Ruy Castro conquista Livro do Ano no Prêmio Jabuti 2026; veja os principais vencedores da 68ª edição
Com 23 categorias, principal premiação literária do país reconhece autores consagrados, novos talentos e iniciativas que aproximam os livros das redes sociais
O livro que traz a Segunda Guerra Mundial às ruas do Rio de Janeiro foi o grande vencedor do Prêmio Jabuti 2026. Em cerimônia na noite de terça-feira (27), na Sala São Paulo, o jornalista e escritor Ruy Castro recebeu o prêmio de Livro do Ano por Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio, obra que também venceu a categoria Biografia e Reportagem. A edição também estreou uma categoria voltada ao incentivo à leitura nas redes sociais.
Em sua 68ª edição, o Jabuti distribuiu troféus em 23 categorias, divididas entre Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o prêmio contempla autores, tradutores, ilustradores e outros profissionais do setor.
O reconhecimento a Ruy Castro traz ao centro do debate uma história da guerra observada a milhares de quilômetros das frentes de batalha. O autor observa as transformações de uma cidade atravessada por acontecimentos mundiais. Pelo título de Livro do Ano, ele receberá R$70 mil e participação, com despesas pagas, em uma feira internacional do livro.
Entre os romances, a principal distinção literária foi para Meridiana, de Eliana Alves Cruz, publicado pela Companhia das Letras. A obra venceu a categoria Romance Literário, que reunia também títulos de Itamar Vieira Junior, Milton Hatoum, Aline Bei e Evandro Affonso Ferreira. Já no Romance de Entretenimento, o prêmio ficou com “Cartografia para caminhos incertos”, de Ian Fraser, lançado pela Intrínseca.
A premiação também abriu espaço para novos nomes. Mariana Lobato Botter venceu em Escritor Estreante – Romance com “Pitangas verdes”, enquanto Juliana Cajives conquistou a categoria de estreia em poesia com “História a que ninguém deu nome”. Na categoria Poesia, o vencedor foi Alberto Martins, por “Boris e Marina”. O prêmio de Conto foi entregue a Abáz, por “Massaranduba”, e o de Crônica, a Humberto Werneck, por “Viagem no país da crônica”.
No segmento dedicado às crianças, “A letra”, de Leo Cunha e Raquel Matsushita, venceu a categoria Infantil. Entre os livros juvenis, o destaque foi “A única da sala”, de Tathyana Viana. A categoria Histórias em Quadrinhos premiou “Ouroboros”, de Luckas Iohanathan.
Literatura nas redes
A presença da literatura nas plataformas digitais também entrou oficialmente na disputa. Criada nesta edição, a categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital reconheceu produtores de conteúdo que aproximam livros do público pelas redes sociais. O vencedor foi Bookster, projeto de Pedro Pacífico, que concorria com Biblion, Camilla e Seus Livros, Impressões de Maria e Resenhando Sonhos.
A novidade sinaliza uma mudança na maneira como o universo literário conquista leitores. Vídeos de indicação, comentários sobre lançamentos e comunidades virtuais passaram a fazer parte da circulação das obras, muitas vezes levando a conversa sobre livros para fora das livrarias e salas de aula. Ao incluir esse trabalho entre os premiados, o Jabuti reconhece que a formação de leitores também acontece nas telas.
Outra distinção ligada ao acesso à literatura foi concedida ao projeto “Cartovivências nas periferias da cidade”, de Ricardo Barbosa da Silva, vencedor de Incentivo à Leitura – Projeto. O reconhecimento coloca em evidência iniciativas que procuram aproximar o livro de públicos e territórios nem sempre alcançados pelo circuito editorial convencional.
Na Não Ficção, o prêmio de Artes ficou com “Abdias, intérprete do Brasil: textos sobre raça e cultura brasileira de 1940 a 1990”, organizado por Tulio Custódio. Em Educação, venceu “Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade”, de Manuel Alves de Sousa Junior. A categoria Economia Criativa premiou “A (r)evolução das habilidades para o futuro do trabalho na era da inteligência artificial”, de Martha Gabriel.
Os bastidores da produção de livros também tiveram seus vencedores. “Frans Krajcberg” conquistou o prêmio de Capa, “Guernica: a arte em busca da paz” foi reconhecido em Ilustração, e “Dobra” recebeu o troféu de Projeto Gráfico. Na categoria Tradução, venceu Rubens Figueiredo pelo trabalho em “O cavaleiro de bronze e outros contos e versos”.
A escritora Lygia Bojunga foi a Personalidade do Ano. A homenagem coincidiu com os 50 anos de A Bolsa Amarela, lançado em 1976 e considerado um marco de sua trajetória na literatura infantil e juvenil.
Anunciados às vésperas do Dia Nacional do Livro, celebrado nesta quinta-feira (29), os resultados oferecem um retrato da amplitude da produção literária brasileira. Dos livros que revisitam a história aos projetos que encontram leitores pela internet, o Jabuti evidencia que, mesmo com mudanças de linguagem e suporte, a disputa por atenção e espaço para a leitura continua a mobilizar autores, editoras e mediadores culturais.
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