quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Votação da 6x1

Senador do PL diz que partido nunca foi contra o fim da escala 6×1

Domingos Sávio critica debate sobre escala 6×1 e defende alternativa do PL

Otavio Augustopor em
Senador do PL diz que partido nunca foi contra o fim da escala 6×1
Deputado federal Domingos Sávio (PL-MG)

O senador Domingos Sávio (PL-MG) afirmou que o Partido Liberal nunca foi contrário ao fim da escala de trabalho 6×1. Em entrevista ao programa Poder Expresso, ele criticou a condução do debate sobre a redução da jornada e acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de utilizar o tema como estratégia eleitoral.

O parlamentar, que já votou a favor da proposta na Câmara dos Deputados, disse que o PL apoia a discussão sobre a jornada de trabalho, mas defende mudanças na forma de implementação. Segundo ele, a redução das horas trabalhadas precisa considerar as diferenças entre os setores da economia e prever medidas para compensar possíveis custos para as empresas.

A PEC 221/2019 prevê reduzir o limite semanal de trabalho de 44 para 40 horas, garantir dois dias de descanso remunerado e manter os salários. O texto foi aprovado pela Câmara em maio e está em tramitação no Senado.

Por que o senador critica a condução do debate?

Domingos Sávio argumentou que o debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou destaque por causa do calendário eleitoral. Apesar das críticas, ele afirmou que o PL não se opõe à pauta dos trabalhadores.

“Não tínhamos outra alternativa, já que nunca fomos contra. O PL votou a favor. Não vamos morder a isca do PT, não somos contra os trabalhadores”, declarou durante a entrevista.

O senador também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação dele, a discussão não considera suficientemente os efeitos econômicos de uma mudança na jornada de trabalho.

6x1
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Além disso, Sávio defendeu que uma eventual redução das horas trabalhadas venha acompanhada de medidas econômicas. Entre as alternativas citadas estão a desoneração da folha de pagamento e a redução da carga tributária.

O parlamentar afirmou que essas iniciativas poderiam integrar um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, o equilíbrio das contas públicas seria necessário para viabilizar medidas de compensação às empresas.

 

 

 

Como funciona a alternativa apresentada pelo PL?

Em maio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, apresentou uma proposta alternativa à mudança na jornada de trabalho.

A iniciativa prevê um modelo de contratação mais flexível. Nesse formato, o trabalhador poderia escolher entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e uma modalidade baseada no pagamento por horas trabalhadas.

Os defensores da proposta afirmam que o modelo permitiria atender às particularidades de setores como indústria, comércio e agropecuária.

A alternativa, porém, apresenta diferenças em relação à proposta de redução coletiva da jornada. Enquanto a PEC 221/2019 estabelece uma diminuição do limite semanal de trabalho, a modalidade por horas trabalhadas prevê outra forma de organizar a relação entre empregadores e trabalhadores.

 

 

 

O que pesquisadores apontam sobre a remuneração por hora?

Pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apontam possíveis efeitos da remuneração por hora e da definição individualizada da jornada.

Segundo a avaliação apresentada no material, a flexibilização pode aumentar a imprevisibilidade da renda dos trabalhadores. Com rendimentos menos previsíveis, as famílias podem enfrentar dificuldades para organizar o orçamento mensal.

Além disso, a instabilidade da remuneração pode afetar o consumo e gerar consequências para a proteção previdenciária.

A discussão, portanto, envolve diferentes propostas para alterar a jornada de trabalho no país. De um lado, a PEC 221/2019 prevê reduzir o limite semanal de horas trabalhadas e assegurar dois dias de descanso remunerado. De outro, a alternativa apresentada por Rogério Marinho aposta em um modelo de contratação baseado em horas trabalhadas.

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