Jovens também precisam estar atentos ao AVC; internações na faixa de 15 a 49 anos cresceram 16,9% em cinco anos
Neurologista comenta sobre aumento dos casos entre os mais novos e explica sobre prevenção e tratamento
O acidente vascular cerebral (AVC) pode parecer uma preocupação distante para quem ainda é jovem. Mas os números mostram que a doença não atinge apenas idosos. Entre 2020 e 2025, as internações de brasileiros de 15 a 49 anos aumentaram 16,9%, passando de 34.896 para 40.788, segundo o Ministério da Saúde. O crescimento chama atenção para a importância de reconhecer os sintomas e cuidar da saúde antes que os primeiros sinais apareçam.
Nos sete primeiros meses de 2026, o país contabilizou 182.253 internações e 50.424 mortes por AVC na rede pública, conforme dados do DataSUS. O cenário ganha destaque com a proximidade do Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, e reforça que a rapidez no atendimento pode determinar as chances de recuperação.
Como reconhecer os primeiros sinais?
O neurologista Iron Dangoni Filho explica que o AVC é mais frequente após os 60 anos, mas também pode atingir adultos jovens e crianças.
“Os sinais mais comuns são boca torta, perda de força ou sensibilidade de um lado do corpo e dificuldade para falar. Também podem ocorrer perda súbita da visão, tontura intensa com desequilíbrio e dificuldade para caminhar. Diante desses sintomas, é fundamental procurar atendimento imediatamente”.
Ao perceber qualquer um desses sinais, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, mesmo que os sintomas desapareçam rapidamente.
Há como prevenir?
O aumento dos casos entre jovens está associado a condições que nem sempre apresentam sintomas evidentes. Pressão alta, diabetes, obesidade e sedentarismo estão entre os fatores de risco, assim como tabagismo, uso de drogas, doenças cardíacas e alterações da coagulação.
“Esse aumento está relacionado a fatores como obesidade, sedentarismo, hipertensão, diabetes, tabagismo e uso de drogas. Além disso, algumas doenças cardíacas e alterações da coagulação podem provocar AVC em pessoas jovens”, pontua o especialista.
Segundo o neurologista, a prevenção envolve acompanhamento médico e mudanças nos hábitos cotidianos. “Controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol, praticar atividade física, manter uma alimentação saudável e evitar o cigarro são medidas fundamentais”, ressalta.
A recuperação após um AVC depende da região cerebral atingida, da gravidade da lesão e do tempo até o atendimento. Algumas pessoas recuperam suas funções completamente, enquanto outras precisam de fisioterapia, fonoaudiologia ou terapia ocupacional.
Além de tratar as possíveis sequelas, identificar a causa do episódio é essencial para prevenir novas ocorrências. O alerta vale para todas as idades: diante de uma mudança súbita na fala, nos movimentos ou na visão, não se deve esperar para procurar ajuda.
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