Moradores denunciam corte de mais de 100 árvores em bosque de Anicuns e cobram fiscalização
Comunidade questiona autorização ambiental para retirada da vegetação durante obra de revitalização e pede vistoria para apurar possíveis irregularidades
Moradores de Anicuns, na região central de Goiás, denunciam o corte de mais de 100 árvores no Bosque Municipal Ary Ribeiro Valadão durante as obras de revitalização do espaço. A comunidade questiona se a retirada da vegetação respeita a autorização ambiental concedida pela Prefeitura e cobra esclarecimentos sobre a destinação da madeira.
Segundo os denunciantes, os cortes começaram há cerca de dez dias e foram interrompidos em 8 de outubro, após moradores comparecerem ao local para questionar os trabalhadores. A população teme que a atividade seja retomada, já que outras árvores ainda poderiam ser retiradas.
A principal contestação envolve a quantidade de exemplares autorizados para corte. De acordo com os moradores, o Parecer Técnico nº 008/2026 e a Autorização nº 043/2026, documentos emitidos pela Prefeitura, permitiriam a retirada de 30 árvores que apresentariam risco de queda. Os denunciantes, entretanto, estimam que mais de 100 exemplares já tenham sido derrubados, incluindo árvores localizadas no interior da mata.
A quantidade efetivamente cortada e a conformidade dos serviços com a autorização ambiental precisam ser verificadas pelos órgãos competentes.
Moradores questionam critérios para retirada das árvores
Em 14 de setembro, o prefeito Paulo César, conhecido como Paulinho do Barreirão, e a vereadora Cláudia Gomes, a Claudinha, anunciaram o início das obras de revitalização do bosque, com recursos destinados pela deputada federal Marussa Boldrin.
No dia 24 de setembro, o prefeito publicou um vídeo ao lado da bióloga responsável pela área ambiental do município para explicar a intervenção. Segundo os relatos dos moradores, ele afirmou que o corte estava autorizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e que os trabalhos seguiam a legislação.
A comunidade questiona se a quantidade de árvores retirada corresponde ao que foi autorizado. Entre as espécies que, segundo os denunciantes, ainda poderiam ser atingidas estão jatobás e jacarandás.
Em vídeos divulgados pelos moradores, um deles questiona a necessidade da retirada da vegetação para a execução das obras.
“Precisa derrubar esse tanto de árvores pra revitalizar? Pra fazer calçada? Isso é crime”, afirma.
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Destinação da madeira também é questionada
Além do corte, os moradores levantam dúvidas sobre o destino dos troncos e galhos retirados do bosque. Segundo os relatos, a madeira estaria sendo cortada com motosserras e transportada diariamente em caminhões.
Os denunciantes afirmam que os documentos municipais estabeleceriam restrições à comercialização da madeira e indicariam que os troncos maiores deveriam ser destinados ao uso público, como em reparos de pontes.
A comunidade também questiona a documentação utilizada no transporte do material. Conforme os relatos, trabalhadores envolvidos na atividade teriam informado que não possuíam o Documento de Origem Florestal (DOF). A exigência do documento depende das características do material e das regras aplicáveis à operação, o que também precisa ser esclarecido.
Comunidade cobra fiscalização e compensação ambiental
Os moradores afirmam ter procurado a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Batalhão Ambiental da Polícia Militar, mas dizem não ter obtido a fiscalização esperada.
A comunidade pede uma vistoria para avaliar a extensão dos cortes, verificar o cumprimento da autorização ambiental e esclarecer a destinação da madeira. Também solicita informações sobre eventuais medidas de compensação ambiental, incluindo o plantio de novas mudas.
Os denunciantes defendem que a intervenção seja suspensa até que as dúvidas sobre a legalidade dos cortes sejam apuradas.
A Prefeitura de Anicuns é questionada sobre a quantidade de árvores autorizadas e efetivamente derrubadas, os critérios técnicos utilizados para definir os exemplares que poderiam ser retirados, a documentação relativa ao transporte e à destinação da madeira e as medidas previstas de compensação ambiental.
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