Turismo cobra mais espaço e estrutura do Governo de Goiás
Entidades apontam perda de força institucional, mudanças na estrutura técnica e redução de ações de promoção
O turismo goiano cobra mais espaço e estrutura dentro da política estadual. Uma carta aberta encaminhada ao governador Daniel Vilela (MDB) reúne entidades, empresários, pesquisadores e profissionais do setor em defesa de mudanças na condução das políticas públicas para a atividade. Entre as principais reivindicações estão a criação de uma Secretaria de Estado do Turismo, o fortalecimento das equipes técnicas e uma política de promoção e planejamento de longo prazo.
Divulgado em 27 de setembro, Dia Nacional do Turismo e do Turismólogo, o documento aponta problemas que, segundo as entidades, têm afetado a capacidade de Goiás de planejar e promover seus destinos. Entre as preocupações estão a redução da presença institucional do Estado em feiras e ações de promoção turística, o direcionamento de recursos para projetos pontuais e mudanças nas equipes técnicas da Goiás Turismo.
Outro ponto de preocupação é o Observatório do Turismo. As entidades afirmam que a estrutura, responsável pela produção de pesquisas, indicadores e informações sobre o setor, teria perdido força. Para os representantes, a redução da capacidade de produzir dados pode dificultar o planejamento de municípios e empresas e comprometer decisões sobre investimentos, promoção e qualificação.
Para o setor, o turismo precisa ser tratado como uma política estratégica de desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental. As entidades cobram maior integração com áreas como tecnologia, inovação, cultura, economia criativa, artesanato, empreendedorismo e sustentabilidade.
Na avaliação apresentada no documento, os municípios turísticos precisam de uma atuação estadual que vá além de ações isoladas. Estradas, energia, qualificação profissional, infraestrutura, preservação ambiental e serviços também são apontados como fatores que interferem na capacidade de receber visitantes e gerar emprego e renda.
A menor presença do Estado em feiras e eventos também é alvo de preocupação. As entidades afirmam que a redução dessas ações pode prejudicar a divulgação dos destinos e a atração de visitantes e negócios. O setor defende uma estratégia contínua de promoção, com planejamento e critérios técnicos.
Entidades cobram secretaria exclusiva
A principal proposta apresentada ao governador é a criação de uma Secretaria de Estado do Turismo, com autonomia administrativa, orçamento compatível e estrutura técnica. As entidades avaliam que uma pasta específica poderia dar maior continuidade às políticas públicas, ampliar a capacidade de planejamento e fortalecer ações de promoção, estruturação dos destinos, qualificação e atração de investimentos.
A reivindicação ocorre enquanto Daniel Vilela também apresentou propostas para o turismo durante a campanha. Em 25 de setembro, em uma agenda em Pirenópolis, o candidato à reeleição defendeu mecanismos para ampliar linhas de crédito destinadas às cidades turísticas e investimentos em mobilidade, duplicação de rodovias, infraestrutura energética e outras ações de fomento.
A fala coloca o turismo entre as áreas apresentadas pelo candidato como estratégicas para o desenvolvimento do Estado, mas as entidades agora cobram uma discussão mais ampla sobre a estrutura responsável pela formulação e execução dessas políticas.
A carta também defende maior participação das mulheres nos espaços de decisão do setor. Entre os participantes estão Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Goiás (ABIH-GO), Associação Brasileira de Agências de Viagens de Goiás (ABAV-GO), Goiânia Convention & Visitors Bureau, Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABBTUR) e Sindicato dos Guias de Turismo do Estado de Goiás, além de profissionais, empresários, pesquisadores, professores e estudantes.
Caráter propositivo
Apesar das críticas, os representantes afirmam que a carta tem caráter propositivo e defendem o diálogo com o governo. A intenção é reunir poder público, municípios, universidades e iniciativa privada em torno de uma política estadual permanente.
A reportagem entrou em contato com a Goiás Turismo para questionar os apontamentos feitos pelas entidades sobre a estrutura técnica do órgão, a participação em feiras e ações de promoção e o funcionamento do Observatório do Turismo. Também foi solicitada manifestação à Secretaria-Geral de Governo (SGG) sobre a proposta de criação de uma Secretaria de Estado do Turismo e possíveis mudanças na estrutura administrativa para fortalecer o setor. Até a publicação desta matéria, não houve retorno aos questionamentos enviados.
Leia mais aqui:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.