Gustavo Gayer e Gracinha Caiado são eleitos nas duas vagas ao Senado em Goiás
Deputado do PL liderou votação, enquanto ex-primeira-dama garantiu segundo lugar em disputa marcada pela divisão de candidaturas da base governista e força do bolsonarismo
Bruno Goulart
O deputado federal Gustavo Gayer (PL) e a ex-primeira-dama de Goiás, Gracinha Caiado (União Brasil), foram eleitos senadores por Goiás neste domingo (4). O bolsonarista terminou a disputa em primeiro lugar, com 1.639.247 votos, o equivalente a 24,53% dos votos válidos. Gracinha ficou com a segunda vaga, ao receber 1.458.522 votos, ou 21,83%. Os dois ocuparão cadeiras no Senado Federal a partir de fevereiro de 2027 para mandatos de oito anos, ao lado do candidato derrotado ao Governo de Goiás, senador Wilder Morais (PL), que permanecerá por mais quatro anos.
O resultado consolida a presença de dois grupos políticos com influência no cenário goiano. De um lado, Gayer representa o eleitorado identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a oposição ao governo federal. De outro, Gracinha chega ao Congresso com o respaldo da estrutura política construída pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), seu marido, e com a experiência acumulada em ações sociais durante a administração estadual.
Em terceiro lugar, ficou o deputado federal Zacharias Calil (MDB) que obteve 998.319 votos (14,94%), seguido do vereador por Goiânia, Oséias Varão (PL), com 676.930 votos (10,13%); do senador Vanderlan Cardoso (PSD), com 633.848 (9,49%); do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha (PRD), com 578.418 votos (8,66%). Fecham a lista Isaura Lemos, do PSB, registrou 348.290 votos (5,21%), Cintia Dias, do PSOL, 288.637 votos (4,32%), Ernesto Roller, do PSDB, 28.927 votos (0,43%), Iure Castro, do Cidadania, 23.714 votos (0,35%) e Guilherme Darques, do UP, 7.147 votos (0,11%).
Os eleitos
A campanha da ex-primeira-dama se apoiou na avaliação positiva da gestão de Ronaldo Caiado e na visibilidade conquistada por meio de programas sociais. À frente de iniciativas voltadas à população em situação de vulnerabilidade, Gracinha ampliou sua participação em agendas públicas e construiu uma imagem política própria. A candidatura, contudo, enfrentou divergências dentro do grupo governista. No início da corrida eleitoral, Gracinha protagonizou um desentendimento com Gustavo Mendanha, a quem acusou de estar por trás da circulação de conteúdos ofensivos contra a senatoriável do UB nas redes sociais.
Já Gayer construiu sua trajetória política com forte presença nas redes sociais e alinhamento ao bolsonarismo. Em 2022, foi eleito deputado federal por Goiás com 200.586 votos, a segunda maior votação do Estado, atrás apenas de Silvye Alves (UB). Na Câmara dos Deputados, Gayer fortaleceu sua atuação na oposição ao presidente Lula da Silva (PT), com críticas frequentes ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na campanha ao Senado, defendeu pautas como a segurança pública, as liberdades individuais e a redução de impostos.
A chegada de Gracinha e Gayer ao Senado deve ampliar a articulação da direita em Brasília. Entre as principais pautas da atuação dos dois estão ações de oposição a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como a defesa de processos de impeachment. (Especial para O HOJE)
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