Mercado pet cresce 12,8% e ganha espaço nos supermercados
Pesquisa aponta que 54% dos consumidores compram produtos para animais em supermercados
A presença dos animais de estimação na rotina das famílias brasileiras está transformando o mercado pet e influenciando as estratégias do varejo alimentar. Mais do que ampliar a oferta de rações e acessórios, supermercados precisam acompanhar os hábitos de consumo dos tutores, que buscam praticidade e esperam encontrar produtos para os animais durante as compras do mês.
Pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (APAS) mostra que 54% dos consumidores costumam comprar produtos pet em supermercados. Entre esse grupo, 39% afirmam já ter deixado de comprar em um estabelecimento por não encontrar o item desejado na prateleira. O dado revela que a disponibilidade dos produtos pode influenciar a escolha da loja e a fidelização do cliente.
O movimento ocorre em um setor que mantém relevância econômica. Segundo levantamento divulgado pela APAS, o mercado pet registrou crescimento de 12,8% em valor e de 12,3% em volume em 2025, na comparação com o ano anterior. Os indicadores apontam avanço tanto nas vendas financeiras quanto na quantidade comercializada, embora o desempenho varie entre as categorias.

Alimentação concentra parte importante do consumo
A alimentação é um dos principais segmentos do mercado pet e representa uma parcela expressiva dos gastos recorrentes dos tutores. Dados setoriais da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet) apontam faturamento de aproximadamente R$ 77,96 bilhões para o setor em 2025. Para 2026, a projeção divulgada pela entidade é de cerca de R$ 81 bilhões, considerando o desempenho registrado no primeiro semestre.
Os números abrangem diferentes atividades, como alimentação, medicamentos, serviços veterinários, higiene, acessórios e comércio de animais. Por isso, o faturamento total do setor não deve ser confundido com as vendas de rações ou com o crescimento específico observado nos supermercados.
A alimentação industrializada tem peso relevante nessa estrutura. Estimativas setoriais para 2025 colocam o segmento de alimentos para animais entre as principais fontes de receita do mercado, impulsionado pela demanda recorrente por rações secas e úmidas. Como são produtos de reposição frequente, eles também representam uma oportunidade para o varejo ampliar a regularidade das compras e aumentar o valor da cesta.
Ração para gatos avança mais que a de cães
O crescimento da categoria também acompanha mudanças no perfil dos animais e nas preferências dos consumidores. Em 2025, o volume de ração para gatos aumentou 26,2%, enquanto o de ração para cães avançou 10%, segundo os dados divulgados pela APAS. A diferença indica que as categorias não apresentam o mesmo ritmo de expansão e que o planejamento de estoque precisa considerar as particularidades da demanda.
Para os supermercados, esse cenário exige atenção à variedade de produtos, aos tamanhos das embalagens e às diferentes faixas de preço. A falta de um item específico pode levar o consumidor a procurar outro estabelecimento ou recorrer a canais especializados. A escolha do sortimento, portanto, deixa de ser apenas uma decisão operacional e passa a integrar a estratégia de relacionamento com o cliente.
Supermercados disputam compras com canais especializados
A expansão dos produtos pet no varejo alimentar ocorre em um mercado que reúne diferentes canais de venda. Pet shops, clínicas veterinárias, lojas especializadas e plataformas digitais disputam os gastos dos tutores. Cada canal atende a necessidades distintas, seja pela variedade, pela conveniência ou pela oferta de serviços associados.

Nesse contexto, o supermercado pode competir principalmente pela praticidade. Ao encontrar alimentos para os animais no mesmo local em que compra mantimentos e produtos de limpeza, o consumidor consegue concentrar diferentes necessidades em uma única visita. Para os estabelecimentos, a estratégia depende de oferecer variedade suficiente, preços competitivos e disponibilidade dos itens mais procurados.
Setor exige planejamento e atenção ao orçamento
Apesar das oportunidades, o avanço do mercado pet não elimina os desafios relacionados ao poder de compra das famílias. Como alimentação, cuidados veterinários e higiene fazem parte das despesas recorrentes, os tutores precisam equilibrar qualidade, necessidade e preço. Para o varejo, isso significa trabalhar com opções que atendam a diferentes orçamentos, sem descuidar da disponibilidade dos produtos.
A projeção de faturamento de aproximadamente R$ 81 bilhões para o mercado pet em 2026, divulgada pela Abempet, indica a dimensão econômica alcançada pelo setor. O resultado esperado também amplia a relevância da cadeia para fabricantes, distribuidores, prestadores de serviços e estabelecimentos comerciais.
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