Quais candidatos a senador vão desistir em favor de Gracinha?
Dois ex-ministros, um de Temer, outro de Bolsonaro, renunciaram à candidatura em SP para que os favoritos de seu grupo não percam para duas petistas, enquanto em Goiás está no cada um por si e o eleitor contra todos, havendo o risco de o favoritismo virar pó, com 4 milhões de votos desperdiçados para o Senado
Ricardo Salles é deputado federal por São Paulo e foi ministro de Meio Ambiente no governo de Jair Bolsonaro. Ronaldo Fonseca teve dois mandatos na Câmara dos Deputados por Brasília. Ambos disputavam, por Novo e PSD, as vagas paulistas no Senado. Nesta segunda-feira (28), resolveram apoiar colegas do mesmo grupo político que concorrem com mais chance, o deputado federal Guilherme Derrite (PP) e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL). Vão pela ideologia. Em Goiás não há sequer notícia de alguém ter sido capaz de gesto tão grandioso. Seria o caso de a chapa oficial, encabeçada pelo governador Daniel Vilela (MDB), corrigir o erro que pode colocar em risco o favoritismo da ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil).
Desde o início da formatação das candidaturas, Gracinha e seu marido, o então governador e hoje presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), avaliam que o mais prudente seria lançar dois senatoriáveis de seu grupo. Não precisa ir longe para dar o exemplo, ocorrem na eleição anterior com os mesmos companheiros do casal Caiado, quatro insistiram até o fim na disputa pela única vaga, Alexandre Baldy (PP), Delegado Waldir (UB) e Vilmar Rocha (PSD). Waldir, então deputado federal, consultou o Tribunal Superior Eleitoral sobre as múltiplas candidaturas de cada chapa. O resultado, que serviu para o País inteiro, foi permitir a multiplicidade de nomes sob um mesmo governadoriável. Para evitar briga, Ronaldo Caiado pacificou a turma após a decisão do TSE e o trio foi às urnas.
Resultado: os três perderam. Ganhou Wilder Morais (PL), candidato único de seu grupo, com candidatos ao governo (Vitor Hugo) e à Presidência da República (Jair Bolsonaro). Marconi Perillo (PSDB), favoritaço durante a pré e a campanha, ficou em 2º por não ter palanque estadual nem nacional. O trio parada dura, Baldy-Waldir-Vilmar, apesar de seu governador se reeleger sem necessidade de 2º turno, perdeu até o caminho de Aragoiânia. Errar uma vez é normal, duas vezes é burrice e ambas para um cargo majoritário nacional é coisa para antas com orelhas de coelho e rapidez de tartaruga. Era até para ter mais uma dupla tentando o Senado sob a asa de Daniel, Baldy (de novo) e Gustavo Gayer (PL), mas o 1º está de suplente de Gracinha e outro viu sua articulação se frustrar.
Ainda está em tempo de essa turma desistir
Ainda está em tempo de essa turma desistir e anunciar apoio a Gracinha, só que parece mais fácil ir à Lua a pé. Os outros três são Gustavo Mendanha (PRD), Vanderlan Cardoso (PSD) e Zacharias Calil (MDB). Quais desses poderiam apoiar Gracinha se nem o mais fácil estão fazendo, que é colocar o nome dela em seu material como 2º voto? Burrice não dispõe de limite, ainda menos quando o sujeito é asnático (asmático é outro pessoal, com enfermidade séria, não provocada por ingratidão). Preferem perder e colocar em risco o projeto do grupo a ter a humildade de dizer para o casal Caiado: “Nós dois [entre os três] estamos aqui para reconhecer que nada temos a fazer no Senado mais significativo do que vocês fizeram por nós, até porque nossa chance é remota, primeiro de ganhar e segundo de, em caso de vitória, representar bem o Estado. Por isso, estamos fora e vamos pedir voto para a Dona Gracinha e [nome do Fulano que sobrar]”.
Vanderlan já é senador, Calil é deputado federal e Mendanha foi prefeito de Aparecida. Portanto, nenhum ex-ministro de Estado. Vanderlan tinha chance zero de se reeleger, já que para chegar ao atual posto usou do prestígio de Baldy como ministro das obras inacabadas de que Temer cuidou após o fracasso de Dilma Rousseff, além dos recursos enviados pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Mendanha foi 2º colocado em 2022, perdendo para Caiado, que foi o grande eleitor na recente eleição de prefeito de Aparecida na virada de Leandro Vilela sobre Professor Alcides (então no PL, agora no PSDB). Se dois deles saírem, fica mais provável o governo eleger dois.
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A situação atual é de salve-se quem puder
A situação atual é de salve-se quem puder. Os candidatos não estão ensinando o eleitor sobre as duas vagas no Senado, o que deve piorar o desperdício de votos. Digitar duas vezes para o mesmo cargo é tão esdrúxulo que o pessoal acaba desistindo e anula. Em 2022, eram possíveis 8.928.526 votos (2 para cada eleitor) ao Senado e só se aproveitaram 5.517.329, um desperdício de 3.411.197 votos, faltaram 48.077 para o dobro do 1º colocado, que foi Vanderlan. Quem não vai à seção eleitoral, ou anula, ou vota em branco, é o fiel da balança, tornando inseguras as projeções para 1º ou 2º voto, 1º e 2º lugar. A candidatura pode dormir favorita e acordar em 3º. Em 2018, Marconi dormiu favorito e acordou em 5º.
Nesta semana, quem tem de despertar é o governador Daniel Vilela. Conforme O HOJE já alertou, se os 4 milhões votos que caminham para o desperdício forem aproveitados, até Oséias Varão (PL) e Isaura Lemos (PSB) podem virar. Gracinha, que está em 1º lugar em todas as pesquisas, vai ganhar com grande diferença para o 2º colocado e é provável que tenha mais votos para o Senado em Goiás que o marido para presidente no País. Ótimo. Nem imagine se der zebra, pois se acontecer qualquer coisa que tire Gracinha da vitória, quem vai pagar pela derrota é Daniel. De seus 40 anos de política, Caiado ficou 33 na oposição, conhece malandro a mil léguas submarinas de distância, já superou todo tipo de traíra. O jornal também já deu o diagnóstico: se Daniel for para o 2º turno sem Gracinha estar comemorando o triunfo para o Senado, serão os últimos dias dele no Palácio, mais solitário que Taenia solium em cabeça de funkeiro.
Vanderlan, Zacharias e Mendanha continuam na luta
Em São Paulo, Ricardo Salles e Ronaldo Fonseca priorizaram a vitória do grupo, agora mais provável contra as candidatas que o presidente Lula levou para São Paulo limpando o Centro-Oeste (Simone Tebet é do Mato Grosso) e o Norte (Marina Silva é do Acre). Vanderlan Cardoso, Zacharias Calil e Gustavo Mendanha continuam na luta. Têm chances? Claro, com quase 4 milhões de votos caminhando para o desperdício, até Iure Castro (Cidadania) e Ernesto Roller (PSDB) estão no jogo. Porém, não é assim que se trata quem tirou do poder o antes invencível Marconi Perillo e deu nova vida ao MDB, aceitando Daniel do jeito que ele estava, com meia dúzia de surras seguidas para o governo, sem eleger senador desde 2002 (o último do partido havia sido seu pai, Maguito Vilela, em 1998) e com a única tribuna sendo a gravação de vídeos toscos com argumentos tosquíssimos. Sem Caiado e Gracinha, seria tosquiado. (Especial para O HOJE)
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