Após 14 anos, caso Davi Sebba termina com duas condenações e uma absolvição em Goiânia
Três policiais foram julgados pela morte do advogado, ocorrida em Goiânia em 2012
Após dois dias de julgamento, os três policiais suspeitos da morte do advogado Davi Sebba foram julgados. O júri, que teve início na manhã de quinta-feira (1º), terminou nesta sexta-feira (2), após 14 anos do crime, com duas condenações e uma absolvição.
Jonathas Atenevir Jordão, apontado como autor dos disparos, foi condenado por homicídio qualificado e absolvido do crime de porte de arma, no quesito genérico.
Edinailton Pereira de Souza, acusado de participação, foi condenado por homicídio simples e porte de arma. A pena foi de 10 anos.
Já Luiz Frederico de Oliveira, também acusado de participação, foi absolvido no quesito genérico em relação ao homicídio e absolvido por negativa de autoria quanto ao porte de arma.
Relembre a morte de Davi Sebba
O advogado Davi Sebba foi morto aos 38 anos, em Goiânia, no dia 5 de julho de 2012. Ele estava no estacionamento de um supermercado quando foi abordado e morto pelos policiais.
Os agentes foram indiciados por homicídio qualificado, fraude processual, porte ilegal de arma de uso restrito e disparo de arma de fogo.
Os três policiais foram denunciados pelo Ministério Público de Goiás pelos mesmos crimes. Entretanto, em 2017, o tenente Ednailton Pereira de Souza e o sargento Luiz Frederico de Oliveira foram absolvidos de todos os crimes pelos quais respondiam, enquanto o soldado da Polícia Militar Jonathas Atenevir Jordão foi mandado a júri popular.
Na época, o magistrado defendeu que o fato de os policiais estarem juntos não significava conluio nem repartição de tarefas para a prática de qualquer crime. Na sentença, o juiz afirmou que não havia “indício razoável” que apontasse que Edinailton e Luiz Frederico tivessem “efetivamente auxiliado, incentivado ou instigado a que o autor do disparo, que atingiu, feriu e matou a vítima, o fizesse”.
Entretanto, em março de 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás julgou quatro recursos contra o julgamento de 2017: dois da assistência de acusação, um do Ministério Público e um da defesa do PM Jonathas Atenevir, que havia sido mandado a júri popular por homicídio simples.
Em abril do mesmo ano, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás aceitou, por unanimidade, o recurso que apontava que o advogado havia sido morto sem possibilidade de defesa.
Na época, o irmão de Davi Sebba, Pedro Ivo, afirmou que a decisão trouxe um alento à família.
“O longo tempo de espera agrava ainda mais os nossos sentimentos de tristeza, revolta e injustiça. A família foi desestruturada com a retirada brutal e inesperada de Davi de nossa convivência. O pequeno Gabriel Davi, filho órfão que Davi não pôde conhecer, passará sempre o seu aniversário no mesmo dia da morte do pai”, desabafou o irmão.
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