quinta-feira, 1 de outubro de 2026
JÚRI APÓS 14 ANOS

Após 14 anos, policiais são julgados pela morte do advogado Davi Sebba em Goiânia

Davi Sebba Ramalho foi morto aos 38 anos, em julho de 2012; três policiais militares são julgados pelo crime nesta quinta-feira (1º), com previsão de encerramento do júri na sexta-feira (2)

Micael Mourapor em
Davi Sebba
Foto: Reprodução

Após 14 anos da morte do advogado Davi Sebba Ramalho, três policiais militares acusados de envolvimento no crime começaram a ser julgados pelo Tribunal do Júri, em Goiânia, nesta quinta-feira (1º). A previsão é de que o julgamento termine nesta sexta-feira (2). Na época do crime, a Polícia Militar alegou que os agentes haviam sido informados de que o advogado estaria no estacionamento de um supermercado para se encontrar com um comprador de drogas.

Respondem ao processo o tenente Ednailton Pereira de Souza, o sargento Luiz Frederico de Oliveira e o soldado Jonathas Atenevir Jordão. Os três são julgados por homicídio.

Davi Sebba Ramalho foi morto aos 38 anos, no dia 5 de julho de 2012, no estacionamento de um supermercado, na região da Avenida T-9, em Goiânia.

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Foto: Micael Moura/ O HOJE

Segundo o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), 11 das 16 testemunhas convocadas haviam sido ouvidas durante o julgamento. Outras quatro ainda deveriam prestar depoimento, enquanto uma testemunha foi dispensada pela defesa. A expectativa era de que os acusados também fossem interrogados ainda nesta quinta-feira.

Agente da PF presta depoimento

O jornal O HOJE acompanhou o julgamento. Nesta quinta-feira (1º), prestou depoimento Rômulo Mendonça Bailão, agente da Polícia Federal que atuou durante 17 anos na área de inteligência policial.

Durante o depoimento, Rômulo afirmou conhecer um dos policiais envolvidos no caso.

O agente também falou sobre a parceria institucional entre as forças de segurança e explicou por que a Polícia Militar foi acionada na ocorrência. Segundo o depoimento, a PM teria sido chamada porque possui atribuição para realizar prisões e abordagens no local.

De acordo com o policial, os agentes haviam recebido a informação de que Davi estaria ligado a uma associação criminosa relacionada ao tráfico de drogas.

Irmão de Davi espera condenação dos policiais

Ao g1, Pedro Ivo, irmão do advogado, contou que o julgamento dos acusados pela morte de Davi é um dos momentos mais esperados pela família. Pedro afirmou ainda que os policiais devem ter o direito de se defender, mas disse esperar que sejam condenados.

“Depois de 14 anos estamos, hoje, iniciando esse julgamento que eu espero que ocorra da forma mais justa possível, e que, inclusive, os acusados tenham chance de se defender, coisa que o meu irmão não teve. Mas que, ao final, todos os três policiais sejam condenados por todos os crimes que eles cometeram”, argumentou o irmão.

Esposa de policial acusado acompanha julgamento

A esposa do soldado Jonathas Jordão, Isadora Jordão, também esteve presente no julgamento na manhã desta quinta-feira (1º).

Ao g1, ela afirmou que espera que a Justiça seja feita e que a inocência do marido seja demonstrada.

“O meu marido saiu de casa pra trabalhar, ele não saiu de casa pra executar ninguém, ele não saiu de casa pra cometer nenhum tipo de crime, ele saiu de casa a trabalho, a serviço da Polícia Militar do estado de Goiás. Então, nós esperamos em Deus que hoje a inocência dele e a justiça de Deus seja feita sobre a vida dele e sobre a nossa família”, declarou.

Histórico do caso

Os agentes foram indiciados por homicídio qualificado, fraude processual, porte ilegal de arma de uso restrito e disparo de arma de fogo. Os três policiais também foram denunciados pelo Ministério Público de Goiás pelos mesmos crimes.

Em 2017, o tenente Ednailton Pereira de Souza e o sargento Luiz Frederico de Oliveira foram absolvidos de todos os crimes pelos quais respondiam. Já o soldado da Polícia Militar Jonathas Atenevir Jordão foi mandado a júri popular.

Na época, o magistrado defendeu que o fato de os policiais estarem juntos não significava conluio nem repartição de tarefas para a prática de qualquer crime. Na sentença, o juiz argumentou que não havia “indício razoável”, com a substancialidade juridicamente exigida, que apontasse que Ednailton e Luiz Frederico tivessem “efetivamente auxiliado, incentivado ou instigado a que o autor do disparo, que atingiu, feriu e matou a vítima, o fizesse”.

Em março de 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás julgou quatro recursos relacionados ao julgamento de 2017: dois da assistência de acusação, um do Ministério Público e um da defesa do PM Jonathas Atenevir Jordão, que havia sido mandado a júri popular por homicídio simples.

Em abril do mesmo ano, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás acolheu, por unanimidade, o recurso que apontava que o advogado havia sido morto sem possibilidade de defesa.

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