Obras de Vik Muniz chegam à Goiânia com a exposição “Dinheiro Vivo”
Mostra abre nesta terça-feira (6), em Goiânia, com 13 trabalhos produzidos a partir de notas retiradas de circulação pela Casa da Moeda
O dinheiro ganha novos significados nas mãos de Vik Muniz, artista brasileiro reconhecido internacionalmente por criar imagens a partir de materiais inusitados e do cotidiano. A partir de fragmentos de cédulas descartadas pela Casa da Moeda do Brasil, o artista criou uma série de trabalhos que transforma o papel-moeda em matéria-prima para a construção de imagens de animais e paisagens brasileiras. A produção surgiu a partir de seu envolvimento com o processo de recuperação do Museu Nacional, após o incêndio de 2018.
Parte dessa produção poderá ser vista em Goiânia a partir de 6 de outubro, na exposição “Vik Muniz – Dinheiro Vivo”, que será recebida pela Galeria Léo Romano, no Setor Sul. A abertura será realizada às 19h, a visitação é gratuita e segue até 31 de janeiro de 2027.
Com curadoria de Daniel Rangel, a exposição reúne 13 trabalhos da série iniciada por Vik Muniz em 2022, a partir de folhas de cédulas que apresentavam imperfeições e foram retiradas de circulação pela Casa da Moeda para serem trituradas e recicladas.
O contato do artista com esse material surgiu durante uma visita à Casa da Moeda, realizada no contexto de seu trabalho relacionado ao incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Na ocasião, Muniz conheceu o processo de fabricação das cédulas e soube que folhas com imperfeições eram destinadas à trituração. A instituição ofereceu parte desse material ao artista, que passou a utilizá-lo como matéria-prima.
“Dinheiro, dentro de todos os veículos de troca simbólica que usamos, como uma imagem, é a mídia mais objetiva, mais direta. Sempre vi o dinheiro como meio de comunicação”, afirma Vik Muniz.
Entre animais e paisagens brasileiras
“Dinheiro Vivo” é dividida em dois núcleos. No primeiro, Vik Muniz utiliza os próprios animais representados nas cédulas brasileiras como referência para construir as imagens. Em Goiânia, serão apresentados trabalhos como “Mico-leão-dourado”, “Arara”, “Garça”, “Garoupa”, “Lobo-guará” e “Onça-pintada”, todos produzidos em 2022.
O artista estabeleceu uma regra para a criação dessas obras: cada animal é construído exclusivamente com fragmentos da cédula em que aquela espécie está representada. Assim, o lobo-guará é formado com partes da nota de R$ 200, enquanto a garça é construída a partir de fragmentos da cédula de R$ 5.
No segundo núcleo, os fragmentos de papel-moeda são utilizados para reconstruir paisagens brasileiras inspiradas em imagens produzidas por artistas viajantes do século 19. Entre os trabalhos estão “Serra Ouro Branco, a partir de Johann Moritz Rugendas” (2022), “Praia Rodrigues, a partir de Johann Moritz Rugendas” (2022), “Vista da costa da Bahia, a partir de Johann Moritz Rugendas” (2022), “Lagoa Rodrigo de Freitas, a partir de Franz Keller Leuzinger” (2023) e “Paisagem no interior da mata tropical no Brasil com figuras, a partir de Johann Moritz Rugendas” (2024).
A construção dessas obras também impôs desafios técnicos ao artista. Um deles foi encontrar a tonalidade verde necessária para representar a vegetação das paisagens. A cor aparece apenas na cédula de R$ 20, o que tornou o processo de seleção e composição dos fragmentos ainda mais trabalhoso.
Além das referências históricas, os trabalhos também permitem leituras relacionadas à preservação ambiental, tanto pela presença de animais e paisagens brasileiras quanto pela própria matéria-prima utilizada nas obras, produzida a partir de papel.
Nara Roesler amplia presença em Goiânia
A chegada de “Dinheiro Vivo” à Galeria Léo Romano integra um programa expositivo temporário da Nara Roesler em Goiânia, desenvolvido no ano em que a galeria celebra 50 anos de atuação. A iniciativa foi construída a partir do diálogo com colecionadores, instituições e agentes culturais locais e busca ampliar a circulação de artistas representados pela galeria e fortalecer sua relação com a cena cultural da cidade.
Parte dessa programação acontece na Galeria Léo Romano, a partir de um convite feito pela Entrearte à Nara Roesler. Além da exposição de Vik Muniz, outros espaços da galeria receberão obras do acervo da Nara Roesler, reunindo nomes importantes da arte brasileira e internacional, como Abraham Palatnik, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Lucia Koch, Julio Le Parc e Rodolpho Parigi, entre outros.
A relação da Nara Roesler com a produção artística de Goiás também possui uma trajetória anterior. Ainda nos primeiros anos de sua atuação em Pernambuco, a galerista apresentou trabalhos de Siron Franco. Em 1987, já em São Paulo, a galeria exibiu obras da série “Goiânia Rua 57”, criada pelo artista em resposta ao acidente com césio-137. Em 2000, Siron apresentou na Nara Roesler São Paulo a exposição “Casulos”, sua primeira mostra dedicada às esculturas.
A iniciativa em Goiânia também retoma um princípio presente na trajetória da galerista de aproximar diferentes contextos, artistas e públicos. “O Brasil é enorme. É muito diferente de norte a sul, das pequenas comunidades às grandes cidades. Quando comecei minha carreira de galerista representando José Cláudio no Recife, em 1976, meu desejo era conectar esses Brasis”, afirma Nara Roesler.
