quinta-feira, 22 de outubro de 2026
NO BANCO DOS RÉUS

Três policiais vão a júri por morte do advogado Davi Sebba em Goiânia

Julgamento começa nesta quinta-feira (1º), 14 anos após o crime, e deverá continuar na sexta-feira (2)

Bia Salespor em
Três policiais vão a júri por morte do advogado Davi Sebba em Goiânia
(Foto: Reprodução)

Dois policiais militares e um ex-integrante da corporação começam a ser julgados nesta quinta-feira (1º) pela morte do advogado Davi Sebba, que aconteceu há 14 anos em Goiânia. A sessão do Tribunal do Júri está prevista para continuar na sexta-feira (2).

São réus o tenente da Polícia Militar Edinailton Pereira de Souza, o sargento Luiz Frederico de Oliveira e o ex-policial militar Jonathas Atenevir Jordão.

Os três respondem por homicídio doloso qualificado pelo uso de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima. O processo também inclui acusações relacionadas a fraude processual, porte ilegal de arma com a numeração raspada, disparo de arma de fogo e usurpação de função pública.

Morte ocorreu em estacionamento

Davi Sebba morreu no dia 5 de julho de 2012, após ser atingido por um tiro no peito no estacionamento de um supermercado da Vila União, na capital. Ele tinha 38 anos. O advogado havia saído para comprar itens para o nascimento do primeiro filho, que nasceu poucas horas depois da morte do pai.

Na época, Davi era monitorado pela Polícia Federal em uma investigação sobre tráfico de drogas. A família sempre negou que ele tivesse envolvimento com atividades criminosas. Segundo as investigações, nenhuma droga foi encontrada no carro ou na residência do advogado. O inquérito apontou que os policiais teriam montado uma emboscada e alterado a cena do crime após o disparo.

A Polícia Civil também sustentou que a arma localizada dentro do automóvel teria sido colocada no local pelos envolvidos. A perícia não encontrou resíduos de pólvora nas mãos de Davi nem impressões digitais adequadas para confronto na arma.

Policiais alegaram reação durante abordagem

Os acusados apresentaram uma versão diferente. Segundo os relatos prestados pelos policiais, Davi teria reagido à abordagem e buscado um objeto dentro do veículo. Um dos agentes afirmou ter acreditado que o objeto fosse uma arma e efetuou o disparo. Os policiais também disseram que o advogado tentou deixar o estacionamento com o carro, atingindo estruturas existentes no local.

As defesas contestaram as conclusões da investigação e questionaram a tese de que os réus teriam planejado a morte. No julgamento, poderão sustentar novamente a absolvição e apresentar suas versões aos jurados.

Caso passou por recursos

Inicialmente, uma decisão de primeira instância havia afastado o julgamento por homicídio doloso. A assistência de acusação recorreu, e o Tribunal de Justiça de Goiás determinou que o caso fosse analisado pelo Tribunal do Júri. A decisão foi tomada pela 1ª Câmara Criminal do TJGO e mantida depois da apresentação de recursos.

O júri havia sido marcado para os dias 3 e 4 de setembro, mas foi adiado para 1º e 2 de outubro por necessidade de readequação da pauta.

OAB acompanha julgamento

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás informou que acompanhará presencialmente a sessão por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas e da Comissão Especial de Defesa do Tribunal do Júri. Em nota, a entidade afirmou que o julgamento é aguardado pelos familiares, pela advocacia e pela sociedade. A OAB-GO também ressaltou a importância do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório.

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