Lula admite frustração com 1º turno e mira nova campanha
Presidente reconheceu que esperava vencer a disputa nesta etapa e destacou os próximos passos da campanha para o segundo turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (4) que esperava vencer a eleição presidencial ainda no primeiro turno, mas disse que a disputa será retomada a partir desta segunda-feira (5). Após o resultado das urnas, Lula destacou a necessidade de apresentar ao eleitor as diferenças entre os projetos que estarão no segundo turno.
“Eu confesso para vocês que eu estava convencido que eu ia ganhar a eleição no primeiro turno. Mas eu também já pensei isso outras vezes”, afirmou.
Lula citou outras eleições em que esperava vencer na primeira etapa e não conseguiu. O presidente mencionou as disputas contra Geraldo Alckmin e José Serra, além de outras eleições presidenciais das quais participou.
Segundo Lula, a segunda etapa permitirá uma comparação mais direta entre os candidatos. “O segundo turno é a hora da prova dos nove. É a hora da gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer”, declarou.
Lula fala em nova campanha a partir desta segunda
Durante o pronunciamento, Lula afirmou que a campanha será reiniciada com apenas dois candidatos na disputa. A estratégia, segundo o presidente, será apresentar as propostas e comparar os projetos para o país.
“A partir de amanhã, a gente começa uma nova campanha. Uma campanha em que apenas entre dois candidatos a gente vai poder mostrar a diferença entre as propostas que existem para o Brasil”, disse.
Lula também destacou a experiência administrativa de sua chapa. O presidente citou a trajetória de Geraldo Alckmin, atual vice-presidente, e apresentou os próprios governos como referência para a disputa.
“Primeiro, é simples escolher o candidato a presidente e o vice. O Alckmin, com 16 anos de experiência de governar o estado mais rico do país, e eu com 12 anos de experiência de fazer a melhor política de inclusão social da história desse país”, afirmou.
Na sequência, Lula fez críticas ao adversário e mencionou investigações, milícias, crime organizado e episódios relacionados à violência no Rio de Janeiro. As afirmações foram apresentadas pelo presidente como pontos que deverão ser explorados durante a campanha do segundo turno.
“Tudo isso vai ficar claro, mas mais claro para mim e para o Alckmin é a gente mostrar que Brasil que a gente quer construir”, afirmou.
Educação, indústria e saúde entram no discurso
Lula também apresentou áreas que pretende priorizar caso permaneça no comando do país. A educação apareceu como um dos principais pontos do discurso.
O presidente afirmou que pretende manter investimentos em universidades, pesquisa, tecnologia e institutos federais. Lula também citou o ensino médio e o programa Pé-de-Meia.
“Vamos universalizar o Pé-de-Meia para garantir que nenhum jovem desista do ensino médio nesse país”, declarou.
Lula também afirmou que pretende ampliar a oferta de ensino em tempo integral. Segundo o presidente, a educação será utilizada como uma das principais ferramentas para ampliar a capacidade produtiva e tecnológica do Brasil.
Na área econômica, Lula citou a política industrial e mencionou o programa Nova Indústria Brasil. O presidente afirmou que a iniciativa envolve financiamento de cerca de R$ 725 bilhões.
A produção nacional de medicamentos também apareceu entre as prioridades apresentadas. Lula defendeu investimentos no setor farmacêutico e afirmou que pretende ampliar a capacidade brasileira de produzir medicamentos considerados essenciais.
Na saúde, o presidente citou ainda o fortalecimento da Farmácia Popular e do Sistema Único de Saúde (SUS).
Lula cita responsabilidade fiscal e pede participação no voto
Outro ponto abordado no discurso foi a política fiscal. Lula afirmou que seu governo teve períodos de superávit primário e citou a obtenção do grau de investimento durante suas gestões anteriores.
“É importante lembrar que foi nos meus mandatos que o Brasil fez superávit primário durante oito anos do meu governo”, afirmou.
O presidente também defendeu responsabilidade na condução das contas públicas. “A gente não pode gastar aquilo que a gente não tem e a gente não pode fazer dívida que a gente não pode pagar”, disse.
Ao mesmo tempo, Lula afirmou que eventuais medidas de controle fiscal não devem atingir a população mais pobre.
“Não haverá política de corte fiscal capaz de prejudicar as pessoas pobres desse país”, declarou.
No fim do discurso, Lula abordou a abstenção registrada no primeiro turno. O presidente afirmou que milhões de eleitores não compareceram às urnas e fez um apelo para que esse público participe da segunda etapa.
“Nós vamos fazer um apelo para que as pessoas saibam que nesse momento histórico do Brasil o voto é necessário para a gente definir o futuro desse país”, afirmou.
Lula também voltou a brincar com o fato de ter disputado o segundo turno em diferentes eleições. “Eu sou muito bom no mata-mata, no tête-à-tête”, disse.
A segunda etapa da eleição presidencial será disputada entre Lula e o candidato que avançou em segundo lugar na votação deste domingo (4).
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