Nova orientação revê tratamento da menopausa precoce; saiba o que muda para quem faz reposição hormonal
Recomendação internacional propõe que a duração da terapia hormonal seja definida individualmente, sem estabelecer uma idade fixa para sua interrupção
A menopausa costuma ocorrer por volta dos 50 anos, mas, para algumas mulheres, a menstruação deixa de acontecer ainda na faixa dos 40 ou até antes. Além das mudanças no cotidiano, essa redução antecipada da produção hormonal pode trazer consequências para a saúde nos anos seguintes. Agora, uma nova recomendação internacional propõe rever um ponto importante do acompanhamento dessas pacientes: o momento de interromper a reposição de estrogênio.
Publicada em agosto pela Sociedade Internacional de Menopausa (IMS) e pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo), a recomendação abandona a ideia de estabelecer uma idade fixa para encerrar a terapia. Em vez disso, defende que a continuidade do tratamento seja discutida individualmente, a partir das condições de saúde de cada mulher.
Duas situações, um cuidado prolongado
A menopausa é considerada precoce quando ocorre entre os 40 e os 45 anos. Se os ovários perdem a função antes dos 40, o quadro recebe o nome de insuficiência ovariana prematura (IOP), condição que, segundo os dados apresentados, atinge cerca de 3,5% das mulheres. Embora tenham características diferentes, as duas situações envolvem uma queda antecipada na produção de estrogênio.
Até então, a orientação era manter a terapia hormonal pelo menos até a idade habitual da menopausa, em torno dos 50 anos. A atualização não significa que a reposição deva durar para sempre. Significa que completar determinada idade, por si só, não deve determinar o fim do tratamento.
A nova recomendação reconhece que os efeitos da redução precoce do estrogênio podem continuar exigindo cuidados após os 50 anos. Por isso, a reposição hormonal pode ser mantida por mais tempo, desde que seus benefícios e possíveis riscos sejam acompanhados pelo médico.
A orientação também reforça a necessidade de consultas periódicas para avaliar a saúde óssea, cardiovascular e outros aspectos relacionados à menopausa precoce. Assim, a continuidade ou a suspensão do tratamento passa a considerar as condições clínicas e as necessidades de cada mulher, sem seguir um prazo único para todas as pacientes.
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