Galeria de Artes Léo Romano recebe Vik Muniz
Inaugurada em julho de 2026, no Setor Sul, a Galeria Léo Romano reúne arte, arquitetura e design em um espaço distribuído p
or três pavimentos. O projeto é conduzido pelo arquiteto e designer Léo Romano, que possui formação em Artes Visuais, Design de Interiores, Arquitetura e Urbanismo e mestrado em Artes.
À frente do Instituto Léo Romano desde 1996, o arquiteto construiu uma trajetória marcada pelo diálogo entre diferentes linguagens. A nova galeria nasce desse mesmo percurso e amplia sua atuação para a circulação de obras e artistas.
Para o arquiteto, receber uma exposição de Vik Muniz representa a possibilidade de aproximar o público goiano da produção de um dos artistas brasileiros de maior reconhecimento internacional.
“Minha primeira formação foi em artes plásticas, antes da arquitetura, e talvez venha daí essa inquietação que me acompanha, da necessidade de continuar começando, de me colocar diante do que ainda não conheço, de procurar outros modos de ver. Acredito profundamente que a arte de qualidade precisa circular, provocar, aproximar-se das pessoas. Trazer para Goiânia artistas brasileiros e internacionais é também ampliar o nosso horizonte e criar possibilidades de diálogo com o mundo”, afirma Léo Romano.
A primeira exposição realizada no espaço, “Travessia”, apresentou uma retrospectiva dos 30 anos de trajetória de Léo Romano, reunindo desenhos, mobiliário, objetos e projetos de arquitetura. Com “Vik Muniz – Dinheiro Vivo”, a galeria amplia sua programação dedicada às artes visuais e estabelece um novo diálogo com a produção contemporânea brasileira.
Sobre Vik Muniz
Nascido em São Paulo, em 1961, Vik Muniz construiu uma trajetória internacional marcada pela criação de imagens a partir de materiais pouco convencionais, posteriormente fotografadas. Açúcar, chocolate, lixo, poeira, sucata e cédulas estão entre os elementos utilizados pelo artista em diferentes momentos de sua produção.
Suas obras integram coleções de instituições como o Centre Georges Pompidou, em Paris; o Museum of Modern Art (MoMA), o Solomon R. Guggenheim Museum e o Whitney Museum of American Art, em Nova York; e a Tate, em Londres.
Muniz também é conhecido pelo documentário “Waste Land” (“Lixo Extraordinário”), realizado a partir de seu trabalho colaborativo com catadores do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. O filme foi indicado ao Oscar de melhor documentário.
Em 2026, a retrospectiva “Vik Muniz – A Olho Nu”, com curadoria de Daniel Rangel, foi apresentada no CCBB Rio e recebeu mais de 210 mil visitantes.
Sobre Nara Roesler
Nara Roesler organizou sua primeira exposição de arte contemporânea, “O desenho em Pernambuco”, em 1976, no Recife. Em 1986, mudou-se para São Paulo, onde consolidou a galeria que leva seu nome. O espaço expandiu sua atuação para o Rio de Janeiro, em 2014, e para Nova York, em 2016, tornando-se a primeira galeria brasileira a estabelecer presença internacional.
Atualmente, a Nara Roesler atua na promoção, no fortalecimento institucional e na circulação internacional da arte brasileira e latino-americana. O programa da galeria reúne mais de 50 artistas de diferentes gerações, entre eles Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Antonio Dias, Artur Lescher, Daniel Buren, Heinz Mack, Jac Leirner, Julio Le Parc, Sheila Hicks, Tomie Ohtake, Vik Muniz, Alberto Pitta, André Griffo, Berna Reale, Bruno Dunley, Jonathas de Andrade, JR, Lucia Koch, Rodolpho Parigi, Asuka Anastacia Ogawa, Elian Almeida, Flávia Ventura, Jaime Lauriano, Manoela Medeiros, Mônica Ventura e Thiago Barbalho.
Em 2026, a galeria celebra 50 anos de atuação.
Sobre a Galeria Léo Romano
A Galeria Léo Romano nasceu da trajetória do arquiteto e designer Léo Romano e de sua relação com a arte, a arquitetura e o design. Inaugurado em julho de 2026, o espaço ocupa três pavimentos no Setor Sul, em Goiânia, e foi criado com o propósito de promover encontros, ampliar repertórios e aproximar diferentes linguagens artísticas do público.
Com formação em Artes Visuais, Design de Interiores, Arquitetura e Urbanismo e mestrado em Artes, Léo Romano está à frente do Instituto Léo Romano desde 1996.
A primeira exposição da galeria, “Travessia”, reuniu trabalhos de diferentes momentos de sua trajetória profissional. Com “Vik Muniz – Dinheiro Vivo”, o espaço amplia sua programação e passa a receber exposições de artistas de relevância nacional e internacional.
SERVIÇO
Goiânia recebe exposição “Vik Muniz – Dinheiro Vivo”
Abertura: 6 de outubro de 2026, às 19h
Visitação: todos os dias, das 9h às 17h, até 31 de janeiro de 2027
Local: Galeria Léo Romano – Espaço de Arte e Design
Endereço: Rua 132, nº 503 – Setor Sul, Goiânia
Curadoria: Daniel Rangel
Apoio: Nara Roesler
Idealização: Entrearte
Entrada gratuita
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