e voltadas ao desenvolvimento do Distrito Federal”, afirmou.
A declaração ocorre em um momento de reorganização das alianças após a retirada de Arruda da disputa. Pesquisa Datafolha divulgada em 28 de setembro, realizada entre os dias 22 e 24 — portanto, com parte do trabalho de campo antes da decisão do TSE — mostrou Celina com 42% das intenções de voto no cenário sem Arruda, enquanto Leandro Grass (PT) tinha 23%. O levantamento ouviu 910 eleitores, com margem de erro de três pontos percentuais e registro no TSE.
Já pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta terça-feira (29), com entrevistas realizadas entre 24 e 28 de setembro, também apresenta cenários após o julgamento do TSE. O levantamento ouviu 1.600 eleitores por telefone e internet, tem margem de erro de dois pontos percentuais e registro DF-04637/2026.
Apesar dos números divulgados pelos institutos, Celina evitou antecipar o resultado e reforçou a estratégia de manter a campanha ativa até a votação.
“Vamos chegar ao dia 4 com humildade, convicção e muito trabalho. Não existe eleição ganha antes da abertura das urnas. O nosso compromisso é continuar trabalhando e apresentando aquilo que acreditamos ser o melhor para o Distrito Federal”, concluiu.
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