quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Julgamento

STF forma maioria para julgar disputa sobre valores pagos a hospitais pelo SUS

Tabela SUS: STF vai decidir se hospitais privados podem receber valores de planos de saúde

Otavio Augustopor em
STF forma maioria para julgar disputa sobre valores pagos a hospitais pelo SUS
Crédito: Wallace Martins/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para analisar uma disputa sobre os valores que o Sistema Único de Saúde (SUS) paga a hospitais privados e instituições conveniadas. Até o momento, seis ministros votaram a favor do reconhecimento da repercussão geral do tema. O julgamento ocorre em plenário virtual e tem previsão de encerramento no dia 19.

O caso envolve os critérios utilizados para remunerar os atendimentos prestados por essas instituições a pacientes do sistema público. Segundo dados apresentados pela União, a discussão pode ter impacto de R$ 24 bilhões no orçamento público e na emissão de precatórios.

O reconhecimento da repercussão geral significa que o STF considera o tema relevante para orientar decisões de outros tribunais. Assim, caso a Corte avance para o julgamento do mérito e estabeleça uma tese, o entendimento deverá ser aplicado pelos órgãos do Poder Judiciário em casos semelhantes.

Seis ministros votaram a favor da análise pelo STF

O ministro Gilmar Mendes, relator do recurso, abriu a votação a favor do reconhecimento da repercussão geral do Tema 1491. Em seguida, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Dias Toffoli acompanharam o relator.

Até o momento descrito no julgamento, ainda faltavam os votos de Nunes Marques, Cármen Lúcia e André Mendonça.

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Foto: Antonio Augusto/STF

A discussão ocorre após uma decisão anterior do Supremo. Em 2021, ao analisar o Tema 1133, a Corte entendeu que a controvérsia não envolvia matéria constitucional. Na ocasião, o relator foi o ministro Luiz Fux.

Agora, o reconhecimento da repercussão geral pode abrir caminho para que o STF assuma a análise constitucional da questão e estabeleça parâmetros para os processos que tratam dos pagamentos do SUS a instituições conveniadas.

 

 

 

Disputa envolve valores pagos a hospitais conveniados

Um dos pontos centrais da controvérsia é saber se a Justiça pode obrigar o governo federal a remunerar os hospitais conveniados ao SUS com base nos mesmos valores cobrados dos planos de saúde privados. A discussão envolve a chamada Tabela Tunep/IVR.

Antes de chegar ao Supremo, os processos estavam no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com o julgamento atual, a Corte Constitucional poderá definir os critérios jurídicos para a análise da disputa, caso reconheça sua competência para julgar o mérito.

A definição é acompanhada por gestores de Santas Casas, hospitais filantrópicos, Apaes e clínicas de diálise conveniados ao SUS. Essas instituições estão entre as entidades que podem ser afetadas pelo entendimento sobre os valores de remuneração dos serviços prestados.

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Getty Images

STF também pode definir quem responde pelos pagamentos

Outro ponto em discussão é a responsabilidade pelos valores cobrados em processos acumulados. O julgamento poderá esclarecer se a obrigação de pagamento cabe exclusivamente à União ou se estados e municípios também devem responder pelas cobranças.

 

 

A questão envolve o papel dos gestores públicos que contratam diretamente os serviços de saúde oferecidos à população. Por isso, a definição poderá estabelecer como a responsabilidade financeira será distribuída entre os entes federativos nos processos relacionados ao tema.

A expectativa das instituições conveniadas é que a decisão estabeleça critérios para orientar os pagamentos nos próximos anos. Entretanto, até a conclusão do julgamento e a eventual definição do mérito, ainda não há uma tese final do STF sobre a questão.

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