Médica é afastada em Goiânia após suposta orientação para segurar altas no fim de semana eleitoral0
Chefe da ginecologia e obstetrícia é suspeita de orientar profissionais a não dar alta a pacientes durante o fim de semana eleitoral
O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), em Goiânia, afastou das funções a médica Marcella Segato de Sousa Melo, que é suspeita de ter orientado profissionais da unidade a não concederem alta a pacientes durante o fim de semana das eleições. A informação foi confirmada pela assessoria do hospital nesta terça-feira (6).
A suspeita surgiu após uma mensagem atribuída à médica circular em um grupo privado de profissionais. Na publicação, Marcella teria orientado os integrantes que estivessem trabalhando na enfermaria no sábado e no domingo das eleições a não darem alta aos pacientes. A mensagem ainda fazia referência à preferência política da maioria dos pacientes, segundo a médica.
Marcella é chefe da área de ginecologia e obstetrícia do HMMCC. O episódio foi denunciado ao Ministério Público Federal (MPF) na sexta-feira (2). O advogado Alan Marques, responsável pela denúncia, afirmou que a conduta poderia caracterizar abuso de poder e crime eleitoral, considerando a função de chefia exercida pela médica e a utilização da estrutura de uma unidade pública de saúde.
Em manifestação sobre o caso, o hospital afirmou que a mensagem atribuída à médica tinha caráter pessoal e não representava a posição da administração nem da instituição responsável pela gestão da unidade. O HMMCC também informou que não adota posicionamento político-partidário e que decisões relacionadas à internação, permanência e alta dos pacientes devem ser tomadas exclusivamente com base em critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que adotou medidas administrativas para apurar a situação.
O Cremego informou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são analisadas sob sigilo, conforme o Código de Processo Ético-Profissional Médico, e que o conselho solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição envolvida.
Até a última atualização, o hospital não havia informado por quanto tempo a médica permanecerá afastada nem se a medida é cautelar ou resultado de procedimento administrativo. Marcella e o MPF foram procurados, mas não haviam respondido.
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